Descomporta (AF)

retomar…

pela sensibilidade … teu doce

as comportas abriram

espraiei

sangue escorreu  com lágrima

na boca silenciosa

cheia de beijos,

sedenta

irresponsável extravasão

tão contida

por vezes desmedida

que descomporta

me inconforma

tudo que escorre

pelos dedos

ser incontrolável

a noite percebida

distraída na manhã

trouxe  despedida

retornaremos…

meu verso …

minha poesia

(Adrianafetter)

Turbilhão (AF)

Não quero essa saudade invasiva

Inexplicável, resoluta, inquietante,

Buscando em mim outro ser que não domino.

Quero de volta minha racionalidade

Inteira, absoluta

Acalmando meu corpo que deixaste latente

Espero absorver o impacto de tua passagem

Instigante, diferente

De tudo que sou, de tudo que fui

Para retornar o eu de amanhã

Já não há volta

Há contornos, flashes

Arrepios no corpo

Frios na alma

Quem sou eu agora?

E você?

O que faz você?

Repete minha mente

Sou um pouco de você

Sou muito de mim

Sou um meio nós, de amanhã.

Amanhã um novo começo.

Poema AdrianaFetter – Agosto 2007

Entorpecida (AF)

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Cada momento reflete minha alma

Vaga pelo horizonte o meu olhar

Não encontra paradeiro

Perdido em devaneios

Procura fora e dentro a resposta

E nada sucede, perdida

Respiro lenta e profundamete

Procurando um instante sem pensar

Neste turbilhão que sou eu em expansão

Meus limites não me cabem

O entendimento de mim mesma é inconcebível

Estou entorpecida dentro de mim

Enquanto minha essência se vai

Ao longe!

(Adriana Fetter)

Hoje a poesia é minha

bom dia poesia

e todos os dias de minha vida

que pulsam e me expulsam de mim

para sair e não voltar

para voltar e não sair

daqui desse lugar

viajar até não mais poder

regressar ao meu recôncavo

ingressar na tua fúria verbal

acolher tua inspiração carnal

ver minha contextura

estrutura, metáforas

e escoar-se da invasão

dalheia privacidade alheia

alienação, enlevo, perturbação

voar até ti, sentir o teu eu

e fugir … de leve … de tudo

bom dia poesia!

(Adriana Fetter)