Luz

Tenho o ritual de abrir a cortina e, em seguida, a janela. É o meu jeito de convidar o sol para dentro de casa, de deixar o ar novo circular pelos cômodos. Aprendi, desde cedo, que a luz e o vento são remédios silenciosos para os dias.

Mas é no detalhe que a mágica acontece.

Ao observar o pequeno, descubro um universo suspenso. Fios de poeira fina flutuam no raio de sol que invade a sala, como se fossem pequenos astros numa galáxia invisível. É uma dança lenta, imprevisível, iluminada por um foco perfeito — como se todas as luzes do palco se curvassem, por um instante, apenas para eles. Eu paro, fascinada.

E o mesmo acontece quando as nuvens filtram os raios do sol lá fora. A luz perde a dureza, amolece, se espalha dourada sobre o mundo. É ali que encontro notas de esperança e fé, que alimento a minha espiritualidade sem precisar de templos, apenas de um olhar para o céu.

Porque a luz, no fundo, é um espelho.
A que vem de fora não ilumina apenas a casa, os móveis, os cantos esquecidos.
Ela ilumina o que mora dentro de mim, e me ensina a refletir o que já existe na minha essência.