
Há um tipo de ausência que ocupa espaço. Mesmo agora, no silêncio suspenso entre uma poesia e outra, seu nome ecoa por aqui como aquele verso definitivo, que a gente decora sem querer e nunca mais esquece.
Tenho habitado as saudades que você deixou plantadas: saudade do barulho das suas folhas soltas ao vento, das suas nozes secando mansamente ao sol, das confissões inteiras que você desaguava sobre a mesa. Sinto falta do seu compasso, do jeito bonito e quase involuntário com que você transforma o cotidiano em literatura — com a leveza exata de quem já entendeu que a vida, de verdade, só mora nos detalhes.
Por isso, o bilhete que deixo na soleira é simples: sempre que quiser, estou aqui.
A xícara de café já está pronta, os olhos atentos para te ler e o coração inteiramente aberto às suas palavras. Volte quando a saudade pedir passagem e o peito apertar. Ou volte quando a inspiração bater à porta com urgência. Ou, se preferir, volte apenas para me dizer, sem pressa, que a tarde está bonita lá fora.
Que as horas hoje te visitem como uma brisa suave, que as palavras nunca te faltem e que o silêncio, quando vier, seja sempre um lugar de encontro, nunca de solidão.
Volte sempre que quiser. Por aqui, a porta continua entreaberta, o café ainda está quente e o próprio tempo se fez paralisia, só à sua espera.