Cidadão e gente do bem

Alguém pode me dizer ou explicar o que significa essa expressão, cidadão e gente do bem?!

Por que varias das pessoas, que são defensores da moral e dos bons costumes, atualmente, pregam o armamento e o ódio nas redes sociais e se intitulam cidadão ou gente de bem.

As gentes do bem já me fizeram sofrer muito, na época do desaparecimento da minha melhor amiga, Cláudia Hartleben.

As pessoas que assim se intitulavam, os cidadãos de bem, questionavam se o que dizíamos, família e amigos, era verdade. Suspeitavam de tudo e de todos, mesmo sem conhecer ninguém do círculo da Cláudia.

Também questionaram a reputação da minha amiga, colocavam em dúvida se ela estava desaparecida, falavam coisas tão estapafúrdias e deprimentes que eu agradecia, todos os dias, porque a mãe da Cláudia não participava das redes sociais.

Gente do bem, sempre falavam isso no Facebook, em momentos de pura verborragia de ódio, propagavam suas teorias mirabolantes e não poupavam ninguém, eram uma metralhadora giratória.

Atrapalharam o processo de investigação, aprofundaram a nossa dor e nos fizeram afundar num desatino, tentávamos procurar a Cláudia e ao mesmo tempo defender a ela, a família e os amigos das inventividade dessa gente do bem. O fundo do poço tinha o porão da gente do bem.

Mas, naquela época, também, conheci pessoas que nos acalentaram, ofereceram suas orações e foram um afago na alma. Lembro de uma frase que uma delas usava, dizia que pedia a Deus, que nos carregasse na palma da sua mão, era um conforto em meio ao caos.

Então, agora, quando vejo as pessoas que trazem à baila a corrente do gente do bem, feita por cidadãos de bem para o bem da gente do bem, só penso em correr e procurar pessoas normais.

O Brasil que eu tenho saudade

Lembro de todos os sábados que nos reunimos na frente da TV, para torcer por uma pole position. Éramos um único coração uníssono, éramos um Brasil vitorioso, que no domingo comemorava as corridas do nosso ídolo, Ayrton Senna.

Todo esse ódio, que hoje é disseminado verborragicamente na redes sociais, era inimaginável.

Tínhamos aquele sentimento gostoso que poderíamos ser um país vitorioso. E como era bom ter esse sentimento de pertencimento, de orgulho nacional.

Quando a nossa bandeira era sacudida num pódium e o nosso hino, ouvido por todos nós, nos enchia de satisfação. Ninguém, ainda, havia se apropriado desses símbolos, eles eram nossos, de toda a nação brasileira.

O abuso da política ainda não nos tinha tirado a esperança, éramos todos brasileiros.

Assim como você, eu sou brasileira, com o orgulho ferido, por defender políticas públicas para um país mais humano e mais justo, por isso me dizem que não sou digna da minha bandeira.

A bandeira brasileira é a mesma para mim, nenhum sentimento meu mudou em relação à ela e ao meu país.

Não há ninguém que possa se intitular um cidadão melhor por estar vestindo as cores do Brasil, porque elas estão no coração de cada brasileiro.

Vestir as cores verde e amarelo, enquanto vocifera palavras de ódio, só me diz que você não é uma pessoa digna dos sentimentos de hombridade, que deveriam te enaltecer.

Essa bandeira é minha, é sua e é nossa!

E como ela me lembra dos tempos em que éramos um único Brasil, aquele tempo que torcíamos pelo Ayrton.

Realidade virtual

Li uma reportagem super interessante sobre Jaron Lanier, escritor e filósofo,  considerado um visionário da realidade virtual, ainda nos anos 1980.

Embora seja um dos caras do Vale do Silício, criticou o Facebook e o Google e diz evitar as redes sociais como evita as drogas e essa é a parte mais importante das suas próprias palavras.

Acha que para os adultos essas redes são importantes para restabelecer relações do passado, reconectar as pessoas, mas para os jovens, que ainda estão com as ideias em formação, julga ser prejudicial, porque formata o pensamento, direciona, não proporcionando uma avaliação crítica, limitando suas habilidades.

Além do mais as redes sociais utilizam os dados das pessoas. Reconhece na tecnologia dois lados, o da beleza e o do horror, no primeiro caso todas as possibilidades de desenvolvimento na ajuda ao homem, como o desenvolvimento da robótica na medicina, por outro lado a perda massiva do homem pela máquina, no mercado de trabalho.

Como não refletir sobre a tecnologia com esse filósofo e visionário da realidade virtual, que chega a comparar as redes sociais com as drogas?!

Me faz pensar no futuro da humanidade…