Bullying

LND_24171BFF-7457-49BF-8637-AC4796C4C469

 

Eu e o meu marido somos muito amigos, amigos de verdade, daqueles que conversam e seguram a onda um do outro, companheiros de vida.

Conversando, sobre um monte de coisas, ele me perguntou sobre a minha infância e eu respondi: era uma criança triste, solitária, é assim que lembro de mim.

Recordo que eu passava horas e horas no jardim, colhendo plantinhas, fazendo comidinha, sozinha ou na frente da televisão.

Quando não estava no jardim eu estava na casa da minha vó, na do meu irmão e cunhada, ou na escola.

Comecei ir à escola muito cedo, eu tinha três anos de idade e gostava, sempre gostei.

Ainda mantemos contato com os nossos colegas de colégio, temos um grupo. Um colega, esse ano me falou que eu era muito brava, que a minha cara estava sempre fechada. Fui olhar as minhas fotos da escola,  é verdade, mas eu não era brava, aquilo era defesa, eu vivia no meu caracol.

Eu tive alguns problemas de relacionamento na escola, mas a minha verdadeira realidade de bullying era em casa, na minha família infantil.

Eu era diferente, gordinha, cabelo preto, olhos, castanhos e muito quieta. Na minha casa, acabava sofrendo agressões de pessoas muito próximas, com a mesma idade ou um pouco mais velho. Chorava, mas não dedurava, pensava em como superar, ainda tenho marcas no corpo de algumas agressões.

A escola era um refresco. Lembro de muitas brincadeiras, de cantiga de roda, elástico, pula-pula, queimada.

Não que eu fosse completamente adaptada, gordinha, eu não era simpática, fechada, eu era considerada nerd, porém minhas lembranças são boas.

Os maiores problemas de relacionamento e rejeição vieram na pré adolescência, onde eu virei um bicho meio desengonçado, epilética, tinha convulsões dentro de sala ou no corredor da escola. Fala sério, chama a atenção de uma maneira super desagradável.

Ao mesmo tempo que colegas me restringiram, outros me abraçaram, principalmente duas grandes amigas, que guardo no meu coração com muito amor.

Lembrei de um colega que um dia chegou pra mim e me disse: não vou te convidar mais para as minhas festinhas, afinal de contas ninguém te tira pra dançar. O irreal disso tudo é que eu gostava das festinhas, mesmo não dançando, eu estava com amigos e colegas, mas ele preferiu me afastar.

Creio que a minha tristeza se tornou mais intensa porque eu perdi meu pai muito cedo, com 10 anos, e a minha pré adolescência ficou mais difícil, ele era uma fonte de carinho.

Entretanto, o que eu quero falar sobre bullying, é que o nosso maior suporte vem de dentro, do interior, dos valores que os que nos amam nos transmitem. A gente busca apoio nas pessoas próximas e amigas, sejam da família ou não, esteio naquilo tudo que se vive de bom.

Eu lia muito e via muita TV, eram um refúgio e proporcionavam muitas viagens. Até hoje eu lembro de Pollyanna e Pollyanna Moça. Por mais que esses livros sejam hoje considerados excêntricos, démodé, naquela época eles me ajudaram a procurar e encontrar o lado bom da vida.

Resolvi escrever sobre isso, bullying, pelo que está acontecendo no mundo, tem muitas pessoas criticando, apontando dedo, fazendo das palavras uma arma, principalmente nas redes sociais.

Não façam isso, repensem antes de agredir, revejam a suas posturas e palavras. Eu sempre digo que quando nós apontamos o dedo pra alguém, existem três dedos apontados para nós.

Se o silêncio é de ouro, escutar os outros é de platina! Dediquem tempo para ouvir quem vocês amam. Ouvir é necessário, crianças precisam de atenção, muito mais que presentes.

A vida está precisando de palavras doces, mais afagos, abraços, compreensão e, principalmente, de mais amigos, porque amigos nos salvam, muitas vezes.

Pode-se falar qualquer coisa,  dizer coisas duras, colocar limites, mas o importante é saber como dizer, saber como fazer a crítica construtiva, porque destruir é muito fácil, machucar, magoar é o que mais acontece.

Construir amizades, acrescentar pessoas as nossas vidas é um exercício diário de amor.

E, se tem uma coisa que esse mundo está precisando, é desse ensinamento, amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.

Ahhh, só para completar, sou uma pessoa feliz, encontrei muitas pessoas que me amaram e me amam pela vida, a quem amo eternamente.

Mê de aniversário do meu pai – feliz aniversário pai, a você o meu eterno amor!

Heliópolis, viva #EMEF !

back-to-school-2629361_1920.jpg

Sempre penso o quanto é difícil falar de coisas boas.

Vi uma matéria sobre uma escola em Heliópolis, em que os professores estão revolucionando o ensino com as crianças. Me emocionou profundamente, chorei!

É a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Campos Salles, em Heliópolis.

As crianças amam ir à escola e querem aprender mais e mais, com muito envolvimento da comunidade.

Muitas delas querem ser professores para repassar tudo que estão aprendendo com os seus mestres, que lindo!

Um dos professores da escola, Braz Nogueira, propôs essa revolução educacional, inspirado na escola portuguesa Escola da Ponte.

Lá não existe tédio para aprender, existe muita criatividade e um currículo multidisciplinar.

Também não há paredes, elas foram derrubadas, para priorizar a integração. Mas existe muito ensino e muita aprendizagem!

Esse é um exemplo de uma educação revolucionária que está acontecendo por iniciativa de um docente com o apoio da sua comunidade e muito amor de seus alunos, um exemplo a se conhecer!

Contadora de história

De repente me vi aposentada à fórceps, saíram comigo do cargo que eu ocupava há vários anos, normal, a vida tem dessas coisas.

Estava no meio da minha viagem de férias e resolvi que não pensaria nisso até voltar. Não que se consiga fazer isso completamente, mas já ter uma aposentadoria me deu certa tranquilidade, trabalhava para complementar a minha renda.

Há algum tempo já vinha me questionando sobre o que fazer depois, quando saísse do meu emprego, já que se tratava de uma assessoria e apenas um cargo de confiança. Não gostaria de parar de trabalhar. Concomitantemente, me perguntava qual seria a minha real vocação, porque no decorrer da vida nunca me senti fixada em uma só.

Multitarefa, com várias potencialidades, queria fazer alguma coisa que tivesse significado para mim e para os outros, que não entrasse em confronto com os meus valores.

Essa foto é de uma das palestras que assisti #ElaFazHistória, do Facebook, no ano passado, buscando respostas. Agora estou fazendo alguns cursos online… Neles aparece sempre uma pergunta, o que você sempre gostou de fazer?

Num desses cursos ouvi essa expressão, contador de história, me encontrei! Lembrei que no decorrer da minha vida sempre escrevi: em criança, estorinhas, na adolescência e juventude, poesias, já madura nos meus blogs. É isso!

Ainda não sei bem como transformar isso em renda complementar, estou me planejando e estou feliz, por enquanto vou escrevendo para vocês, por aqui…

Reencontro 

IEAB

A vida nos proporciona alguns ótimos reencontros. Participo de um grupo de Whatsapp com antigos colegas de colégio, a maioria estudou junto do jardim de infância até a 8ª série em uma escola pública, aliás excelente.

Temos revivido histórias, memórias deliciosas. Essa semana, falávamos como foi boa aquela época, é uma unanimidade entre nós.  Talvez apenas uma nostálgica recordação.

Mas brincávamos na rua sem a preocupação da violência, muitos íam a pé e sozinhos para o colégio.

A nossa formação foi humanista, pautada no respeito ao próximo, à liberdade com responsabilidade e o reconhecimento dos limites. Sempre fomos avaliados a tanto por conhecimento quanto por comportamento.

Não era preciso recorrer a escola privada para ter educacao de qualidade. Escolas publicas excelentes não eram um sonho.

É para dar saudade mesmo…

Ótimo dia!