ANO NOVO NO QUINTAL DO TEMPO

O ano não começa no calendário.
Começa no instante em que você percebe:
o tempo não passou — ele apenas se fez semente e espera, quieto, no bolso do seu agora.

Em janeiro, aqui, o verão chega cheio de seiva, as árvores não se despojam — se vestem de verde transbordante.
Não há folhas caídas sob os pés,
mas sombras largas no chão quente,
mangueiras carregadas de promessas doces,
e o cigarrar insistente como um mantra do calor. Aproveite as copas das árvores para sentir a brisa em sua pele.

Não faça promessas grandiosas.
Faça microcerimônias: acordar e sentir o peso do corpo na cama.
Olhar a primeira luz sem pressa de nomeá-la.
Deixar que o café revele seu aroma
sem a tirania do relógio.

O novo ano não é um portal mágico.
É uma fresta.
Por onde entram cheiros de terra molhada, vozes antigas que ainda ecoam, e a coragem miúda de recomeçar com as mesmas mãos que um dia tremularam no inverno.

Não busque a grande virada.
Busque o quintal interno onde o tempo não é contado em horas, mas em descobertas: uma formiga carregando seu fardo, a sombra que dança conforme o sol se move, o silêncio que habita entre dois pensamentos.

E se sentir saudade do que ficou para trás, lembre-se: não é o ano que muda — somos nós.
E podemos mudar devagar,
como rio que alonga seu curso
sem alarde, apenas insistindo em correr.

Que seu 2026 não seja medido em metas, mas em miudezas vividas com plenitude, com o seu olhar atento as pequenas belezas que o mundo oferece.
Em rasgos de ternura inesperada,
em pausas que saram, em instantes tão cheios de vida que o eterno cabe dentro deles.

Porque o verdadeiro recomeço
não acontece à meia-noite.
Acontece no primeiro olhar que você der ao mundo, como se estivesse vendo pela primeira vez — com assombro, com respeito, com a quieta ousadia de quem sabe: cada dia é um ano em miniatura, e cada respiração, um novo começo.

Sempre grata a emoção de um novo dia!

Entrei na contramão

Entrei na contramão

Na conversa

A paralela se tornou transversal

Foi um beco sem saída…

Eu corri e morri na BR 3

Das relações

Atravessei a faixa da vida

Decepção, susto,

No meu rolimã desgovernado

Desci o declive dos sentimentos

Me estabaquei no meio da rua

Em pleno farol vermelho.

Vi um PARE, parei

Após tantas placas e sinais, refleti

Dei a preferência à razão

Fiz uma conversão radical

Segui em frente

No momento,

Estou subindo a ladeira da Esperança.

Poesia AdrianaFetter

Cresça, com muita raça

Comecei este texto com um objetivo e, de repente, mudei. Por que eu mudei completamente o rumo do texto que eu iria publicar hoje?! Porque surpresas e problemas aparecem no nosso caminho a todo instante. Ía falar sobre a experiência com o Google, mas minha mulher e a vida falaram mais forte, hoje o foco será mulher, emoção e força.

Eu participei de duas etapas do Cresça com o Google e, numa delas, uma das palestrantes falou da importância de as mulheres liderarem suas próprias vidas.

Eu só digo uma coisa para vocês, tem que ser muito forte pra ser mulher, porque a vida nos dá muitas rasteiras. Nos coloca a prova à todo o momento.

Primeiro nas relações sociais, onde nos impõe regras e mais regras desde pequenas e elas só aumentam no decorrer de nossas existências. Depois no casamento e quando nos tornamos mãe, cobranças mil de comportamento e maternidade.

E, se resolvermos não casar ou não ser mãe, o mundo se acaba sobre as nossas cabeças, existe uma cobrança diária do porquê desta decisão.

Quando começamos a envelhecer, existem as cobranças com a imagem, com os cabelos, com a nossa pele, com a nossa beleza, ninguém respeita as nossas opções, simplesmente cobram. Esquecem que envelhecer é da vida!

Falando em envelhecer, já passados 3/4 do curso, me liga a cuidadora da minha mãe (meu anjo – Mara), problemas nos exames venosos, saio, tento encontrar a médica, que graças a Deus me deu seu WhatsApp. Pensei que seria um caso de hospitalização, mas não, apenas a entrada de anticoagulantes, que na idade dela é um problema menor.

Somos uma montanha russa de emoções! E a vida nos traz muitas cargas a mais.

Acordar entusiasmada por um curso, interromper o mesmo para tomar decisões relativas a precária saúde da mãe idosa. Mudar o foco em 180º em um segundo.

Vocês sabem, eu também cuido todos os dias da minha saúde e da minha energia vital, então haja raça para manter boa disposição física e mental.

Me sinto mãe da minha mãe, no mínimo uma jornada estranha, abraço um leão por dia, mas sigo em frente, firme.

Tem que ser mulher, muito mulher no mundo atual e estar preparada para as vicissitudes da vida, em um único dia, além da dupla ou tripla jornada!

Só digo uma coisa, haja o que houver, nunca, nunca se restrinja, nunca desista, afinal, você é mulher e somos fortes, mesmo na flutuação dos sentimentos e emoções!

E unidas somos muito, imensamente muito, mais fortes!