Fardos

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Olho no espelho vendo as rugas e marcas do tempo,.Não aprendi a esquecer, descobri isso, revendo nelas minha vida e as situações pelas quais passei, deixaram trilhas na face.

Restaram muitas alegrias, inúmeras mágoas. 

Eu sinto falta de quem amo, das pessoas que passaram pela minha vida deixando bons sentimentos, eu sinto falta das boas conversas, eu sinto falta das amizades que achei ter conquistado.

Mas, passados alguns anos,  as pessoas simplesmente se foram, cumpriram seu destino. 

Então, finge-se estar bem, siga sorrindo, porque todos têm seus próprios fardos, não querem ser incomodados, querem rir, leveza, conviver consigo já não é fácil, se você é um peso a mais, por favor, se afaste. 

Sua boca profere palavras rasgadas, como raios disparados, na verdade, uma súplica: me olha, me enxerga, fala comigo, pergunta como eu estou, me acolhe.

Sinais transversos não são entendidos, são apartados… 

Há uma sensação de abandono, aquela convivência de anos, perdida em um dia, a crível amizade e a sensação de permanência que escorre pelas mãos num piscar de olhos.

Existem dias de fardos maiores, em que a balança desequilibrada faz a alma jorrar.

A sensação é de caminhar por um campo, largando pelo caminho fardos de feno, que se acumularam nos ombros, anos a fio, sobrecarregando o corpo cansado. 

Imperceptíveis, nem todos caem, alguns ficam presos às pernas, acrescentam o peso da vida a caminhada.

Entre fenos perdidos e adquiridos, segue-se a vida, pedindo que os fardos restem mais no campo que nas pernas.

 

O Direito Delas

Eu publiquei este texto na véspera da posse desta pessoa SEM DECORO, que se diz presidente.
Quando abre a boca é para despejar toda a sorte de preconceito e absurdos, tendo como um de seus alvos prediletos as mulheres.
Então, primeiro de janeiro é o primeiro dia de todos os outros dias de nós MULHERES, porque todos os dias é o dia DELAS, é o nosso.

pós 50

Resolvemos instituir o dia primeiro de janeiro como o do Direito Delas – o da nossa forte união pelos nossos direitos, o das mulheres, o das nossas conquistas!

E agora, que instituímos esta data, queremos dizer que, nenhum, absolutamente nenhum, dos nossos direitos adquiridos nos serão retirados e vários serão conquistados.

Decretamos que somos mulheres poderosas e empoderadas e sabemos exatamente o que queremos e a que viemos e, portanto, não nos provoquem.

Porque agora, de mãos dadas, unidas e fortes vamos mostrar quem somos, o que temos, o que queremos e o que vamos conquistar. Não baixaremos a cabeça para qualquer autoritarismo.

Quando uma de nós na caminhada da vida tropeçar e perder o equilíbrio, nós estaremos lá, juntas, para lhe amparar, sustentar e colocar no prumo novamente.

Se chegar o vendaval seremos a rocha que mantém umas às outras. O alicerce que não se deixa abalar.

Somos mulheres…

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Nem sempre a verdade é a melhor resposta…

Minha mãe tem 94 anos e os momentos de lucidez são raríssimos.

Estávamos conversando outro dia e ela me perguntou, apontando para o céu, e minha mãe?

Estamos na época do pêssego em Pelotas, então, ao invés de responder, eu simplesmente comecei a falar das coisas que a vó fazia nessa época.

“Mãe lembra da vó descascando os pêssegos, para fazer a geleia, a pessegada, os pêssegos em calda?! E aquela vez que ela mandou o pêssego em calda para ser enlatado?! 12 fatias por lata, ao abrir descobriu que o responsável enlatava 10, ficando com duas fatias, de cada lata, para ele.”

Ela ria das histórias…

É uma maneira de relembrar a sua mãe, reviver os momentos felizes…

E assim vou levando, porque não quero relembrar nela poucos minutos de um profundo sentimento de angústia e perda.

Ela não precisa saber que perdeu a mãe, a irmã e o filho, são verdades dolorosas que não precisam ser ditas.

É bom fazê-la sentir uma breve felicidade, recordando daqueles que amou.

Nem sempre a verdade é a melhor resposta …