Flores e indignação

 

Nós duas sempre gostamos de flores, acho que elas nos dão uma beleza que alivia a alma, trazem um certo alento para tudo aquilo que não conseguimos engolir. A beleza de um jardim nos faz viajar, o seu perfume inebria.

Estou indignada com o mundo, com a violência, não falo só dos assassinatos, dos assaltos, tem aquelas disfarçadas pelos colarinhos brancos e pelo dinheiro errático.

Me pergunto como alguém consegue enriquecer às custas da fome de outrem, da moradia, da saúde, como?! Como pode ser feliz com aquilo que falta ao seu semelhante?! Que ética traduz essas vidas? Como alguém consegue fazer fortuna com a miséria humana?!

Não consigo compreender esse mundo, não vejo como as pessoas podem ser solidárias a dor alheia na caridade, se seus ganhos são oriundos da desgraça dos outros. Moradias que desmoronam por falta de cimento, doentes que morreram com o desvio de medicamentos, criança com fome que deixa de comer a merenda que não chegou, por desvio dos recursos públicos, pessoas desatendidas pelo profissional que faltou.

Ninguém refletiu ou se julga ao menos responsável?! Quem vai se punir pelo tempo perdido? Quem vai se responsabilizar pela dor causada? Até quando vamos nos desculpar pela inércia e descaso?! Até quando continuaremos dizendo que não nos cabe?! Por que aceitamos tão facilmente as desculpas?!

O ano todo transcorreu sem que o teu processo Cláudia tivesse sido devidamente analisado, por quê?!  Por que ninguém conseguiu saber o que aconteceu contigo?! Por que não temos nenhuma resposta?! Quem vai nos dar alguma justiça?! Quem daqueles que podem fazer alguma coisa ainda se importa contigo?!

Eu que nunca acreditei em inferno hoje espero que os pecados sejam ao menos pagos por lá, espero que realmente exista justiça divina. Estou furiosa com a injustiça dos ditos humanos.

E as flores?! O que elas têm a ver com a minha indignação e todas essas questões?! Ainda consigo olhar para as flores e perceber alguma beleza, sei que neste mundo ainda tem quem se importe, é com essas pessoas que poderemos contar, certamente elas também acham que flores nos dão alento na aridez da vida.

Ainda quero ver e sentir a beleza das flores…

 

*Escrevi este texto em outubro de 2016, mas como ele ainda é atual no Brasil de hoje !Último dia do mês de outubro presto minha última homenagem no mês de aniversário de minha amiga irmã, Cláudia Pinho Hartleben.

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