Autocrítica

Eu me formei como professora de história, depois fiz pós graduação em Ciência política. Estou escrevendo este texto, no sábado, na véspera da eleição brasileira. Estou me sentindo arrasada! Por que o nosso país não entende ou simplesmente ignora o fascismo latente em nossa sociedade?!

Eu me pergunto onde nós professores falhamos, quando não conseguimos explicar a importância da democracia? Por que os jornais no exterior enxergam que estamos à beira do abismo, mas internamente não existe uma crítica a um candidato de extrema-direita, com ideias preconceituosas, machistas, homofóbicas, racistas e xenófobas?!

Eu fico escandalizada com o apoio dado a esse tipo de pessoa, quando havia candidatos qualificados de todas as tendências.

Neste momento me lembro do caso de Jean-Marie le Pen, na França, que foi expulso da política e obrigado pagar uma multa de 30.000 euros por minimizar o holocausto e as câmaras de gás, ocorridas na Segunda Guerra Mundial e mais 5000 euros por incitar o ódio aos ciganos.

Enquanto aqui no Brasil, a tortura é idolatrada, o torturador reverenciado como herói, a ditadura militar minimizada, o incitamento ao ódio às minorias ignorado.

Como chegamos até aqui? Como as classes sociais abastadas, conseguem macissamente apoiar isso? Como a grande imprensa, com raras exceções, não consegue estabelecer uma vala entre o que é decente e o que é indecentemente desumano, não estabelecendo a separação do trigo do joio?

A saber.

Ouvi de um analista político que o movimento das mulheres, intitulado EleNão, foi um movimento de classe média, que não engajou as mulheres mais pobres, dando a entender que foi um movimento partidário. Menospreza e desconhece a verdadeira origem desse movimento, que hoje é integrado por 4 milhões de mulheres, de crescimento natural em apenas 1 mês via redes sociais. Formado por mulheres que viram ameaçadas suas conquistas, amedrontadas pelo machismo do candidato e seus seguidores e por suas crenças depreciativas às minorias. Movimento do qual faço parte desde o inicio, que foi desqualificado, ignorado por essa mesma imprensa e que foi covardemente atacado pelos seguidores políticos da extrema direita.

Também vi o judiciário ignorar as fake News nas redes sociais, massivamente no Whatsapp, quando havia anunciado que as combateria veementemente, dando vazão a verborragia e a violência verbal intensiva.

Para o 1% mais rico da população brasileira não importa a democracia, desde que seu dinheiro cresça, o autoritarismo pode varrer a nossa sociedade, desde que o capital seja preservado. Então, não podemos nos valer da lógica capitalista, no nosso trabalho. São eles que ganham com a eleição de uma extrema direita.

O que nós professores de classe média não conseguimos apreender foram as necessidades da população. Não vivenciamos a realidade de nossos alunos fora de aula, poucos são os que o fazem.

O que conseguimos transmitir aos nossos alunos não os prepara para o mundo real, não repassamos o conhecimento necessário para que tenham o discernimento de lutar pelas suas necessidades e anseios, que o que está por vir é politicamente incerto e desastroso.

Não conseguimos ensinar que eles seriam os mais prejudicados com a ascensão da extrema-direita, porque para quem é rico essa eleição não fará a menor diferença, mas eles terão seus direitos ameaçados.

Façamos a nossa autocrítica!

Política – a minha ótica

Sempre fui servidora pública, por gostar das políticas sociais e de desenvolvimento, tenho 55 anos e há 45 acompanho a política brasileira.

Sim, comecei mais ou menos com 10 anos a ter noções sobre o que era a vida partidária. Era comum em casa se discutir política. Numa família em que de um lado havia os conservadores e de outro os questionadores, ambos disputavam as urnas.

Minha formação e consciência política começava assim. Além dos livros que meu tio Paulo seguidamente me emprestava.

Sou absurdamente defensora da democracia, vivi o regime de repressão e a redemocratização de nosso Brasil.

Tenho uma percepção que até hoje o que nos falta é memória, pois políticos da minha infância continuam no cenário nacional, mesmo acusados, alguns julgados e condenados, sendo votados eleição após eleição.

O que deve mudar?! Com certeza o nosso voto, nós a chamada população brasileira! Se eles não mudam, podemos mudar a posição que eles ocupam, trocar a pessoa que estará lá nas próximas legislaturas e no executivo.

Mas cuidado, estamos lidando com o nosso futuro, não jogue esta oportunidade no lixo, sequer faça dela uma aventura. O seu voto junto com os demais podem mudar o nosso país. Vamos renovar.

Pense no país que você quer, deixe de pensar só nos seus interesses!

Eu votarei em mulheres, por quê?! Não me acho representada, os homens que fazem as políticas para as mulheres, eu te pergunto, o seu namorado, marido, irmãos te entendem?! É fácil achar o porquê. Além do mais somos 52% da população e 10% no Congresso, continha que não fecha essa.

Também não acredito em quem só fala, vive da política, virou um profissional dela, com salário garantido no final do mês, e, na real, nunca fez nada para melhorar a vida dos brasileiros, não vai ser agora que irá fazer.

É isso, não vou me furtar, vou votar, vou mudar para a política que quero ver ser implementada…

Desabafo político

Sou mulher de caminhoneiro e a única coisa que percebi foi que o diesel subiu nos postos de combustível, desde o início desta greve.

Outra coisa que acho seríssima: cortar os gastos nas áreas sociais para subsidiar, na verdade, as grandes transportadoras e não o caminhoneiro de ponta, o autônomo, aquele que luta dia a dia para manter o sustento da sua família.

O movimento teve muito caminhoneiro que precisa de um preço mais baixo de combustível, o que aconteceu foi muito mais um locaute, manipulado pelos empresários da área de transporte.

Meu marido chega a trabalhar 16h, num único dia. É uma vida difícil, estradas péssimas, insegurança nas estradas, roubo de caminhão, mortes por acidente, tudo para cumprir uma agenda e conseguir lucrar alguma coisa no final do dia.

O diesel é um combustível altamente poluente, e até hoje temos nas concessionárias caminhonetes a diesel, que as pessoas compram para circular na cidade.

Gente está tudo errado!

Governo fraco que não sabe negociar, que permitiu abusos de toda ordem. População egocêntrica que tentou passar a perna no outro que também é brasileiro, furando fila, aumentando o preço, sem nenhuma solidariedade às dificuldades que estavam acontecendo, porque o seu umbigo vem em primeiro lugar.

E agora vem cortar as verbas sociais do SUS, violência contra mulher, saneamento básico, educação, para cobrir subsídio?! Não concordo, é um absurdo.

A população deu apoio ao movimento dos caminhoneiros, porque está cheia dos desmandos, da corrupção, do desvio de verbas, principalmente para os bolsos dos políticos, chega!

Senhores políticos que tal começar a cortar na própria carne? Começando pelas verbas gigantescas do legislativo, do Judiciário, e dos ministérios excedentes, dos inúmeros cargos preenchidos pelos afiliados dos políticos, que não estão lá para servir ao público, apenas para garantir mais verbas ao seu padrinho.

Não existe milagre, salvador da pátria, discurso vazio, não acredito em quem tem mais de 30 anos de congresso e nunca tentou fazer nada, não acredito nos políticos que estão aí e que fizeram uma reforma política apenas para se perpetuarem onde estão.

O Brasil precisa de um projeto sério de governo, de programas sociais que permitam que a população possa ser empregada, ter a sua própria renda, que os tributos sejam revertidos para população em educação e saúde e demais necessidades.

Não é se perpetuando no poder de uma forma ou outra e colocando toda a família na política que vamos conseguir sair de um futuro caos.

A reforma política só serviu para que os atuais políticos possam ainda se beneficiar das verbas públicas e se reelegerem. Manter seus feudos, que é a melhor expressão da nossa política atual.

Sei que este texto vai desagradar várias pessoas, mas sou cientista política e não posso assistir tudo que vem acontecendo e continuar calada.

Vocês realmente acreditam em milagre, em mitos?!

Vamos deixar de ser marionetes, está mais do que na hora de assumir o comando do nosso futuro.

Espinha na garganta

Gosto de parar pra conversar com a minha neta mais velha por telefone.

Ela já está na universidade, é uma das pessoas mais inteligentes e carinhosas que eu conheço.

Sempre que podemos tiramos um tempinho para um almoço avó e neta, mas a universidade agora a ocupa bem mais, requer mais dedicação aos estudos intensos, foi um semestre difícil, muito diferente do segundo grau.

A universidade tem seus meandros que só um semestre surrado para nos ensinar a adaptação.

Mas a pauta não é ela e sim a conversa que tivemos. Para mim foi muito importante, com ela eu me sinto à vontade de falar dos meus sentimentos mais recônditos.

Nessa conversa me dei conta da espinha que tenho atualmente atravessada na garganta. E me vi falando de uma tristeza que tenho carregado comigo.

Eu já falei anteriormente que eu sou cientista política e atualmente eu sequer consigo falar em política.

Quando eu procurei um curso nas ciências sociais e humanas eu estava numa fase em que pensava que poderia mudar o mundo, como todo jovem.

Agora me vejo reavaliando todo um caminho, a minha trajetória, de vida dedicada às políticas públicas e me pergunto porque estamos onde estamos.

Eu não tem uma resposta,  eu não consigo achar uma resposta, eu não consigo falar de política, porque o que está aí não é política é politicagem, é oportunismo.

Eu espero que um dia eu consiga voltar a discutir políticas públicas e não ouvir sobre corrupção, desvio de verbas públicas, trocas de favores, troca de recursos públicos por voto.

Para quem sempre se preocupou com a fome, com que cada brasileiro tivesse um prato de comida na mesa, que tivesse uma educação decente e saúde de qualidade, este é um momento de profunda tristeza com Brasil.

Eu tive uma formação humanista, não acredito nessa sociedade que se só se importa com o próprio umbigo, sem enxergar o seu semelhante, não acredito no ter em detrimento do ser. Isso nunca vai transformar o Brasil em  um país melhor.

Mas se tem uma coisa que eu não acredito, e o Brasil já nos provou isso em outras eleições, é em salvadores da Pátria, isso não existe, o que existe é uma população educada e comprometida com futuro do seu país, não oportunistas de plantão.

Não existe atualmente a possibilidade de se discutir política, virou agressão gratuita, não pergunto sobre a tendência política, eu tenho a minha, e vou respeitar o que vier nas eleições, talvez só não continue por aqui, porque não existe milagre.

O que me interessa é voto consciente. Conheça a plataforma da pessoa em que você vai votar, a história de vida dessa pessoa, não se deixe levar por discurso vazio.

Viver de política e não para a política, essa é a realidade de quem vive se reelegendo, salário fácil, pouco trabalho, por vezes 2 projetos em 3 décadas.

Não existe salvação sem investimento em educação, sem mexer nas estruturas sociais. Tem que haver um comprometimento com educação, com saneamento básico.

Eu fui professora, não vejo futuro para o Brasil sem investimento em educação básica e nos demais níveis, sem investimento em pesquisa, nós estamos exportando os nossos melhores valores.

Estamos numa crise de falta de diálogo, discurso vazio, sem projeto de trabalho.

Afundamos tanto que não será fácil vir a tona. E nós, brasileiros, temos que nos comprometer com o projeto que queremos de país e não esperar que alguém tome o timão das nossas mãos e faça o projeto de Brasil dele, não nosso.

De qualquer forma, independente da escolha, quem vai pagar as consequências seremos nós. O povo americano já está pagando…

Fronteiras humanas

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Eu me formei em História, aliás primeiro fiz Estudo Sociais, depois História. Fui então fazer pós-graduação em educação, não completei, segui para Ciência Política.

Estudando nesses cursos, me chamou atenção os vários porquês do ser humano procurar o conflito, guerrear…

Nós humanos estabelecemos fronteiras, sejam de nacionalidade, crença, ideologia e eu me pergunto muito, qual o sentido disso?!

Porque alguns aspectos da vida humana nos fazem brigar, ter raiva um do outro, nos fazem estabelecer fronteiras humanas?!

Falamos línguas diferentes, temos peculiaridades diferentes e aspectos de vida diferentes, mas por que isso precisa ser a causa de batalhas, de uma guerra?! Pior, sempre foi assim…

Será que em algum dia vamos parar de achar motivos para superar nossos conflitos, não entrar em guerra, sair do desacordo?!

Sempre que viramos um ano tenho certeza que isso faz parte de nossos pedidos, a paz entre os povos. Então porque continuamos discutindo sobre religião, futebol e política mesmo?!

Lá se vai ano a ano, quando vem outro novo, teremos, certamente, esperanças renovadas!

Quantas guerras externas temos no atual momento? Quantos conflitos internos estamos enfrentando? O que nos faz mais beligerantes do que pacifistas?

As perguntas que nunca silenciam…

Mas que m…

Olha eu tenho procurado falar sobre coisas positivas, até porque eu acho muito melhor falar sobre coisas boas, do que aquelas que nos trazem desgosto, mas tem sido difícil!

Ontem mesmo eu soube de um atentado na Somália matou mais de 300 pessoas, gente que horror!

De dia na Câmara os discursos dos deputados defendendo o indefensável, como se acreditassem na sua própria fala, claro que não estavam recebendo nenhuma emenda por isso…

Aí a noite o Senado aprova a volta do Aécio, que todos nós sabemos que não é um santo, muito longe disso, muito dos votos de colegas que também estão sendo investigados.

Os nossos políticos, que deveriam ser os nossos representantes, estão pouco se lixando para a população brasileira, só querendo mesmo salvaguardar o deles e encher o próprio bolso . Estou indignada!

E aí como se escreve alguma coisa positiva?!

Estou procurando por aí e por aqui minha gente, não desisti!

Um ótimo dia para vocês!

Colarinho branco

Pra mim o pior crime é o do colarinho branco, porque mata mais. Mata em grande escala.

Massa de manobra é isso que nós brasileiros somos para os colarinhos brancos.

Enquanto nós discutimos de que lados estamos, eles roubam. São empresários e políticos chafurdados na lama.

Eu não queria ficar tão indignada, revoltada com a classe política brasileira, aquela que deveria nos representar, mas depois da descoberta de um apartamento de dinheiro, e tantos outros desvios, é muito difícil não pensar nisso.

Não pensar em todas as crianças que ficam sem merendas, no caos da saúde pública abandonada, a insegurança que é a atual segurança pública.

Gente o que é isso?! O que que estão fazendo?! Há um assalto ao Brasil dia após dia, e nós que temos simplesmente achar bom pagar impostos e ainda por cima ter que aturar a cara dessa gente discursando. É isso que nos restou?!

A corrupção tira o que há de melhor no nosso país, a esperança.

Ela não existe em um só partido, ela permeia os partidos, independente de credo, raça, religião, independente de que lado você está, a corrupção está lá também, salvo alguns políticos e talvez dois partidos dos mais de 30 que nós temos no Brasil.

Então, aqui eu não vou apontar o dedo pra A ou B, não vou discutir política partidária, esse não é o objetivo, meu objetivo é me indignar, me revoltar como brasileira contra a estupidez que é o desvio de recursos públicos no Brasil.

Todos os dias eles nos tiram a crença de que o nosso país tem futuro, temos tudo pra ser grande, não temos tragédias naturais, a nossa natureza é riquíssima.

Também acho que nós somos muito ausentes, como cidadãos, olha eu sou formada em ciência política e me acho ausente, faço a minha auto crítica.

É triste ver meu país entregue às quadrilhas.

O crime organizado tomou conta do Brasil e da política ele convive lado a lado conosco.

“Transformam um país inteiro num puteiro…”