Sobre racismo… Pelotas

Nasci numa cidade que tem uma histórias escravocrata. A mão-de-obra negra escravizada era usada nas Charqueadas. Pelotas sempre foi, a meu ver, extremamente racista.

Na minha cidade pessoas de cor eram proibidas de frequentar os clubes das pessoas brancas, até o final da minha juventude. Confesso que não sei quando isso mudou, não encontrei alguma fonte que contivesse essa informação.

Os brancos tinham os seus clubes, o Diamantinos, o Comercial, o Caixeiral e o Brilhantes, os negros tinham os seus, Depois da Chuva, o Chove Não Molha e o Fica Ahí P’ra Ir Dizendo.

Uma coisa me causa espécie até hoje, não sei o porquê da escolha, mas o nome do clube “Fica Ahí P’ra Ir Dizendo”(1921), sempre me pareceu um muro que dizia, fica por aí que não te queremos aqui. O Clube é conhecido apenas por Fica Aí. Entendo que esta é uma interpretação minha.

Talvez a intenção tenha sido outra, mas como nasci numa cidade racista, isso ainda me causa um grande impacto. A partir daí comecei a estudar a origem do nome, que foi sugerido por um de seus criadores. Li vários artigos e algumas obras sobre as agregações e o associativismo negro em Pelotas.

Na minha infância e juventude os brancos podiam frequentar o clube dos negros, inclusive podiam ser sócios, porém não permitiam a entrada deles nos seus clubes. Isso sempre me causou inúmeros questionamentos, que se tornaram mais agudos depois de minha mudança de cidade.

Quem estuda a história dos negros, que começaram a residir em Pelotas, pelos nos anos de 1700, como escravos, verifica o abismo educacional e sócio-econômico existente até hoje, fruto de um racismo velado na região, que se confunde com a pobreza.

Não sou uma profunda conhecedora do assunto, meus questionamentos me levam aos textos que busco para um entendimento.

Para quem quiser se informar mais sobre essa história, sugiro as obras da Dra. Beatriz Ana Loner e da Mestre Jocelem Mariza Soares Fernandes Ribeiro.


25 de novembro como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher

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Me sinto sufocada, é isso, quando a violência me atingiu, minha amiga-irmã se foi, desapareceu,  fiquei completamente impotente, durante um ano virei um zumbi. Continuei fazendo tudo como antes, trabalhando, vivendo, mas no automático, aí resolvi fazer a única coisa que me restou, escrever sobre ela e nunca deixar que ela e a sua trajetória fossem esquecidas.

Todo mês de novembro tento lembrar a todas as pessoas que a violência contra a mulher pode bater a sua porta, sem mais nem menos.

Dia 9 de abril de 2019 fará 4 anos do desaparecimento da Cláudia Hartleben, de dentro de casa, sem nenhuma materialidade que possa levar alguma pessoa a julgamento. A polícia e a promotoria tratam o caso como assassinato, tudo ficou intacto.

A Cláudia era Médica Veterinária, Mestre em Medicina Veterinária e Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Professora Adjunta do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTEC/UFPEL) onde atuava nos cursos de Graduação em Biotecnologia, Pós-Graduação em Biotecnologia/UFPel e Pós-Graduação em Parasitologia/UFPel. Liderava o grupo de pesquisa em Imunodiagnóstico, onde buscava o desenvolvimento tecnológico em geração de produtos e processos inovadores aplicados ao diagnóstico de enfermidades humanas e dos animais. Presidente da Comissão Interna de Biossegurança (UFPel) e Membro da Comissão de Ética em Experimentação Animal (UFPel). Integrante dos colegiados de curso de Graduação e Pós-Graduação em Biotecnologia. Ministrava aulas nas disciplinas de Biossegurança, Microbiologia e Imunodiagnóstico. Tinha experiência na área de Microbiologia e Imunologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: Produção de Anticorpos Monoclonais e Desenvolvimento de Testes de Diagnóstico. Era reconhecida mundialmente, apresentou trabalhos na Argentina, Espanha, Alemanha.

Todo esse currículo não impediu que ela sofresse violência doméstica e, por fim, fosse vítima de desaparecimento.

Este ano foi criado o Troféu Cláudia Pinho Hartleben, durante a premiação da sétima Feira de Ciências, do Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça, do IFSul, em Pelotas, uma memória eternizada,  na merecida homenagem a uma professora e pesquisadora excepcionais!

Dia 25 de novembro me divido entre a alegria do aniversário da minha neta e um dia marcado, em mim, como mais uma data sobre a Cláudia e a violência que a atingiu. A injustiça de terem ceifado a sua vida, que tanto prometia ainda, num momento de extrema felicidade dela, porque uma pessoa frustrada não conseguiu suportar a sua alegria e vitoriosa carreira.

 

 

Os doces de Pelotas – Iphan

 

Uma coisa de que sempre me orgulhei em Pelotas foram os doces, os portugueses (ovos), os franceses (frutas em passas e cristalizadas) e os alemães (geléias e docesde frutas) todos com uma qualidade inigualável.

Agora essas Tradições Doceiras de Pelotas se tornaram patrimônio imaterial; o IPHAN aprovou que as Tradições Doceiras de Pelotas e Antiga Pelotas sejam reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

No mesmo dia, 15 de maio, o Conjunto Histórico de Pelotas (RS) foi tombado. São eles, as praças, José Bonifácio, Coronel Pedro Osório, Piratinino de Almeida, Cipriano Barcelos e o Parque Dom Antônio Zattera, bem como, a Charqueada São João e a Chácara da Baronesa são reconhecidas como Patrimônio Cultural Brasileiro.

Nunca entendi o porquê de Pelotas não ser um polo turístico no Rio Grande do Sul, minha cidade é muito bonita. E seu patrimônio está se deteriorando rapidamente.

Temos a Fenadoce, em junho, no inverno, uma festa belíssima, onde se pode provar o que há de melhor dos nossos doces. Como crítica construtiva aos organizadores penso que devam melhorar e muito o estacionamento do local, que vive cheio de barro.

Estou aqui falando de novo da minha cidade, amanhã estarei lá, para o aniversário da minha mãe e da minha cunhada.

Vou provar um patrimônio imaterial desses da foto, sendo imaterial não deve engordar, não acham?!

 

Pelotas

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Pelotas é uma cidade linda como diz uma amiga, a pequena Paris, mas muito mal valorizada no seu aspecto turístico. Eu particularmente não entendo como faz tão pouco sucesso, parece com Paris, com Buenos Aires, com a parte antiga de Montevidéu.

Possui uma praia, na lagoa dos Patos, o laranjal, que é um dos lugares mais bonitos onde eu já vivi e, mesmo tendo viajado, para mim, é um dos lugares mais marcantes, com pôr-do-sol lindíssimo, nascer do sol mais bonito ainda, quando o luar brilha prateando a lagoa é uma coisa fantástica.

Eu poderia ficar aqui falando sobre os aspectos turísticos de Pelotas, mas não é isso que eu quero abordar hoje.

Estou voltando pra lá na em breve. Apesar de ser consciente da beleza da minha cidade, não é um lugar para onde eu gosto de voltar. Para mim é o local onde eu comecei a perder os meus queridos, pessoas com quem eu convivi e a quem amei e que não estão mais comigo, ou que em breve partirão. Conforme me aproximo da cidade o coração vai apertando.

Já estive lá a passeio, junto com o meu marido, que foi para conhecer, isso ajudou bastante a segurar a minha onda.

Quando retorno sozinha, com para ver minha mãe idosa e doente, sempre fica mais difícil, as decisões sempre acabo tendo que tomar sozinha, pesa.

Peço aos céus que sempre me orientem e me guiem, nessa viagem, na vida e, principalmente, em Pelotas.

Sob a luz do luar

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Uma das minhas lembranças mais lindas, sou fascinada pela lua, é o nascimento dela de dentro da Lagoa dos Patos. Enorme, gigante, prateando as águas com a sua luz.

Meu interior se enche de poesia, não sei explicar o que acontece, mas me percebo apaixonada por essa bola prata toda vez que a vejo no céu, e o reflexo dentro da lagoa potencializa esse sentimento. Sempre tento fotografar, mas não chega nem perto do visual.

Minhas luas mais lindas vi no Laranjal, praia de lagoa de Pelotas, assim também o nascimento e o pôr – do – sol, inexplicável a beleza da Lagoa dos Patos nessas ocasiões. Se pudesse mostrar minhas lembranças para vocês tenho certeza que concordariam.

Me digam, qual é o luar mais marcante da sua vida?!

Vai um cafezinho aí?!

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Gente eu amo café, mas o meu amar vai um pouco além de gostar de tomar rsrsrsrs. Resolvi ler sobre café,  fiz um curso de barista, por fim abri uma cafeteria, faz tempo.

Não tenho mais a cafeteria, passei adiante, descobri que gosto mesmo é de servir um bom café, vender não é a minha praia.

Hoje resumo essa paixão da seguinte forma: tenho uma boa cafeteira em casa, compro um bom café em grão, que moo em casa e coo o café na hora de tomar. O curso de barista fez isso comigo, me fez gostar da qualidade…

Ao contrário do que é dito, um bom café pode fazer bem à saúde.  Um café feito e tomado na hora está livre de boa parte da cafeína, um espresso (com S mesmo, café feito na hora, como significa na Itália) é melhor ainda, cheio de óleos essenciais, muito benéficos.

Nasci numa cidade onde a maioria das pessoas toma uma bebida chamada essência, eu explico, coa-se um café super forte, se guarda numa garrafinha e vai acrescentando a mesma na xícara com água quente quando se quer tomar um café.

Outra opção comum em Pelotas é o café solúvel. Eu particularmente não gosto de nenhuma dessas opções.

Também em Pelotas existe o café Aquarios, antigo reduto machista, onde a maioria dos homens se reúne até hoje para tomar café e discutir todos os assuntos possíveis. Hoje em dia é mais frequente a presença das mulheres. Lá se toma uma opção melhor à essência e ao solúvel, café da hora.

De uns tempos para cá chegaram os espressos. Tem uns bem legais na cidade. Um dos melhores, o Café 35.

Já tomei muitos cafés coados, claro, até hoje tomo, se for na sua casa tomarei de bom grado. Mas toda paixão tem dessas manias, deixar na gente um traço de perfeccionismo em busca do melhor sempre.

Hoje tomo apenas 2 ou 3 cafés por dia, mas todos de qualidade, a saúde agradece!

Ótimo final de semana!