Avenida Fernando Osório

Para Cláudia

Mais uma vez em Pelotas, eu ainda tenho medo de encarar a casa ao lado, porque a dor é instantânea.

Existe uma grande diferença no meu olhar ali agora. Antes primavera, agora constante inverno, como as pinturas de Monet, retratando as diversas estações no Jardim de Giverny, mas não há beleza no inverno que se instalou na Fernando Osório.

Dona Zilá abriu a porta para mim, minha filha e meus netos. Logo de cara pude perceber a fragilidade em que se encontra.

Agora usa um andador para se deslocar pela casa e tem sérias limitações de movimentos. A coluna sofre para sustentar seu frágil corpo.

Ao entrar olho para parede onde está o quadro de tulipas pintado pela Cláudia. Pela sala diversas fotografias dela, de muitas épocas.

A conversa é triste, restaram muitos dissabores, além do amargo desaparecimento da minha amiga. 

Quanta diferença! Há 30 anos, quando chegávamos com…

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Carta da D. Zilá para sua filha Cláudia – 29/10/2017

Claudia minha filha, 29/10/2017, há a cinquenta anos Deus colocava dentro do nosso lar uma estrela e junto com ela a luz, o amor e a felicidade.

No teu álbum de bebê escrevi este pensamento: trabalha estuda e ama, pois do trabalho vem o progresso, do estudo a luz e do amor a felicidade. Conquistastes tudo isso, eras a nossa menina de domingo.

Ficastes no lugar do teu pai , nos davas amparo e segurança, mas um dia a maldade te tirou de dentro da tua casa e te tirou também a vida, aquela que só Deus podia tirá-la.

Continuas conosco filha, em cada árvore, em cada flor.

Que Jesus te abençoe e te guarde e Maria santíssima te cubra com seu sagrado manto, te amamos!

Mãe.