Sobre racismo… Pelotas

Nasci numa cidade que tem uma histórias escravocrata. A mão-de-obra negra escravizada era usada nas Charqueadas. Pelotas sempre foi, a meu ver, extremamente racista.

Na minha cidade pessoas de cor eram proibidas de frequentar os clubes das pessoas brancas, até o final da minha juventude. Confesso que não sei quando isso mudou, não encontrei alguma fonte que contivesse essa informação.

Os brancos tinham os seus clubes, o Diamantinos, o Comercial, o Caixeiral e o Brilhantes, os negros tinham os seus, Depois da Chuva, o Chove Não Molha e o Fica Ahí P’ra Ir Dizendo.

Uma coisa me causa espécie até hoje, não sei o porquê da escolha, mas o nome do clube “Fica Ahí P’ra Ir Dizendo”(1921), sempre me pareceu um muro que dizia, fica por aí que não te queremos aqui. O Clube é conhecido apenas por Fica Aí. Entendo que esta é uma interpretação minha.

Talvez a intenção tenha sido outra, mas como nasci numa cidade racista, isso ainda me causa um grande impacto. A partir daí comecei a estudar a origem do nome, que foi sugerido por um de seus criadores. Li vários artigos e algumas obras sobre as agregações e o associativismo negro em Pelotas.

Na minha infância e juventude os brancos podiam frequentar o clube dos negros, inclusive podiam ser sócios, porém não permitiam a entrada deles nos seus clubes. Isso sempre me causou inúmeros questionamentos, que se tornaram mais agudos depois de minha mudança de cidade.

Quem estuda a história dos negros, que começaram a residir em Pelotas, pelos nos anos de 1700, como escravos, verifica o abismo educacional e sócio-econômico existente até hoje, fruto de um racismo velado na região, que se confunde com a pobreza.

Não sou uma profunda conhecedora do assunto, meus questionamentos me levam aos textos que busco para um entendimento.

Para quem quiser se informar mais sobre essa história, sugiro as obras da Dra. Beatriz Ana Loner e da Mestre Jocelem Mariza Soares Fernandes Ribeiro.