Doses De Clarice Lispector

O caminho que eu escolhi é o do amor.

Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar.

Escolhi ser verdadeira.

No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem.

É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.

Ciclos

Sempre que eu estou em Pelotas avalio o passado e o futuro, pelas condições do meu presente. Percebo a situação em que se encontra a minha mãe, já esquecida de si mesma.

Quase uma criança, feliz com a festa de aniversário, os olhos brilhando pelas pessoas cantando parabéns, na frente de um bolo.

Penso na minha própria caminhada para a velhice. Os esquecimentos, as lembranças, as pessoas que encontrei em minha trajetória, o sentido de minha própria passagem por esta vida.

Envelhecer não é fácil, existe uma luta diária contra as dores e aflições da alma e do corpo. Este último não acompanha a velocidade dos nossos pensamentos.

Ao ver a minha mãe então velhinha e tão esquecida reflito, o quanto e até onde viveremos bem.

Também assisti a tristeza e o esforço da minha cunhada frente a velhice da sua cachorrinha, que ela e o meu irmão, já falecido, criaram com tanto amor. Com quase 18 foi praticamente impossível mais um ano, assim que viajei ela morreu. Triste!

O ciclos vão se esgotando. Existe toda uma nostalgia vivenciada na tentativa de proporcionar pequenas alegrias a quem agora depende de nós, porque não têm mais forças para dar continuidade a própria trajetória de vida.

Este texto é no mínimo estranho por falar da quase morte. Todos sabemos que caminhamos para lá, mas o quanto estamos preparados para fecharmos o nosso próprio ciclo?!

Dias alegre e tristes, esses dois sentimentos convivem lado a lado, em todas as horas.

Precisamos aprender a envelhecer, porque essa sapiência é uma arte que podemos ou não vivenciar com dignidade.

Mais da metade já passou

paraquedas_parabens

E a caminhada até aqui foi longa, muitos trajetos percorridos, alguns retos, outros tortuosos, mas cheguei.

Estava pensando a pouco nos sonhos que não se concretizaram, não sou frustrada porque realizei outros tantos, mas fica aquele restinho de tristeza por não ter feito mais. Parece um contrassenso, porque acho que fiz muita coisa mesmo, até pular de paraquedas, um luxo!

As vezes acho que o que bate mesmo é uma certa melancolia da idade, sabemos que já dobramos o cabo da boa esperança, que o tempo não volta e que já se foi a maior parte de nossa vida neste planeta.

Portanto, acho mesmo que devemos valorizar o caminho que já percorremos e o tempo que teremos para fazer o resto de nossa estrada.

Se quer dançar, dance, vai ao cinema quando desejar, coma aquele doce que você tanto gosta, faz pipoca pra ver TV, sei lá, não fica adiando planos, mesmo que seja o mais simples.

Isso vale para os pedidos de desculpas que não fez, aquela declaração que não disse, aquela visita que você vive adiando.

Gente, vá viver a vida!