A Tecelã



Não coleciono coisas,
coleciono presenças.

Já chorei ausências
que não tiveram corpo,
já segurei perguntas
que não tiveram resposta.

E, ainda assim,
escolhi o fogo.
Não para queimar,
mas para transformar.

Não tenho asas,
tenho palavras.
Não enterrei a dor,
teci com ela um colo.

Sou o que ficou depois do silêncio,
a memória que não se apaga,
o amor que não precisa de eternidade
para ser verdadeiro.

A vida me ensinou a honrar.
A morte me ensinou a esperar.
E eu, entre uma ausência e outra,
aprendi a dançar na chuva.

Não sou inteira.
Sou real.
E isso basta.

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