Reflexões no isolamento pelo COVID-19

Texto longo, cheio de divagações…

É uma época de profunda reflexão de vida e conscientização, aceitação do que é possível e o que nunca mais estará ao nosso alcance… Época de aprender a conviver com a impotência.

Uma situação muito difícil a que vivemos, momento que proporciona uma análise e revisão de vida…

As digressões tomam conta dos pensamentos. Pondero sobre os possíveis cenários num futuro próximo.

Eu moro longe da minha mãe, hoje com quase 95 anos. Ela precisa de cuidados especiais e está num lar geriátrico maravilhoso, com outras dez senhoras.

Lá é cuidada carinhosamente, convive com as coleguinhas e gosta de viver ali.

Sempre estou lá no final maio, nós duas e a minha cunhada fazemos aniversário neste mês, gosto de passar com elas. Faço uma festinha para a mãe, o que não vai acontecer este ano, as visitas estão proibidas para protegê-las e eu não posso sair do meu isolamento, por ser imunodeficiente.

A nossa mente, em épocas de distanciamento social, também nos coloca a realidade nua e crua, os pés no chão e a impotência, frente a essa nova realidade.

Não sei o que vai acontecer, ainda verei minha mãe em vida?! Tem a dificuldade de chegar a Pelotas, por enquanto tenho tentado aceitar isso, mas uma coisa é a teoria, outra a prática.

Outra é, como estruturar a prática daquilo que não conseguiremos atender?! Só restou a mim de filha, eu quase morri antes dela, então tive que montar toda uma estrutura de atendimento, mesmo que eu não estivesse mais presente.

Tenho pensado na vida, evitando me angustiar, tentado fazer um planejamento dos cenários possíveis, porque não tenho o controle desta situação, mas posso torná-la mais confortável para todos.

Faz parte da minha personalidade tentar construir os cenários possíveis e fazer os planejamentos necessários. Essa foi praticamente a minha história de vida.

Acredito que, o fato de ter que lidar com a morte muito cedo, perdi meu pai com 10 anos, uma filha, muita gente amada, por fim meu irmão e também os meus problemas, me trouxe uma aceitação e normalidade diferentes de outras pessoas sobre esse assunto, falo sobre isso naturalmente, a morte já quase me pegou 3 vezes.

Cada pessoa tem uma jornada própria, eu tive que domar a minha. Muitas vezes tive que tomar as decisões dolorosas e práticas na família, deixando o sentimento escorrer por dentro, para dar apoio por fora.

O que tenho feito é me adaptar, apesar de conviver, com doenças sérias, elas nunca impactaram o modo desejado de viver, mas, há algum tempo, tenho sofrido consequências que vão me limitando fisicamente.

Então, antes do coronavírus, já estava com uma vida social mais restrita, porém fiz várias adaptações, para poder fazer o que para mim é importante. A tecnologia foi minha auxiliar constante, supera minhas limitações físicas.

Não uso mais o teclado, uso a voz para escrever, ou pelo celular ou notebook, diminuindo as dores das mãos. Faço quase tudo pela internet ou pelas redes sociais, elas ampliaram as minhas possibilidades.

Sou super resiliente, sempre convivi com as minhas imperfeições e deficiências, sem perda de qualidade de vida.

Ficar afastada da família, com risco real imediato, me traz diferentes dimensões, uma de organização, outra de reavaliação do que realmente importa.

Sim! Temos a possibilidade de dar a precedência ao que importa.

Em 2019, resolvi fazer uma pós graduação em Psicologia Positiva e vários cursos de extensão EAD. Buscar novos conhecimentos é uma das minhas escolhas prediletas, em momentos limitantes.

Sábia decisão, em um momento que sequer imaginava o quanto esses ensinamentos me seriam úteis e me trariam conforto pessoal. 

Minha busca vai além de adquirir conhecimento, é a busca de um novo propósito também.

Estou me preparando para esse incerto futuro, mais uma vez, avaliando os possíveis cenários, ainda sem qualquer perspectiva, apenas tentando ser resiliente, de novo.

O que você faria?!

O que você faria se recebesse essa notícia: seu corpo pode falhar a qualquer momento, não tem prazo, nem data, pode ser amanhã ou daqui a de 20 anos. Mas pode ser amanhã…

Correria para realizar um grande sonho, se reuniria mais com a família, continuaria vivendo a mesma vida ou mudaria radicalmente a atual?!

Confesso que eu não sei o que eu faria, na iminência de partir…

Após o acidente da Chapecoense, o jornalista sobrevivente, Rafael Henzel, escreveu o livro Viva Como Se Estivesse de Partida. Foi o que ele fez, até a sua morte prematura na semana passada, aos 45 anos. “Jamais havia tido noção do que é o tempo... Hoje eu uso meu tempo com as coisas que me dão prazer.

Desde que nascemos, temos data, prazo de “validade”, só não sabemos quando esse prazo se finda.

Então, porque não decidimos fazer com que a nossa vida seja produtiva sabendo disso?!Não falo em ganhar dinheiro, fazer fortuna (se isso lhe satisfaz, vá em frente). Falo das nossas relações de amor ao outro, da amizade, da família. Falo em amor e em amar e ser a melhor pessoa que se puder ser.

Uma coisa que as últimas eleições me mostraram, é que, podemos ser as piores pessoas que temos dentro de nós mesmos. Eu não entendo isso, eu não consigo entender a opção pelo ódio. É subumanidade.

O ser humano está longe de ser construtivo. Nas nossas relações disputamos espaços, não respeitamos as diferenças, sujamos o mundo, não sabemos viver em sociedade e queremos ter ganhos em cima do sofrimento e da necessidade alheia.

Temos ensinado mais a odiar do que a amar. Porque armamos ao invés de amarmos?!

Deixo duas perguntas para vocês. O que você faria se soubesse que o seu tempo está se encerrando?! Qual a herança que você vai deixar aqui na terra?!

No próximo ano eu vou…

Se eu pudesse dar um conselho sobre o novo ano pra vocês, eu diria não adiem o seus sonhos, projetos e planos.

Verifiquem o que é realmente importante e relevante para a sua vida e façam disso o maior sonho a conquistar, invistam nesse projeto.

Eu não estou falando só de coisas materiais, também estou falando de vontades, desejos, sejam eles ter um filho, ser voluntário, ter um negócio próprio, um carro, ou fazer a viagem dos sonhos, ou conhecer um parente interessante, ou fazer uma grande amizade, de um grande ou simples desejo.

Se prepare, se organize e vá viver a vida, invista em você ano que vem, seja feliz!

Porque o mundo e a vida se vive no presente, não na saudade do passado, nem na angústia do futuro.

Pense no seu Feliz Ano Novo, ele está logo ali!

A dita independência financeira

Parece que, enquanto somos crianças e frequentamos a escola, não fica claro como nos preparam para a correria que será a nossa vida.

Assim, quando você acabar o segundo grau vai ter que sair correndo, ou fazer um curso superior, ou ir para um curso técnico, ou enfim trabalhar.

Nunca mais vai realmente vai descansar até que consiga dinheiro para comprar o que você sonhou.

Se conseguir esse dinheiro, ele nunca será suficiente, porque sempre queremos mais alguma coisa, na educação de consumo.

Sempre corremos atrás de ter uma independência financeira, de poder comprar as coisas que a vida inteira desejamos, porém não tínhamos dinheiro para ter.

E, finalmente, quando tivermos, como será a primeira sensação depois da compra, provavelmente uma gostosa. É a satisfação de uma grande conquista.

É um pequeno prazer, vibramos interiormente, por ter em mãos algo tão desejado que antes nunca não havia a possibilidade comprar.

Quando nos damos conta, a vida passou.

O que que realmente aproveitamos de toda essa corrida atrás de bens e dinheiro que fizemos?! O que temos pra contar da nossa vida?! O que usufruímos efetivamente dela?! E os nossos filhos, o que tem a nos dizer sobre o tempo que passaram conosco?!

Acho que essas são as perguntas que realmente importam, o que fizemos da nossa vida?!

Se a resposta for boa, parabéns você conseguiu se equilibrar entre ter, ser e viver!

Imaginação

O que seria de nós sem a nossa imaginação, como seria nossa vida sem sonhar, sem projetar?!

Todo grande projeto sempre se iniciou com um sonho, com uma imaginação muito fértil.

Eu percebo que pessoas com uma imaginação rica, crianças com uma imaginação fértil produzem mais, são mais ativas, querem construir coisas, desenham, parecem ser muito mais alegres do que aquelas que vivem uma vidinha sem muitos recursos imaginários.

Mas também vejo uma questão bem antagônica nisso quando se projeta muitos e sonha muito o quanto de frustração não haverá na nossa vida?! Como aliar o sonhar com o fazer??

Acho que eu gosto tanto de artesanato por isso, porque ali tem uma pessoa que sonha, que constrói o sonho, ninguém fez antes dela, da maneira dela, ela conseguiu concretizar um pedaço da sua imaginação, E a imaginação e o criar de cada pessoa é único.

A minha capacidade de imaginação vem das palavras, montar uma palavrinha atrás da outra e formar um texto, eu sempre me expressei através das minhas palavras.

Eu também sonho muito, não estou falando do sonho de fechar os olhos e dormir e sonhar, estou falando dos projetos dentro da minha cabeça, eles sempre me proporcionaram crescer, saber onde eu queria chegar, o que eu queria fazer no futuro. Eu gosto de imaginar para construir, para alcançar os meus objetivos.

Foi assim quando eu conheci Brasília, pensei quero morar aqui, e aí eu fui construindo na minha cabeça como eu iria fazer para morar naquele lugar, descobri o mestrado, uni a vontade de estudar e a possibilidade de morar em Brasília. Assim eu cheguei em Brasília!

Depois veio a vontade de conhecer Portugal. Já falei num texto passado que eu comprei um guia turístico, olhei muito aquele guia, por 10 anos, até que eu concretizei a minha viagem e fui pra Lisboa.

Assim é a vida gente, imagine, sonhe, porém não deixe de concretizar, faça com que o seu sonho vire uma realidade, um momento de felicidade.

Pode ser escrevendo uma história, fazendo uma nova receita, criando um artesanato, criando uma peça de roupa, customizando uma camiseta. Quando nós criamos nós colocamos a nossa vida em ação e a nossa imaginação sempre pode virar realidade.

Princesa Diana

Ainda lembro nitidamente a madrugada em que ela se casou. Eu fique acordada só pra assistir o casamento na Inglaterra. A transmissão foi de madrugada, eu vi numa televisão preta e branca, estava na praia, não lembro porque estava lá, no laranjal, e o casamento foi lindo.

O vestido dela acabou ditando moda, todas as noivas daquela década praticamente se casaram com mangas bufantes.

Sempre fui uma fã da pessoa, da postura, mas ela tinha um olhar muito triste. Mesmo no casamento eu achei que olhar dela estava triste, anos depois eu soube que ela tinha visto dentro da igreja a amante do marido.

Não deve ter sido nada fácil ser da realeza, ter tantos compromissos, ter todas aquelas regras a serem seguidas, viver dentro de Palácio cheio de etiqueta e ser perseguida por paparazzi a vida inteira.

Acho que ela foi muito mais feliz depois que se separou e nobremente deu um rumo a sua vida nas campanhas e luta contra a Aids e contra as minas terrestres, aí sim eu acredito que sua vida teve sentido.

Todas nós vivemos um pouco a vida da lady Dy, suas alegrias, a sua maternidade, as suas desilusões. Todas nós sempre tivemos um pouco do sonho da princesa, mas vimos o sonho dela virar pó e sofremos também com isso. Então assistimos a fênix renascer das cinzas e isso renovou nossas esperanças a felicidade.

Senti muito a sua morte achei injusta, no momento em que ela parecia estar feliz, lutando pelos seus objetivos.

Ela foi um símbolo pra todas nós, que espelhávamos nela e na sua juventude os nossos sonhos.

Mais da metade já passou

paraquedas_parabens

E a caminhada até aqui foi longa, muitos trajetos percorridos, alguns retos, outros tortuosos, mas cheguei.

Estava pensando a pouco nos sonhos que não se concretizaram, não sou frustrada porque realizei outros tantos, mas fica aquele restinho de tristeza por não ter feito mais. Parece um contrassenso, porque acho que fiz muita coisa mesmo, até pular de paraquedas, um luxo!

As vezes acho que o que bate mesmo é uma certa melancolia da idade, sabemos que já dobramos o cabo da boa esperança, que o tempo não volta e que já se foi a maior parte de nossa vida neste planeta.

Portanto, acho mesmo que devemos valorizar o caminho que já percorremos e o tempo que teremos para fazer o resto de nossa estrada.

Se quer dançar, dance, vai ao cinema quando desejar, coma aquele doce que você tanto gosta, faz pipoca pra ver TV, sei lá, não fica adiando planos, mesmo que seja o mais simples.

Isso vale para os pedidos de desculpas que não fez, aquela declaração que não disse, aquela visita que você vive adiando.

Gente, vá viver a vida!

Casa de alemã

Casa de alemã, é assim que uma amiga, dona de antiquário, fala da minha. Isso porque amo porcelana, como não tenho espaço, coleciono xícaras de cafezinho, lindas. Todas elas porcelana antiga, cheias de histórias, que desconheço.

Minha pequena cristaleira não sabe mais como acolher mais uma rsrsrs…

Quando criança gostava de abrir o armário da minha mãe e admirar, de longe, a louça ali guardada, muitas herança da minha avó paterna. Sim, era de muito longe, nenhuma mãozinha podia triscar por ali, então abria a porta e ficava namorando.

Dessas poucas coisas sobraram, eu mudei para Brasília, deixei o sul e tudo o mais ficou para trás. Mas as lembranças não!

Então, quando a Silvia abriu o antiquário, resolvi voltar no tempo e concretizar um sonho, decorar minha casa com louças, como minhas avós faziam.

Gente, elas são um sonho de lindas, minha paixão!

Lisboa, um amor antigo

Lisboa - ultimo dia_choro

O que dizer de um lugar que você chora ao pisar, como se estivesse voltando depois de anos de saudade?!

Foi essa a emoção que senti ao chegar em Lisboa, estava voltando para a minha terra…

Planejei essa viagem por 10 anos. Comprei um guia de turismo, ainda em papel e fui lendo, sem ter a idéia de quando iria realizar esse meu sonho. Sabia que um dia essa expectativa iria se concretizar, isso eu tinha certeza!

Fiz essa viagem com duas grandes amigas, que me ajudaram a materializar um pensamento acalentado por muitos anos.

Já fui duas vezes a Portugal, por mim iria mais e outra vez, e de novo e novamente. Sem nunca cansar do meu lugar mágico.

Te convido a concretizar os teus sonhos… Vamos juntos?!