Querido diário – posse e porte de arma

Querido diário eu gostaria de agradecer, imensamente, ao senhor presidente o decreto funesto de permissão do porte de armas e o aumento para aquisição de 5mil unidades de munição, ao invés das 50 hoje permitidas.

Contra tudo e contra todos, inclusive as pesquisas nacionais e mundiais, agora várias categorias de cidadãos poderão conduzir suas armas carregadas.

Como mulher, eu também gostaria de agradecer, querido diário, porque agora aumentou as probabilidades das mulheres sofrerem mais feminicídios, cujos números já são assustadores.

Como cidadã, eu também gostaria de agradecer, porque já discussões, onde as pessoas puxaram armas e atiraram a esmo, matando uns aos outros e a quem estava só passando.

Posso citar, querido diário, um caso acontecido no distrito federal, onde um policial civil, por estar irritado, num congestionamento, atirou e atingiu uma criança, dentro de um carro.

Como mãe, eu me assusto com a possibilidade dos acidentes domésticos, com as crianças que terão acesso as armas liberadas.

Como a pessoa, eu fique pensando tristemente, na possibilidade do aumento dos números de suicídio, pela facilidade ao acesso às armas.

Os próprios policiais numa blitz, querido diário, ao enxergar uma arma dentro de um carro do cidadão, qual será a reação deles? Eles também estarão à mercê da morte, ou matar ou morrer.

Foi pensado, no momento desta liberação, que as armas que são roubadas, em sua maioria, vão parar nas mãos do crime organizado?!

Provavelmente, com os conflitos agrários que temos no Brasil, a zona rural vai virar um faroeste!

Deixo aqui uma pergunta, querido diário, a arma é um instrumento de ataque ou de defesa?!

Querido diário por que antecipar esse tipo de liberação, se no Congresso já estava tramitando um projeto de lei que analisava o assunto?!

Essa provação foi eleitoreira e oportunista. Não tem nada a ver com segurança pública e sim com interesses empresariais.

A quem esse decreto beneficia, efetivamente?! Para mim só tem uma resposta: a indústria do armamento!

Quando o luto vira luta – #Marielle, todas as mulheres

Eu não conhecia a Marielle, a Romilda ou a Sandrinha, mas eu conhecia a Cláudia.

A brutal execução dessa vereadora e de seu motorista, o Anderson, mexeu profundamente comigo. Me fez reviver um dos piores acontecimentos da minha vida, o desaparecimento da minha amiga e irmã Cláudia Hartleben, sem que se tenha qualquer resposta da investigação.

Há muito tempo eu penso que as mulheres podem fazer a diferença, somos a maioria que educa no Brasil, somos quem pode mudar o nosso país.

Desde cedo eu estou muito indignada e triste, posso dizer que a situação da violência contra as mulheres tem me incomodado profundamente há anos.

Hoje eu estou chorando pelas mulheres assassinadas no Brasil, pelas execuções, feminicídios, por toda a violência contra os nossos semelhantes.

Até quando?! Quem se acha no direito de cometer atrocidades sem punição?!

Espero que a Marielle Franco, que lutava pelos seus semelhantes, tenha a justiça que tantas mulheres nunca tiveram, inclusive a Cláudia.

Dia das mulheres – Romilda e Sandrinha

Estava pensando um texto bem legal para fazer sobre nós mulheres e o nosso dia, isso foi interrompido pelo anúncio de dois feminicídios aqui em Brasília, dentre tantos ocorridos no Brasil.

Primeiro foi a Sandrinha, uma capoeirista, que nos anos 90 desenvolveu seu projeto de ensinar capoeira para crianças em praças públicas no Guará, cidade satélite do Distrito Federal. A vida depois fez dela uma moradora de rua, cujo companheiro colocou um final, sufocando-a e colocando fogo em seu corpo num contêiner.

Romilda era uma mulher que viveu todos os seus sonhos e realizou conquistas em sua vida, ser profissional realizada, mãe e dona do próprio negócio. Ontem, 6/3/2018, seu marido colocou um ponto final no processo de separação.

Ambas foram mortas por seus companheiros, o da Sandrinha saiu caminhando pela rua, como se nada tivesse acontecido, depois de colocar fogo no contêiner com o corpo da companheira. A Romilda foi morta a tiros pelo companheiro que depois se suicidou deixando dois filhos um de 3 e outra de 4 anos.

Duas histórias muito diferentes com um mesmo final trágico, ambas mulheres mortas por pessoas com quem compartilhavam a vida.

Dos 4.473 homicídios dolosos de mulheres, ocorridos em 2017, no Brasil,  946 são feminicídios. Estatísticas são números frios, quando se dá nome a cada mulher é que se percebe a tristeza das suas histórias.

Muitas pessoas questionam porque existe um dia só das mulheres, acredito que é porque existem problemas de discriminação, sexismo, feminicídio, infanticídio de meninas. Os problemas não são causados pelas mulheres, a maioria discriminada.

Minhas condolências às famílias dessas duas mulheres.

Feliz 8 de março – dia da mulheres!