8 de Março: Carta Às Mulheres Que São Mundo

Hoje é dia de lembrar que lugar de mulher é onde ela quiser. Sem pedir licença. Sem caber em moldes.

Lugar de mulher é na mesa de reunião onde se decidem os rumos, apesar de, hoje, apenas 5,6% delas ocuparem cargos de diretoria ou posições C-level nas empresas. É na universidade, onde são 59,1% das matrículas, formando-se, qualificando-se, preparando-se para um mercado que ainda as recebe com salários 21,2% menores que os dos homens.

Lugar de mulher é na linha de frente da indústria, na tecnologia, na ciência. Como as jovens do programa Sou Aprendiz, que são 90% de um total de 700 participantes. Como as 625 mil mulheres que empreendem na Bahia, 70% delas negras.

Mas lugar de mulher também é em casa — e não deveria ser apenas lá.

Porque a realidade insiste em ser dura: 72,9% das mulheres já sofreram preconceito no trabalho. Quase metade é empurrada para fora do mercado até dois anos depois da licença-maternidade. E há aquelas que simplesmente… param. Não por vontade. Porque o mundo foi mais rápido, mais cruel, mais silencioso.

Algumas não param — são paradas.

Há mulheres que não chegam ao final do dia. Há mulheres que não voltam para casa. Há mulheres cujos corpos viram número, estatística, mais um nome na lista interminável dos feminicídios que este país insiste em naturalizar.

Em 2023, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 6 horas no Brasil. Em 78,1% dos casos, o crime foi cometido por parceiro ou ex-parceiro. A casa, que deveria ser abrigo, virou sentença.

Por isso, hoje, 8 de março, é dia de lembrar também das que não puderam escolher.

Das que tinham sonhos, formação, doçura, sensibilidade — e tiveram tudo isso interrompido pela violência de quem deveria proteger. Das que não estão mais aqui para ocupar lugar nenhum.

O enfrentamento à violência é responsabilidade de todos. E enquanto houver uma mulher sendo morta por ser mulher, o dia 8 de março será também dia de luta.

Mas será, igualmente, dia de celebração.

Celebração das que resistem. Das que buscam autonomia financeira como condição para liberdade de escolha. Das que desejam saúde mental e física como prioridade. Das que constroem, todos os dias, um mundo onde suas filhas tenham mais direitos e menos medo.

Mulher é o ser que chega, ocupa, transforma.

É doçura que enfrenta. É sensibilidade que lidera. É força que acolhe.

Hoje, ao olhar para o céu, procuro em cada estrela as que se foram. E encontro também vocês — todas as mulheres que seguem, que insistem, que florescem num mundo que insiste em não regar.

Lugar de mulher é onde ela quiser.

Que possamos, juntas, construir os caminhos.

E que nenhuma de nós precise deixar de existir para que isso aconteça.


Com admiração e luto transformado em luta,
Adriana Fetter
8 de março de 2026

Porque eu sou feminista

#DiaInternacionaldaMulher #DiadaMulher #8M #DiadasMulheres

Sou feminista porque nasci privilegiada, branca, com acesso à educação, à saúde, tive, num mundo de cultura patriarcal, onde a mulher vale menos e tive o privilégio de conviver com homens de mente aberta.

Pude pensar e me expressar.

Porque minhas netas e todas as mulheres de sua geração merecem ter direitos iguais aos homens, como todas as suas predecessoras deveriam ter tido.

Nasci numa época que muitas vanguardistas já haviam conquistado muitos direitos para mim, mas isso não me impede de ver o quanto há ainda para conquistar.

Mulheres negras em sua maioria ganham menos que eu, e ainda ganhamos menos que os homens ocupando a mesma função.

Sofremos violência diariamente, o Brasil é o 5º país no ranking de assassinatos de mulheres (13 por dia), a metade delas por violência doméstica.

Porque os homens se julgam no direito de matar ou mutilar suas companheiras, porque pais estupram filhas, porque merecemos ter companheiros ao nosso lado e não inimigos.

Porque as meninas não deveriam ser sexualmente mutiladas, porque todas deveriam poder ir a escola sem medo, ou não ter que abandonar os estudos para cuidar da casa.

Porque a dupla jornada poderia ser dividida, porque os direitos deveriam ser iguais e as diferenças respeitadas.

Criei filhos com direitos iguais, sinto orgulho ao vê-los replicar isso em suas vidas.

Sou feminista porque amo as pessoas independente do seu gênero.

Adriana Fetter

#8demarço

#DiaInternacionaldeLutadasMulheres

A história é fundamental para nos dizer de onde viemos e para onde estamos indo.

Nós mulheres temos que lembrar a trajetória de todas as que vieram antes de nós, conquistando os nossos direitos.

Fiz uma breve cronologia das lutas feministas, no Brasil e no mundo:


Em 1790, Catharine Macaulay argumentou, assertivamente, que a aparente fraqueza das mulheres era causada pela sua educação precária;

Durante a Revolução Francesa surge o primeiro documento a falar sobre a igualdade jurídica entre mulheres e homens – A Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã – 1791 escrito por Marie Gouze (1748-1793), ela adotava o nome de Olympe de Gouges;

Em 1827 as meninas brasileiras são liberadas para frequentar escolas;

Nísia Floresta, em 1832, publica o seu livro “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”;

As mulheres tem acesso ao Ensino Superior, pelo Decreto nº 7.247, de 19 de Abril de 1879, no Brasil;

As mulheres da Nova Zelândia são as primeiras a ter direito de voto, em 1893;

Em 1910 é criado o Partido Republicano Feminino no Brasil, que reivindicava o voto feminino;

No ano de 1928, Alzira Soriano foi a primeira mulher eleita no Brasil, para prefeita de Lajes, no Rio Grande do Norte, pelo voto livre, com 60% dos votos;

Em 1934, as mulheres brasileiras conquistaram constitucionalmente o direito de votar. Carlota Pereira Queirós se tornou primeira deputada federal do país. No ano de 1932, solteiras e viúvas com renda própria e mulheres casadas com permissão do marido podiam votar;

A igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas, em 1945;

Acontece em Fortaleza/CE, o I Encontro Nacional Feminista, durante a 31ª SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em 1949;

Em 1951, a Conferência do Conselho Feminino da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou a igualdade de salários para homens e mulheres que desempenhem a mesma função;

A Lei 4.212/1962, garante que a mulher não precisava mais de autorização do marido para trabalhar, o direito à herança e a possibilidade de requerer a guarda dos filhos em caso de separação;

Definido pela Assembléia Geral da ONU a Década da Mulher (1975-1985);

No dia 26 de dezembro de 1977, a Lei nº 6.515, Lei do Divórcio, é aprovada;

A Assembléia Geral da ONU institui, em 1979, o Comitê para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher- CEDAW ;

Em 1984, o Ministério da Saúde, atendendo às reivindicações do movimento de mulheres, elaborou o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM);

No Ano Internacional da Mulher (1975), a data de 8 de março é definida pela ONU
como Dia Internacional da Mulher;

O Ministério da Justiça cria o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, em 1985;

O movimentos de mulheres (26 deputadas federais constituintes – Lobby do Batom) garante que a Constituição Federal inclua a igualdade formal de direitos entre mulheres e homens no Brasil;

A Lei Federal 9.100/95 estabeleceu 20% de candidatas mulheres nas listas partidárias para as eleições de 1996, essa cota foi ampliada para 30%, em 1997, porém só em 2009 se tornou obrigatória, sendo manipulada pelos candidatos masculinos nas eleições de 2018, em seu benefício;

É criada no governo Fernando Henrique Cardoso a Secretaria de Estados dos Direitos da Mulher (2002), elevada ao status de ministério em 2003, no governo Lula;

No ano de 2006 uma grande conquista, sancionada a Lei Maria da Penha, criando mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher e aumentando o rigor nas punições das agressões contra a mulher;

Sancionada a Lei nº 13.104, de 9 de Março de 2015 – para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, incluindo o feminicídio no rol dos crimes hediondos;

2019 – Damares Regina Alves é empossada como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, do governo Jair Bolsonaro e nós, mulheres feministas, choramos pelo retrocesso!

Certamente, há mais datas e mais fatos relevantes, nesta linha de tempo feminista, coloquei os considerados mais relevantes.

Pesquisem sobre as maravilhosas histórias das feministas brasileiras. Mulheres fantásticas que abriram os caminhos para todas as nossas conquistas atuais.

Sempre seremos resistência!

De Ana Cañas:

“Desrespeitadas, ignoradas, assediadas, exploradas, mutiladas, destratadas, reprimidas, exploradas e mortas: a nossa luz não se apaga.
Ninguém nos cala.
Tentaram, continuam tentando, e vimos resistindo.
Resistiremos.
A alguém que só existe lutando cabe a resistência. “

Dia das mulheres – Romilda e Sandrinha

Estava pensando um texto bem legal para fazer sobre nós mulheres e o nosso dia, isso foi interrompido pelo anúncio de dois feminicídios aqui em Brasília, dentre tantos ocorridos no Brasil.

Primeiro foi a Sandrinha, uma capoeirista, que nos anos 90 desenvolveu seu projeto de ensinar capoeira para crianças em praças públicas no Guará, cidade satélite do Distrito Federal. A vida depois fez dela uma moradora de rua, cujo companheiro colocou um final, sufocando-a e colocando fogo em seu corpo num contêiner.

Romilda era uma mulher que viveu todos os seus sonhos e realizou conquistas em sua vida, ser profissional realizada, mãe e dona do próprio negócio. Ontem, 6/3/2018, seu marido colocou um ponto final no processo de separação.

Ambas foram mortas por seus companheiros, o da Sandrinha saiu caminhando pela rua, como se nada tivesse acontecido, depois de colocar fogo no contêiner com o corpo da companheira. A Romilda foi morta a tiros pelo companheiro que depois se suicidou deixando dois filhos um de 3 e outra de 4 anos.

Duas histórias muito diferentes com um mesmo final trágico, ambas mulheres mortas por pessoas com quem compartilhavam a vida.

Dos 4.473 homicídios dolosos de mulheres, ocorridos em 2017, no Brasil,  946 são feminicídios. Estatísticas são números frios, quando se dá nome a cada mulher é que se percebe a tristeza das suas histórias.

Muitas pessoas questionam porque existe um dia só das mulheres, acredito que é porque existem problemas de discriminação, sexismo, feminicídio, infanticídio de meninas. Os problemas não são causados pelas mulheres, a maioria discriminada.

Minhas condolências às famílias dessas duas mulheres.

Feliz 8 de março – dia da mulheres!