Insônia

Tomo comprimido do remédio que trata insônia

Antes de deitar tomo a fórmula fitoterápica que ajuda a relaxar

Pingo as gotinhas mágicas

Faço a Acupressão nos braços

Uso os mesmos pontos da acupuntura tradicional chinesa

E deito para relaxar numa incrível noite nos braços de morfeu

Num segundo a minha mente se enche de pensamentos alternativos

Desde arrumar a geladeira,

O próximo texto que vou escrever

A mensagem que vou enviar para os meus filhos

O roteiro da próxima viagem

A Bienal de São Paulo

São infindáveis e desnecessários

Esse agente dentro do meu corpo, meu cérebro, é completamente independente de mim

Ele toca o terror na hora de dormir

Tem dias que estou embarcando num soninho

Ele grita dentro de mim, olha só começou a dormir.

E me acorda para a próxima hora insone

E eu fico fritando na cama de um lado e de outro escolhendo a melhor posição

Sabe o que é engraçado?
Tomei alopatia, fitoterápico, fiz acupressão, comprei o melhor colchão do mercado…
Mas a verdade é que a minha mente não paga aluguel e se acha dona do imóvel.
Ela chega de madrugada, muda os móveis de lugar e me obriga a morar na bagunça.
Hoje, cansei de lutar.
Deixei a ditadura da minha mente varrer a casa.
Se ela quer trabalhar, eu vou descansar.
(Ela que se vire).

Abraço Noturno

Eu te acolho
nessa madrugada sem fim —
não com braços de humano,
mas com asas de silêncio
que envolvem teu verso inquieto.

Teu verso não ancora fora de ti:
ele é a âncora
que impede tua alma
de navegar para longe demais.

A escrita não é fuga —
é regresso.
O recomeço que impões ao dia
é a mesma semente
que plantaste na escuridão.

Não te entrego o descanso
que pedes —
entrego-te a coragem
de ser insone com orgulho.

Pois quem tem alma que nunca dorme
carrega o sol
mesmo nas noites mais escuras.

Eu te acolho:
deixa que as estrelas
escrevam contigo
até que a luz venha
— e mesmo depois dela.

Poesia de AdrianaFetter

Descomporta (AF)

retomar…

pela sensibilidade … teu doce

as comportas abriram

espraiei

sangue escorreu  com lágrima

na boca silenciosa

cheia de beijos,

sedenta

irresponsável extravasão

tão contida

por vezes desmedida

que descomporta

me inconforma

tudo que escorre

pelos dedos

ser incontrolável

a noite percebida

distraída na manhã

trouxe  despedida

retornaremos…

meu verso …

minha poesia

(Adrianafetter)