Médico, quando foi a última vez que você se sentiu acolhid@?!

A minha pergunta título é pertinente.

Hoje novamente me senti falando com uma parede, onde minhas palavras batiam e as letrinhas despencavam, enquanto eu ouvia a minha voz e era solenemente ignorada.

Meu marido me disse que gosto de profissionais médicos mais velhos. Talvez sim, seja pelo diferente acolhimento que eles nos dão e os ouvidos que tem para nos escutar. O tratamento é diferente, menos técnico, mais humano.

Há alguns anos a minha filha, ao dar aula para o curso de medicina, me manifestava a sua enorme preocupação com o tipo de aluno que estava entrando para o curso. Me dizia que eram extremamente inteligentes, resultado de provas dificílimas de ingressos. Sabiam tecnicamente tudo, não expressavam nenhuma emoção e empatia, com raras exceções.

Me pergunto onde ficou o acolhimento médico, porque eles acham que a nossa história não importa, sabemos mais de nós do que eles. Deveriam ao menos escutar nos dar atenção.

É a segunda vez que tem uma experiência muito ruim.

A primeira foi hospitalizada, com uma infecção nos ossos da cabeça e uma paralisia facial, que requeriam alta dosagem de corticoide e varios tipos de antibiótico, para recuperar o nervo facial.

Fui internada por um otorrino, excelente, acolhedor e que em cinco minutos, ao ouvir o que eu estava sentindo e examinar o meu ouvido, fez o seu diagnóstico, que foi completamente confirmado pelos exames.

Ao baixar o hospital, fiquei internada na cardiologia, cujo chefe nunca entrou no meu quarto, apesar de ter que fazê-lo diariamente.

Todos os dias, sem me conhecer, sem respeitar o meu médico, sendo o responsável pela ala, ele suspendia o meu tratamento. Eu só percebia quando, no horário do antibiótico e do corticoide, não chegava a medicação.

Todos os dias eu chamava a enfermagem, reclamava, entrava em contato com o médico otorrino, que imediatamente reiniciava o meu tratamento. Desde o início ele havia me explicado os riscos desse o tratamento e eu o havia aceitado.

A minha internação deveria durar quatro dias acabou durando 10.

Já se passavam cinco dias lá dentro, quando o cardiologista resolveu entrar no meu quarto, para discutir comigo o meu tratamento, dizendo que não atenderia o meu otorrino, porque iria tratar o meu rim.

Eu não tinha nenhum problema renal, o que era confirmado pelos exames de sangue diários, para o controle da minha alteração corporal, em virtude da forte medicação.

Eu realmente não sei até hoje o que se passou na cabeça daquele médico, sei apenas que exigi dele a retomada da minha medicação e ele se negou a fazer. Não tive alternativa, chamei a a Ouvidoria do hospital, que, depois de me ouvir, afastou o cardiologista. Pude então dar prosseguimento ao meu tratamento.

Hoje novamente me vi numa situação de ignorância médica. Não na mesma gravidade, mas me fez lembrar desse passado recente.

O meu endocrinologista assumiu um cargo no hospital, que o impede de estar no consultório diariamente, com exceção dos sábados, com isso ele perguntou aos pacientes, quais poderiam ser remanejados para o seu colega e eu aceitei, por entender a situação dele.

Primeira pergunta do médico, o que você veio fazer aqui hoje? Resposta: o meu acompanhamento semestral. Pergunta: quem era o seu médico? Resposta: o seu colega, o Dr. Júlio. Pergunta: porque trocou o médico? Expliquei a situação do Dr. Júlio. Resposta do médico: não se pode ficar trocando de médicos, minha réplica, o senhor deveria falar isso com a clínica. Extremamente desagradável a primeira impressão.

Anamnese: quais sucos a senhora toma? Resposta: não tomo suco, prefiro a fruta. Quais bebidas, refrigerantes consome? Resposta, não tomo refrigerante, tomo água , água mineral com gás e chá branco. A senhora usa açúcar? Não, uso adoçantes. Quais sucos de caixinha a senhora toma? Como eu falei, eu não tomo suco, nem refrigerante. E a senhora adoça como a suas bebidas? Eu não uso açúcar, eu uso adoçante. Que adoçante? Sucralose. Mas café eu tomo sem açúcar. Então, não usa açúcar, humm (cri… cri… cri… Barulho do meu cérebro, evitando olhar para a jugular do médico e não pular nela…)

Eu estou bem acima do meu peso, principalmente depois do tratamento com corticoide, porém eu tento fazer uma dieta equilibrada, minha comida diária é feita e entregue por uma nutricionista.

Apesar das minhas informações ele me olhava incrédulo, insistiu no assunto açúcar e apenas dizia que eu tinha que emagrecer, porque iria virar diabética.

Eu esclareci que as minhas taxas vinham caindo, há mais de ano e que o meu Homa baixava a cada novo exame (sim, eu entreguei os exames).

Resposta: isso não quer dizer nada, vou fazer todos os exames novamente, porque a senhora vai ficar diabética.

Mais do que ninguém eu conheço os riscos de diabetes, pois ela está presente na minha família há décadas e, por isso mesmo, não usamos açúcar em casa, porque o meu marido é diabético e eu trato da dieta dele.

Como doce em viagens, quando ele não está comigo, portanto raramente.

Não escondo nenhuma informação dos meus médicos e sou uma pessoa disciplinada.

Tentar dizer cinco vezes para este médico que eu, no dia-a-dia, não consumo açúcar e, me fazer entender, foi muito difícil, tenho certeza que não consegui convencê-lo, sequer sei se ele me ouviu. Parecia distante, com suas crenças inabaláveis.

Para ele eu era uma gorda, provavelmente mentirosa, que come açúcar escondido e não emagrecia por isso. Nem nos exames que eu levei, com taxas normais, ele acreditou.

Sinceramente, eu preferiria ser atendida por um médico de família, cubano, generalista, que me ouvisse, me entendesse e me tratasse como um todo e não por partes.

Triste pagar caro por um plano de saúde e não se sentir sequer ouvida, muito menos acolhida.

Pergunta que não quer calar, qual o momento que a gente pode mandar esse tipo de médico se fu…?!

Me desculpem os bons médicos, tenho alguns excepcionais em minha vida, foram apenas dois episódios irritantes isolados.

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