Querido diário #resistência segue #resistência

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Grafite de Mari Monteiro

Querido diário você acha que eu só fico aqui desabafando com você?! É claro que não! Eu e minhas amigas, feministas de muita ousadia e coragem, resolvemos, há algum tempo, sermos resistência a esse desgoverno e criamos um grupo: o Politize-se. Estamos no Facebook, no Twitter (@se_Politize) , e no Instagram (@se_Politize),

Querido diário chegou a hora de começarmos a realmente organizar a resistência.

A resistência não publica e só repassa notícias, tem que se produzir conteúdo, ela dissemina conhecimento, ela vai ao debate público, ela vai para as passeatas, faz vídeo, live, procura documentos, se atualiza ou dá cursos, Segue blog e se atualiza por eles também.

Você não precisa participar de tudo, mas se organize para participar de alguma coisa, você é necessário neste momento!

A resistência, para ser resistência, tem que se fundamentar e rebater aquilo que acha que é errado, prejudicial ao povo e ao país em que vive. Principalmente, se as políticas públicas que o governo aplica e as informações que está disseminando são de profunda má-fé.

Então, querido diário, eu resolvi fazer uma lista, para a resistência seguir a resistência e se aprofundar no debate.

Você pode ser #esquerdistasseguemesquerdistas ou somente #resistênciasegueresistência, mas certamente com esta lista você vai se orientar e achar o seu nicho.

Porque são muitos os alvos desse governo, e é necessário muito combate, para cada política que está sendo desmontada.

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Usem essas # Se identifiquem, se unam.

Segue aí minha gente a nossa lista de resistência, organizada com a minha amiga Denise Ippan. Quem quiser, me mande mais canais e eu irei atualizando aqui.

A Esperada Reflexão da Esquerda

Meu texto se refere a uma reflexão, despertada pelos fatos que vem ocorrendo no Ceará, neste inicio de 2019. Os ataques criminosos aos bancos, transportes e repartições públicas, com reflexos e impactos imediatos para a população.

Uma pessoa conhecida, descreveu como uma ação política orquestrada pela oposição ao governo federal, executadas pelo PT e pelo PSOL, aliados ao PCC, Primeiro Comando da Capital. Que triste e equivocada comparação de dois partidos políticos de esquerda com uma facção criminosa.

Em parte eu entendo o gatilho para esse pensamento, ela é responsável pela renda da família, foi assaltada na rua, o ladrão levou o dinheiro e o celular. Seu trabalho é de atendimento domiciliar, o celular guarda os contatos de suas clientes, todos os compromissos da agenda, que se foram com o telefone. Um prejuízo de uma semana inteira de trabalho. Culpa o governo pela escalada da violência.

Quem vê o crescente desemprego e o desalento dos desempregados, que sofreu violência, ou não teve atendimento médico no SUS, ou ainda enfrentou problemas com a educação de seus filhos, olha para os governantes com desconfiança. Somente o discurso político de promessa, que não atende às suas necessidades imediatas e suas prioridades, não conquista atenção e o voto. A população quer ação rápida e precisa.

Como falou Mano Brown, a esquerda se afastou da população e da periferia, que antes nela votava, não reconhece mais as suas necessidades.

As pessoas que votaram em Bolsonaro acham que a criminalidade e a violência emergiram da corrupção e das políticas implantadas pelo PT. Assim como pensam que a esquerda é responsável por toda a corrupção do Brasil.

O PT sequer lidera o ranking de partido mais corrupto ou mais citado na lava jato.

Preferiram esquecer os desvios das verbas públicas, que varrem a nossa política desde o Império e votar em quem prometeu soluções mágicas e armas.

Agora faço o papel de advogado do diabo, elencando alguns diferentes momentos políticos.

  • Fernando Henrique Cardoso é associado ao plano real e à estabilidade econômica, aquele que proporcionou a superação da era inflacionária;
  • O Ministério Público Federal – MPF, a Policia Federal – PF e a Polícia Rodoviária Federal – PRF, em sua maioria, viraram oposição à esquerda, de quem foram beneficiários, pela abertura dos inúmeros concursos públicos, e tendo a necessária liberdade para fazer ampla investigação sobre desvios e corrupção;
  • O clientelista baixo clero do Congresso Nacional, que é a atual base do governo empossado, e é quem mais demanda verbas parlamentares em troca de apoio e favores políticos, foi fundamental para o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, alegando pedaladas fiscais, amplamente usadas por seu sucessor;
  • Usuários do FIES, ENEM e SISU, em sua maioria, não votou no HADDAD, que implantou esses programas;
  • Os eleitores, com exceção do Nordeste, não reconheceram as conquistas alcançadas pelas políticas sociais de que foram beneficiários.

Além da questão do preconceito social e da questão cultural, para a interpretação desse cenário, também existe uma questão econômica.

Quando as classes C, D e E conseguiram ascender, tiveram ganhos econômicos e sociais efetivos, passaram a ser consumidores de fato, migrando um ou dois degraus acima.

Como disse Pepe Mujica, elas aprenderam a consumir e não a reconhecer que isso foi ganho com políticas públicas, para classes sociais menos privilegiadas.

A falta de equilíbrio econômico do nosso país, onde 1% detém toda a riqueza dos outros 99%, faz com que essa sociedade tenha sempre o medo de empobrecer, perder seus privilégios e voltar para a zona de pobreza.

A esquerda tem fazer uma profunda análise, para saber onde errou, para que tenha alguma perspectiva de aproximação dessa população, que se sente por ela abandonada e traída. Como irá conquistar novamente a confiança desta gente?!