Cidadão e gente do bem

Alguém pode me dizer ou explicar o que significa essa expressão, cidadão e gente do bem?!

Por que varias das pessoas, que são defensores da moral e dos bons costumes, atualmente, pregam o armamento e o ódio nas redes sociais e se intitulam cidadão ou gente de bem.

As gentes do bem já me fizeram sofrer muito, na época do desaparecimento da minha melhor amiga, Cláudia Hartleben.

As pessoas que assim se intitulavam, os cidadãos de bem, questionavam se o que dizíamos, família e amigos, era verdade. Suspeitavam de tudo e de todos, mesmo sem conhecer ninguém do círculo da Cláudia.

Também questionaram a reputação da minha amiga, colocavam em dúvida se ela estava desaparecida, falavam coisas tão estapafúrdias e deprimentes que eu agradecia, todos os dias, porque a mãe da Cláudia não participava das redes sociais.

Gente do bem, sempre falavam isso no Facebook, em momentos de pura verborragia de ódio, propagavam suas teorias mirabolantes e não poupavam ninguém, eram uma metralhadora giratória.

Atrapalharam o processo de investigação, aprofundaram a nossa dor e nos fizeram afundar num desatino, tentávamos procurar a Cláudia e ao mesmo tempo defender a ela, a família e os amigos das inventividade dessa gente do bem. O fundo do poço tinha o porão da gente do bem.

Mas, naquela época, também, conheci pessoas que nos acalentaram, ofereceram suas orações e foram um afago na alma. Lembro de uma frase que uma delas usava, dizia que pedia a Deus, que nos carregasse na palma da sua mão, era um conforto em meio ao caos.

Então, agora, quando vejo as pessoas que trazem à baila a corrente do gente do bem, feita por cidadãos de bem para o bem da gente do bem, só penso em correr e procurar pessoas normais.

Quando o luto vira luta – #Marielle, todas as mulheres

Eu não conhecia a Marielle, a Romilda ou a Sandrinha, mas eu conhecia a Cláudia.

A brutal execução dessa vereadora e de seu motorista, o Anderson, mexeu profundamente comigo. Me fez reviver um dos piores acontecimentos da minha vida, o desaparecimento da minha amiga e irmã Cláudia Hartleben, sem que se tenha qualquer resposta da investigação.

Há muito tempo eu penso que as mulheres podem fazer a diferença, somos a maioria que educa no Brasil, somos quem pode mudar o nosso país.

Desde cedo eu estou muito indignada e triste, posso dizer que a situação da violência contra as mulheres tem me incomodado profundamente há anos.

Hoje eu estou chorando pelas mulheres assassinadas no Brasil, pelas execuções, feminicídios, por toda a violência contra os nossos semelhantes.

Até quando?! Quem se acha no direito de cometer atrocidades sem punição?!

Espero que a Marielle Franco, que lutava pelos seus semelhantes, tenha a justiça que tantas mulheres nunca tiveram, inclusive a Cláudia.

Bofetada

Essa semana eu estava no hospital acompanhando minha mãe, que tem uma médica maravilhosa doutora Vera Magally, e em determinado momento ela me falou do caso da Cláudia, por conhecer a minha amizade e também por ser professora da mesma universidade. Me disse: Adriana tu não superastes isso, alguém está te ajudando como médico?! Aí eu respondi que tinha um cardiologista, um endocrinologista, um neurologista, um ginecologista, um otorrino, médicos como ela não, que trata da minha mãe como um todo, eu só tenho médicos que tratam partes da Adriana e não Adriana como um todo.

Quando meu irmão morreu, eu falei pra ela, foi muito triste era meu único irmão, gravemente doente, eu entendi o momento terrível na vida dele, triste me conformei. O desaparecimento da Claudia, da minha irmã, aquela que universo me enviou, foi uma bofetada na minha cara. Essa bofetada dói e arde até hoje. Eu não consigo me recuperar, por mais que eu tente.

Toda vez que eu vou a Pelotas eu volto para despedidas, no caso da minha mãe, agora com 92 anos, e que já superou tantos acometimentos naturais da idade e com a ajuda da Dra. Vera, são sempre pequenas despedidas.

Eu sei que em breve eu terei que me despedir de verdade, entenderei pela idade, e, por tudo que ela já viveu, eu serei grata.

Ainda não consegui ter esta grandeza de sentimento no caso da Cláudia. Quem fez isso com ela, no auge da vida dela pessoal e profissional, não atingiu só a ela, atingiu a dona Zilá, a tia Maria e a todos que a amaram e a amam e não a esquecem.