Nem sempre a verdade é a melhor resposta…

Minha mãe tem 94 anos e os momentos de lucidez são raríssimos.

Estávamos conversando outro dia e ela me perguntou, apontando para o céu, e minha mãe?

Estamos na época do pêssego em Pelotas, então, ao invés de responder, eu simplesmente comecei a falar das coisas que a vó fazia nessa época.

“Mãe lembra da vó descascando os pêssegos, para fazer a geleia, a pessegada, os pêssegos em calda?! E aquela vez que ela mandou o pêssego em calda para ser enlatado?! 12 fatias por lata, ao abrir descobriu que o responsável enlatava 10, ficando com duas fatias, de cada lata, para ele.”

Ela ria das histórias…

É uma maneira de relembrar a sua mãe, reviver os momentos felizes…

E assim vou levando, porque não quero relembrar nela poucos minutos de um profundo sentimento de angústia e perda.

Ela não precisa saber que perdeu a mãe, a irmã e o filho, são verdades dolorosas que não precisam ser ditas.

É bom fazê-la sentir uma breve felicidade, recordando daqueles que amou.

Nem sempre a verdade é a melhor resposta …