Despedida

As vezes a vida te impede de estar perto das pessoas que são importantes para você, as vezes os caminhos trilhados foram diferentes, mas o que verdadeiramente importa é que o seu coração te diz, o que realmente sente, aquilo que nunca será apagado. Independente do tempo que separou, ou da situação que afastou, o que importa é o que o seu coração te fala, e o saber do quanto aquela pessoa foi especial.

Hoje uma das pessoas especiais da minha vida se foi, eu não tenho como me despedir, mas queria registrar aqui o quanto foi presente na minha vida, independente do tempo, da distância ou dos caminhos escolhidos que nos afastaram.

Que Deus o abençoe e acolha!

Saudade (AF)

A intensidade é um momento efêmero,

A saudade é o coração que nos fala,

O afeto é a demonstração do sentimento,

É quando o coração transborda e a alma fala pelo olhar,

Tudo mais não interessa

– só mais um pouco…

Um pouco mais sentimento,

Só mais um momento junto,

Nem que seja em minha mente!

Poesia de Adrianafetter

Turbilhão (AF)

20170304_170120 (1)

Não quero essa saudade invasiva

Inexplicável, resoluta, inquietante,

Buscando em mim outro ser que não domino.

Quero de volta minha racionalidade

Inteira, absoluta

Acalmando meu corpo que deixaste latente

Espero absorver o impacto de tua passagem

Instigante, diferente

De tudo que sou, de tudo que fui

Pra retornar o eu de amanhã

Já não há volta

Há contornos, flashes

Arrepios no corpo

Frios na alma

Quem sou eu agora?

E você?

O que faz você?

Repete minha mente

Sou um pouco de você

Sou muito de mim

Sou um meio nós de amanhã.

Amanhã um novo começo.

poesia Adrianafetter (AF – 2007)

A magia dos nossos jardins

Lembro da casa em que nasci e de toda a magia que ela sempre incutiu em mim com seus cheiros e cores.

A casa em si era cinza, de cimento penteado, com janelas verdes escuras, tinha um lindo jardim e um pátio de sonhos, cheio de magias, aquelas que as mentes das crianças, ainda intocadas pelo mundo, tem.

Na frente havia uma escada de mármore branco, margeado por outro azul, lindo. Para mim os degraus eram bancos, reconfortantes depois de correr em volta da casa.

O muro tinha desenhos e recortes, era a montanha russa dos meus pés, caminhar sobre ele era uma aventura, cheia de desafios, quanto mais rápido melhor.

O jardim tinha flores de diferentes cores e aromas, na frente, bem no centro, as amarelas fortes, quase um laranja, cabos bem fininhos e altos que desafiavam a gravidade, depois as papoulas vermelhas, de pétalas tão finas e sedosas, me lembravam asas de borboletas.

A grama era entrecortada por pedras de granito. Os quadrados irregulares, faziam os caminhos a serem percorridos.

De um lado sempre bateu mais sol, porque a casa ficava mais para a direita do terreno, não foi centralizada propositadamente, para se fazer a estradinha de granito cortado até o final, onde ficava a garagem.

No muro alto que ladeava havia um roseiral, rosas grandes, rosa claro, saiam de troncos retorcidos, ali tinham uma convivência harmoniosa com as orquídeas, em sua maioria chuva de ouro e  com a hera que recobria o cimento, deixando o cinza verde.

Do outro lado, na parede mais solar, havia um canteiro cavado no solo, cujas laterais possuíam pequenas corredeiras de cimento, que escoavam as chuvas no terreno inclinado, o meu pequeno rio, onde foram depositados muitos barquinhos de papel.

Flores diversas, de muitas cores, tamanhos e variedades faziam a minha festa, margaridas, bocas -de-leão, onze horas. Lembro de uma, especialmente, cuja a seiva depositada nas pétalas era de uma doçura ímpar, intercalava o sabor com as azedinhas. Muito mais tarde alguém me falou que era tóxica, não me fez mal algum…

Ao fundo espadas de São Jorge e de Santa Bárbara ornavam as multicoloridas flores.

Do outro lado,  que deveria ser o sombrio, moravam as hortênsias, azuis, rosas e brancas, sentia ao passar o perfume que vinha do solo, cheiro de umidade e terra preta, profundo, ainda consigo lembrar de cada um dos aromas desse jardim, ficaram impregnados na minha memória.

No pátio, ao fundo, eu tinha a minha floresta particular, formada por abacateiros, limoeiros, árvores de uva japonesa, pitangueira, bergamoteiras, nêspera doces, árvore onde eu subia para ver a floresta de cima, todas frutíferas e podia ver a parreira de uvas, onde fazia o piquenique imaginário.

Havia uma escada de cimento nos fundos, alta, mais inclinada que a da frente, e outra igual entre as hortênsias.  Subir e descer era uma aventura. Mais ainda a das hortênsias cuja porta estava sempre fechada por segurança, mas para mim isso tinha todo um mistério.

Embaixo de cada escada havia uma porta que levavam às cavernas, isso no meu imaginário infantil. A da frente só era aberta vez em quando, para guardar as ferramentas do jardim, soube muito tempo mais tarde. A de trás levava ao tanque e a sala de lenha, tanto para a lareira no inverno, quanto para o fogão de ferro da cozinha.

Na  lateral a porta levava para um salão onde minha tia dava aulas de francês,  o porão, onde eu moraria após a morte do meu pai.

Vivi muitas aventuras em meu jardim, criei muitas outras imaginárias, a cada estação ele mudava, sempre havia flor brotando, frutas amadurecendo, cheiros novos no ar. Talvez ele nem fosse tão grande como eu imaginava, mas era grandioso, efervescente, vibrante e possibilitou que o meu imaginário infantil viajasse por mundos desconhecidos, me deu asas, sonhos, viagens mil.

Até hoje consigo me refugiar nele, quando preciso de calma e concentração é para lá que viajo. Essas lembranças sempre me conectam contigo, também tinhas um jardim cheio de flores, um pátio cheio de aventuras, que rica vida foi ali vivida. Quantos sonhos não podes mais viver…

Texto dedicado a Cláudia Pinho Hartleben, amiga desaparecida.

Suco de laranja

Eu chegava correndo da escola e ía para cozinha espremer as laranjas. A tarde era praticamente só o que ele conseguia engolir.

A doença já tinha tomado o corpo e ele teria pouco tempo de vida, eu não sabia. Eu não tinha a noção que era tão grave, mas fazer o suco me fazia bem.

Hoje me faz bem pensar naqueles dias e saber que pude contribuir com alguns momentos de bem estar dele.

Entregava o suco ele bebia e nós ficamos ali um do lado do outro curtindo aqueles momentos, para mim bastava ficar do lado do meu pai.

Por algum tempo depois da morte dele, quando via o carro estacionado na frente de casa, eu ainda saia correndo para espremer as laranjas, até que caiu a ficha, ele não estava mais conosco.

Meu pai sempre me proporcionou momentos muito especiais. Como ele sabia da doença dele, aos 10 anos dançou a primeira valsa comigo. Me levou de barco no meio da Lagoa para ver o nascer do sol e também me levou para ver a lua nascendo. Momentos muito marcantes, que me acompanharam pela minha vida.

Ele faleceu um mês antes do meu aniversário de 11 anos.

O texto de hoje foi triste, porque foi feito com saudades. Saudades de um tempo bom, pouco tempo, mas tenho lembranças incríveis do tempo que eu passei com meu pai.

Recordações de muito amor que ele me deu.

Parabéns pai❣️

Mais da metade já passou

paraquedas_parabens

E a caminhada até aqui foi longa, muitos trajetos percorridos, alguns retos, outros tortuosos, mas cheguei.

Estava pensando a pouco nos sonhos que não se concretizaram, não sou frustrada porque realizei outros tantos, mas fica aquele restinho de tristeza por não ter feito mais. Parece um contrassenso, porque acho que fiz muita coisa mesmo, até pular de paraquedas, um luxo!

As vezes acho que o que bate mesmo é uma certa melancolia da idade, sabemos que já dobramos o cabo da boa esperança, que o tempo não volta e que já se foi a maior parte de nossa vida neste planeta.

Portanto, acho mesmo que devemos valorizar o caminho que já percorremos e o tempo que teremos para fazer o resto de nossa estrada.

Se quer dançar, dance, vai ao cinema quando desejar, coma aquele doce que você tanto gosta, faz pipoca pra ver TV, sei lá, não fica adiando planos, mesmo que seja o mais simples.

Isso vale para os pedidos de desculpas que não fez, aquela declaração que não disse, aquela visita que você vive adiando.

Gente, vá viver a vida!

Casa de alemã

Casa de alemã, é assim que uma amiga, dona de antiquário, fala da minha. Isso porque amo porcelana, como não tenho espaço, coleciono xícaras de cafezinho, lindas. Todas elas porcelana antiga, cheias de histórias, que desconheço.

Minha pequena cristaleira não sabe mais como acolher mais uma rsrsrs…

Quando criança gostava de abrir o armário da minha mãe e admirar, de longe, a louça ali guardada, muitas herança da minha avó paterna. Sim, era de muito longe, nenhuma mãozinha podia triscar por ali, então abria a porta e ficava namorando.

Dessas poucas coisas sobraram, eu mudei para Brasília, deixei o sul e tudo o mais ficou para trás. Mas as lembranças não!

Então, quando a Silvia abriu o antiquário, resolvi voltar no tempo e concretizar um sonho, decorar minha casa com louças, como minhas avós faziam.

Gente, elas são um sonho de lindas, minha paixão!

Lisboa, um amor antigo

Lisboa - ultimo dia_choro

O que dizer de um lugar que você chora ao pisar, como se estivesse voltando depois de anos de saudade?!

Foi essa a emoção que senti ao chegar em Lisboa, estava voltando para a minha terra…

Planejei essa viagem por 10 anos. Comprei um guia de turismo, ainda em papel e fui lendo, sem ter a idéia de quando iria realizar esse meu sonho. Sabia que um dia essa expectativa iria se concretizar, isso eu tinha certeza!

Fiz essa viagem com duas grandes amigas, que me ajudaram a materializar um pensamento acalentado por muitos anos.

Já fui duas vezes a Portugal, por mim iria mais e outra vez, e de novo e novamente. Sem nunca cansar do meu lugar mágico.

Te convido a concretizar os teus sonhos… Vamos juntos?!

 

 

Tragédias pessoais


Todos nós temos as nossas tragedias pessoais, algumas menores outras não. Vou falar de uma que me atingiu na casa dos cinquenta anos, me testando a capacidade de superação no limite máximo.

Tive outras em minha vida, ainda jovem, a idade me ajudou a superar a perda do meu pai, do tio Juvenal, muitíssimo querido, da minha amada avó e de uma filha, ainda na gravidez, já adiantada, várias outras perdas, no decorrer da vida.

Mas aos cinquenta anos tudo parece ser mais lento, até a superação…

Em abril de 2015, a minha irmã de coração, amiga de uma vida, desapareceu, em Pelotas, cidade em que nasci e vivi por mais de trinta anos. Entrou em casa pela última vez na noite do dia 9. Cláudia Pinho Hartleben nunca mais seria vista!

Ainda lembro, com tristeza, do telefonema do meu filho me avisando, na madrugada do dia 11!  Sim, até a tarde do dia 10 poucos suspeitavam que ela estava desaparecida. Colegas da Universidade acharam estranho o não comparecimento dela a uma reunião, nunca faltou a um compromisso profissional, então começou a procura.

Sem saber o que fazer de longe, dediquei o meu primeiro blog para ela, hoje se chama: Para Cláudia – UMA MEMÓRIA ETERNA!

Boa parte dos meus cabelos ficou branca, um desaparecimento não é superável, nunca acaba. Apenas passei por ele e venci a depressão que começou a se instalar escrevendo sobre a Cláudia e para ela.

Ficou uma eterna saudade…

Reencontro 

IEAB

A vida nos proporciona alguns ótimos reencontros. Participo de um grupo de Whatsapp com antigos colegas de colégio, a maioria estudou junto do jardim de infância até a 8ª série em uma escola pública, aliás excelente.

Temos revivido histórias, memórias deliciosas. Essa semana, falávamos como foi boa aquela época, é uma unanimidade entre nós.  Talvez apenas uma nostálgica recordação.

Mas brincávamos na rua sem a preocupação da violência, muitos íam a pé e sozinhos para o colégio.

A nossa formação foi humanista, pautada no respeito ao próximo, à liberdade com responsabilidade e o reconhecimento dos limites. Sempre fomos avaliados a tanto por conhecimento quanto por comportamento.

Não era preciso recorrer a escola privada para ter educacao de qualidade. Escolas publicas excelentes não eram um sonho.

É para dar saudade mesmo…

Ótimo dia!