Despedida

As vezes a vida te impede de estar perto das pessoas que são importantes para você, as vezes os caminhos trilhados foram diferentes, mas o que verdadeiramente importa é que o seu coração te diz, o que realmente sente, aquilo que nunca será apagado. Independente do tempo que separou, ou da situação que afastou, o que importa é o que o seu coração te fala, e o saber do quanto aquela pessoa foi especial.

Hoje uma das pessoas especiais da minha vida se foi, eu não tenho como me despedir, mas queria registrar aqui o quanto foi presente na minha vida, independente do tempo, da distância ou dos caminhos escolhidos que nos afastaram.

Que Deus o abençoe e acolha!

Quem me irrita me domina

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O título parafraseia Elizabeth Kenny que diz que aquele que te irrita, te domina e ela tem toda a razão!

O poder que a pessoa exerce em cima de você quando ela te irrita é enorme, porque ela consegue te tirar do eixo, e se ela descobre isso que pode te abalar, ela vai usar sempre essa tática.

O que temos que fazer quando a pessoa nos irrita é desviar disso, não entrar na mesma energia. Literalmente, sair pela tangente.

Dificil né?! Então, primeira dica, respira fundo, tenta se acalmar. Segundo, sorria. A respiração é uma arma poderosa para que o nosso eixo permaneça onde ele deve estar. Imagina aliada a um sorriso?!

Se você souber lidar com a sua irritação você vai conseguir fazer do limão uma limonada e, se possível, faça uma piada. É como se você usasse um espelho para refletir a irritação, se não pegar em você…

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Você já foi a Bahia nega?! Então vá…

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Sempre que conheço um lugar pelo qual me apaixono tenho vontade de mostrá-lo a todas as pessoas que convivem comigo. Assim foi com Salvador.

Salvador, porque circunstâncias mágicas nos fazem lembrar de coisas boas e Salvador, certamente, é uma coisa ótima em minha vida. Lá tenho amigos que conheci trabalhando e hoje fazem parte de mim. Por eles sinto saudade eterna …

Terra de bons amigos, pessoas queridas, excelentes profissionais, sim na Bahia se trabalha muito e bem! Profissionais que deveriam constar na lista dos melhores.

Salvador tem uma energia mágica, sempre quero voltar, mais e mais … Devo ter ido umas dez vezes, muitas a trabalho.

Quando estava no mestrado um amigo meu, Paulo, me dizia que abriria uma consultoria chamada Rio Vermelho, eu, gaúcha recém cortando o meu cordão umbilical com minhas raízes, não tinha noção do quanto o bairro do Rio Vermelho marcaria a minha vida.

Lá…

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Pavê de chocolate – uma das minhas saudades

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image-1.jpgAtenção – Precisa de tempo para gelar  – 6h

É pavê, o melhor pavê de chocolate da minha vida, minha avó fazia em ocasiões especiais, véspera de ano novo, por exemplo!

Estou revivendo essa lembrança  de criança, porque minha avó fazia ser especial, principalmente as comidas, que eram maravilhosas.

Vamos para a receita:

• 1 caixa de chocolate 200g – de muito boa qualidade

• 1/2 k gordura de coco

• 1 pacote de biscoito champanhe

• 6 gemas

• 6 claras batidas em neve

• 1 xícara de nozes ou cereja em calda ( o que você preferir)

• 12 colheres de açúcar

• 1 xícara de cafezinho de licor

• leite para umedecer os biscoitos

• óleo para untar o prato

• papel alumínio

Faça uma gemada com as gemas e o açúcar, misture o chocolate, derreta a gordura de coco (não ferva, só aqueça levemente para derreter)…

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Férias

Em memória de minha amiga/irmã, Cláudia Hartleben, desaparecida em 9 de abril de 2015…

Para Cláudia

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E então tu saístes de férias, longas, deixando-nos aqui atordoados sem saber para onde viajastes?! Quanta crueldade de tua parte em não nos contar isso, como somos idiotas, não é mesmo?! Estamos aqui firmes assistindo a exposição da tua vida por todos e por ninguém …  Quem em uma teoria insana poderia achar que estás a passeio?! Não estamos fantasiando o teu desaparecimento, mas ainda não temos um corpo, ainda não temos um acusado, ainda não temos um culpado, não temos provas que estás morta… Então, por mais mínima que seja a chance de estares viva, em cárcere, vamos pensar no milagre da tua sobrevivência, mínimo, mas existente. Não importa que estejamos sendo julgados pela nossa fé, acham que não pensamos o pior?! A todo o momento esse terrível pensamento povoa as nossas mentes, já choramos intermináveis vezes por aquilo que não sabemos e nos assombra. Essa situação é um…

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Cuca de liquidificador

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Massa de liquidificador?! Para cuca?!  Por que não?! Quando a saudade bate – ligo o liquidificador, porque não tem outro jeito mesmo.
Aqui queremos simplificar a vida, portanto se quiser uma cuca perfeita acho melhor comprar, perfeita mesmo só comi algumas em minha vida, as da minha avó Olga, as da minha tia-avó Marina,  e algumas da família delas, outras no Rio Grande do Sul. Atualmente, pude conhecer as da Anna Thaís, da Dona Cuca, aqui em Brasília, mas essa agora só em Canoinhas/SC, ela se mudou para lá e nos deixou na saudade…
30 min – 10 porções
Ingredientes para a massa:
  • 1/2 copo de óleo (aquele americano, se não tiver usa o copinho plástico de 200ml)
  • 1 copo de leite
  • 2 copos de farinha de trigo
  • ovos
  • 1 colher de fermento em pó
  • 1/2 colherinha de sal
  • 4 colheres de sopa de açúcar (se quiser uma massa mais…

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Setembro Amarelo

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Vou abrir mão das dicas de sábado para falar de um assunto muitíssimo mais importante, a prevenção ao suicídio.

Entramos no mês de setembro e junto começou a campanha Setembro Amarelo, 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Já falei aqui de solidão, de depressão, agora vou falar sobre suicídio, que cresce ano após ano. Dados oficiais falam da morte de 32 pessoas por dia no Brasil por suicídio. Alarmante e triste!

Antes assunto tabu virou um assunto de saúde pública, precisava ser abordado abertamente para possibilitar às pessoas um grito por ajuda.

O suicídio mata mais que todos os conflitos somados no mundo, quase um milhão de pessoas. Para cada um que morreu existem no mínimo mais 10 pessoas que pensam em fazer o mesmo.

Falar ainda é a forma de possibilidade de ajuda, segundo a Organização Mundial de Saúde 9 dos 10 suicídio que…

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Eu carcereira de mim mesma

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Em agosto, setembro e outubro de 2017 eu estava me recuperando de uma cirurgia do ombro. Estava em casa, com o braço imobilizado, poderia não ter horários, fazer o que bem quisesse, mas a realidade é que eu não conseguia!

Na minha cabeça sempre existiram regras pré determinadas, hora de tomar café, horário de tomar banho, fazer fisioterapia, sentar para escrever, publicar os textos e, assim, tem sido a minha vida. Eu sou a carcereira de mim mesma, prisioneira das minhas próprias regras.

É tão cansativo lutar dentro de si mesma entre cumprir aquilo que se pré estabeleceu e tentar ser um pouco mais livre, menos rígida. Chega a ser frustrante!

Essa luta interior perdura há anos. Eu queria agora ser um pouco mais relax, não tenho obtido muito sucesso nisso.

Tenho um lado prisioneira e outro carcereira, muito rigorosa, acho que muito mais comigo do que com quem convive…

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2017 o ano que continuou em 2018

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Gente do céu, pensem num ano difícil!

No trabalho o ano começou conturbado, joga a gente pra lá, volta pra cá, fica-se no aguardo de melhorias e nada…

Em abril começa um febrão, nos primeiros 10 dias, diagnóstico, virose, o médico mesmo diz, quando não se sabe o que é dizemos ser virose, isso na segunda.

Na madrugada de quarta para a quinta-feira os dois ouvidos estouram, vai para o pronto-socorro, começa o antibiótico. Oito dias depois um formigamento estranho na boca, parecia que a xícara não encaixava direito, vai no PS de novo, no atendimento pedi um otorrino, caí em excelentes mãos.

O médico fala, é grave vou te internar! Oi… O que?! Já ouviram falar em otomastoidite com paralisia facial (essa eu conhecia), nem eu … Me mandou imediatamente para o PS começar a medicação enquanto aguardava uma tomografia cerebral, que confirmou o diagnóstico, 10 dias de hospitalização…

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Uma mulher, um metrô e a vida…

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Todos os dias no metrô ela dormia às vezes sentada, quando dava, outras em pé mesmo, encostada aproveitava os 45 minutos que tinha para descansar, até  chegar à freguesia.

Essa era a rotina, levantar, arrumar rapidamente o café, lavar a louça e sair correndo para pegar o ônibus das 5:30, para conseguir entrar no metrô as 6h.

A vizinha levaria as crianças para a escola, deixava a mesa posta com o café e elas de uniforme, as vestia mesmo dormindo, para não dar trabalho para a amiga.

O marido?! Já tinha se ido, achado outro caminho, sequer tinha notícias dele. O sustento da casa era por conta dela, mas comida na mesa tinha. Podia ser pão dormido com café, arroz e feijão com ovo, mas tinha. Morar no subúrbio era o que dava, no momento.

Sempre dizia às filhas: estudem, nunca dependam de ninguém, a vida só é vivida assim, façam seu próprio caminho.

Nem ela sabia como tinha chegado ali, tanta luta todos os dias. Tanta caminhada para ganhar a comida e o aluguel, mas pelas filhas e o seu futuro valia cada passo.

Estudou até finalizar o segundo grau e casou. Então as meninas teriam muito mais do que ela teve, essa era a meta. Não seriam uma manicure, como a mãe, que ía de porta em porta das clientes, para completar as necessidades da família.  Ela lutava e não recuava em nada.

Sua salvação sempre foi o que sabia fazer, fez um curso profissionalizante curto, mas dava para o sustento. Também escovava o cabelo das clientes mais próximas e sabia maquiar, quando pediam.

Podia completar o sono no metrô, na ida e na volta, era um descanso para o corpo e para a cabeça, sua porção de tranquilidade. Cada dia era mais um para as suas conquistas futuras…

 

Essa foi a história que criei vendo uma mulher dormir em pé, dentro de um metrô, no horário de pico, apenas mais uma brasileira, continuem com suas mentes surpreendentes…

conto de Adrianafetter

 

 

 

 

 

Imaginação

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O que seria de nós sem a nossa imaginação, como seria nossa vida sem sonhar, sem projetar?!

Todo grande projeto sempre se iniciou com um sonho, com uma imaginação muito fértil.

Eu percebo que pessoas com uma imaginação rica, crianças com uma imaginação fértil produzem mais, são mais ativas, querem construir coisas, desenham, parecem ser muito mais alegres do que aquelas que vivem uma vidinha sem muitos recursos imaginários.

Mas também vejo uma questão bem antagônica nisso quando se projeta muitos e sonha muito o quanto de frustração não haverá na nossa vida?! Como aliar o sonhar com o fazer??

Acho que eu gosto tanto de artesanato por isso, porque ali tem uma pessoa que sonha, que constrói o sonho, ninguém fez antes dela, da maneira dela, ela conseguiu concretizar um pedaço da sua imaginação, E a imaginação e o criar de cada pessoa é único.

A minha capacidade de…

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Eternamente Clarice

pós 50

Litoral Portugal

“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

Clarice Lispector – Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

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Preguiça de cozinhar?! Frango 4 latas!

Pode ser sobrecoxas ou peitos de frango vira latas, você escolhe!

Essa receita salva qualquer pessoa numa refeição de última hora. Basta ter em casa um envelope de creme de cebola, e 4 latinhas que quase sempre temos no armário de comidas. O maior trabalho será abrir as latas e virá-las na panela.

Caso não goste de sobrecoxas use peito de frango (grande), 1 peito cortado em 4 partes. E, é claro, o nosso coringa creme de cebolas.

Se não tiver o creme de cebola troque por 1 colher de sopa cheia de farinha de trigo, 3 dentes de alho amassados, pimenta e sal a gosto, misture tudo e passe o frango no azeite e depois nessa mistura.

  • 4 sobrecoxas de frango desossadas cortadas ao meio
  • 1 pacote de creme de cebola
  • 1 lata de ervilha
  • 1 lata de milho
  • 1 lata de molho de tomates
  • 1 lata de creme de leite
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • 1 panela grande

Passe os pedaços de frango no creme de cebolas e leve para dourar na panela com o azeite.

Coloque as ervilhas e o milho, acrescente o molho de tomates e deixe cozinhar por mais ou menos 20 min, ou até que o frango esteja cozido, mexendo algumas vezes. Por último acrescente o creme de leite e desligue o fogo. Está pronto!

Não falei que o maior trabalho seria abrir latas?!

Enquanto está cozinhando o frango faça um arroz e terá uma refeição completa, pois o frango já tem milho e ervilha.

Fácil, rápido e sem ficar horas na cozinha, agora é só curtir suas visitas e deixar o papo rolar.

Sexta-feira deprê

Prazer, eu sou a Adriana, costumo ser alto astral e escrever muito sobre coisas legais também, aqui no meu blog (clica aqui para acessar os outros textos)!

Mas nesta sexta-feira, particularmente, me senti assim, como o próprio nome do post, logo hoje que é sexta-feira.

Desde que acordei me sinto estranha…

Fui ao laboratório buscar a minha biópsia de boca, que a princípio não parece ter nada além do que eu já sabia, que sou portadoras da Síndrome auto imune de Sjögren.

Acho que o lugar onde me indicaram pegar o resultado do exame não ajudou muito, horrível, um papel amarelado escrito a mão Laboratório tal, sem ninguém na recepção, com um monte de papel amontoado, cara de desorganizado e sujo, e tive que chamar uma recepcionista que estava na sala atrás, que, na verdade, era uma cozinha. Aí eu pergunto, se é para ir num lugar destes, porque não mandam pela internet ou para o médico solicitante?! Deprimente!

Minha vida nos últimos tempos tem sido uma peregrinação infernal. Meu rosto se transformou (fotos), precisei muita força de vontade e fisioterapia, para recuperar a Adriana de antes.

Por dois anos em inúmeros médicos, várias especialidades, todos pelo convênio, até que resolvi pagar uma médica particular, que ficou comigo 1h45min, olhando todos os meus exames, de 2 anos para cá. Saí de lá com um diagnóstico definitivo de Sjögren e com uma lista de exames para fazer que confirmariam o que ela mesmo me explicou. Confirmaram!

Me pergunto que diabos de medicina esses médicos atualmente estão exercendo, que não conseguem juntar lé com cré, porque você precisa ir a mais de 10 médicos e depois pagar para obter um diagnóstico?!

Estou cansada, indignada com vontade de chorar e de marcar médico por médico, pelos quais passei, nesses anos, para dizer: era só você juntar as pontas que conseguiria um diagnóstico, porque eu trouxe todos os exames que fiz, mas em 20 minutos, no máximo, nenhum médico conseguiria fazer o diagnóstico correto. O único que me alertava dizendo, “estou tratando uma consequência, precisamos descobrir a causa”, era o meu otorrino.

Passei por várias infecções graves, inclusive cerebral, pneumonias de repetição, crises de asma, que nunca tinha tido, dores articulares horríveis e inchaços articulares constantes, disfunções estomacais e intestinais, disbiose, meu VHS e  também a proteína reativa C sempre altos, muito alto, indicando uma infecção constante, tive uma bronquiectasia, bonquiolite, pico monoclonal IGM-Kappa, um FAN positivo 1/640, no aparelho mitótico, exantemas cutâneos, pressão de difícil controle, labirintite, visão dupla, enxaqueca,  boca e olhos secos e, por fim, uma fadiga extrema. Além de adquirir 11k pelas medicações. Metade de tudo isso eu sequer entendia e olha que sou uma médica charlatã, que lê muito, por ser epiléptica desde os 10 anos.

Tento imaginar como me viam, sem saber o que eu tinha, com essa doença me afetando, dando todo tipo de problema e eu buscando uma resposta com cada médico, fazendo fisioterapia e pilates , acupuntura nas fases agudas, procurando ficar bem e conviver decentemente com as pessoas.

Logo eu, que sempre fui uma pessoa extremamente ativa. Várias pessoas me diziam ou achavam que era tudo da minha cabeça.  As da minha família e minhas amigas não, viam o quanto eu estava debilitada e me davam apoio.

Falar e escrever foi para mim uma terapia alternativa. E um alerta as outras pessoas, que, como eu, não foram compreendidas, no trilhar das suas doenças.

Você não é uma doidivanas! A nossa medicina, com raras exceções, é que está debilitada e com graves problemas.

Afff, depois de desabafar aqui até melhorei! Bom final de semana gente!

A pressa de ser feliz

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Sempre sofri disso, dessa pressa de ser feliz e acho que ela é plenamente justificável.

Agora, na meia idade ela é mais plausível ainda. Tá vendo os relógios aí em cima?! Quanto tempo você acha que ainda tem para ser feliz?!

Outro dia vi um programa no GNT, Santa Ajuda, que a mãe denunciou a bagunça da filha no quarto de costura que ambas usavam e a filha dizia pra deixar a arrumação para depois.

Uma hora a mãe peguntou, depois quando se já estou com 92 anos?

Feliz dela que aos 92 anos ainda pensava em usufruir daquele espaço que lhe era tão caro e lutava para deixar do jeitinho dela e da filha.

Não se trata só da velhice, mas também de não saber o quanto de depois nós temos.  Já contei aqui no blog do desaparecimento, provável assassinato, de uma amiga minha aos 48 anos. Cheia de…

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Ariano Suassuna – também acredito!

Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.

(Ariano Suassuna)

Uma viagem, uma história, muitas vidas

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barcelona grandiosa Museu Nacional de Arte da Catalunha – Barcelona

Conhecer outros lugares novos me refaz. Me formei em Estudos Sociais e depois em História, sou uma apaixonada pelas crônicas da vida. Sim, porque história para mim é um conjunto de crônicas de muitas vidas.

Sagrada Família

Eu tirei a foto do post de um ônibus de turismo, estava em Barcelona e queria conhecer muito mais da história e lugares dessa cidade majestosa, onde ao caminhar se olha para cima, baixo, lados e os detalhes são tantos que provavelmente você perderá 80% deles. Me sentia com saudades e nem tinha ido embora ainda. Queria descer e caminhar por esse lugar grandioso.

Calçada do Parque Guell

Subi nesses ônibus com vontade absorver tudo o que com os pés eu não poderia conquistar e foi pouco. Foram 3 coletivos, o vermelho, o azul e o verde, para sanar a minha sede de conhecimento.

Teto…

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Todos os dias…

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Adriana pós 50

Todos os dias eu sento a frente do computador para escrever, faço disso uma rotina, porque gosto. Tenho um carinho enorme ao fazer isso, sempre me pergunto o que vocês gostariam de ler.

Dependendo da inspiração no dia, chego a escrever uns cinco textos, em outros um ou dois, de vez em quando paro alguns dias para descansar ou quando falta ideias.

Dou uma olhada nas notícias do dia, olho a internet, leio bastante também, faço cursos online, quero sempre me manter atualizada para não ser monótona.

Escrever, para mim, é um prazer, poder compartilhar meus escritos com vocês tem sido sensacional.

Mesmo quando fiz minha cirurgia de ombro tentei antecipar vários textos para vocês até me recuperar melhor, afinal fiquei dois meses imobilizada.

Nem sempre consigo seguir este ritmo, as vezes a saúde atrapalha, mas vou seguindo em frente com apoio de vocês .

Espero que estejam gostando…

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Mais da metade já passou

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E a caminhada até aqui foi longa, muitos trajetos percorridos, alguns retos, outros tortuosos, mas cheguei.

Estava pensando a pouco nos sonhos que não se concretizaram, não sou frustrada porque realizei outros tantos, mas fica aquele restinho de tristeza por não ter feito mais. Parece um contrassenso, porque acho que fiz muita coisa mesmo, até pular de paraquedas, um luxo!

As vezes acho que o que bate mesmo é uma certa melancolia da idade, sabemos que já dobramos o cabo da boa esperança, que o tempo não volta e que já se foi a maior parte de nossa vida neste planeta.

Portanto, acho mesmo que devemos valorizar o caminho que já percorremos e o tempo que teremos para fazer o resto de nossa estrada.

Se quer dançar, dance, vai ao cinema quando desejar, coma aquele doce que você tanto gosta, faz pipoca pra ver TV, sei lá, não fica adiando…

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Lya Luf e a minha compreensão de mundo

Poderíamos aprender tanto com essas palavras! A vida tem nos mostrado que o diálogo está cada vez mais difícil de acontecer, que o ser humano não quer se entender, que o racismo está se impondo e a intolerância também.

As mulheres estão se tornando posse e não apenas um gênero, que é o que diferencia socialmente as pessoas que tem direitos iguais.

Desde quando a xenofobia se instalou em nós?! Somos um país de imigrantes, assim foi a nossa formação, por quê não aceitamos as pessoas de outros lugares?!

Não é este país que quero para meus filhos, para meus netos e seus descendentes. Quero um país que respeite as pessoas, que respeite a sua dignidade.

Espero muito mais dos brasileiros do que a intolerância, o racismo, a xenofobia, o feminicídio e a discriminação que tenho assistido no momento.

Quero um país justo e digno de seres humanos. É isso que espero de nós brasileiros.

Mousse falsa de chocolate

 

Mas é claro que tem uma sobremesa para os pais!

Uma mousse falsa de chocolate, afinal um bom pai merece uma boa sobremesa! Nada de trabalho agora, nenhum, impressionante!

Precisa um tempinho de geladeira, então vamos lá:

  • 3 pacotinhos de suspiros de 100g  (de preferencia os menos açucarados, mais moreninhos) quebrados com delicadeza
  • 1 lata de creme de leite
  • 4 colheres de sopa de chocolate em pó ( chocolate e NÃO achocolatado)

É ridículo de simples isso!  Quebre os suspiros numa vasilha, misture bem o chocolate ao creme de leite e despeje tudo no suspiro. Misture, leve ao congelador ou ao freezer na vasilha, ou em taças, por no mínimo 3 horas, para que os suspiros absorvam o chocolate e fiquem cremosos.

Para deixar mais bonito coloque em cima uma cereja, ou chocolate ralado, ou morangos.

Faça a festa!

Um dia é diferente do outro

Hoje eu estava olhando a internet e ouvi uma música linda, uma homenagem ao dia dos pais.

Resolvi dar continuidade à playlist no YouTube. Aquela seleção de músicas era fantástica e fui tomar meu banho com ela.

De repente me vi cantando loucamente, como há muito tempo não fazia, porque realmente um dia é diferente do outro.

Quando se está doente e diga-se de passagem tem um ano que essa condição se agravou em mim, nem todos os dias dá pra seguir uma rotina legal.

As vezes a minha se resume à médicos, exames, fisioterapia, isso é uma constante. Outras vezes até internação hospitalar acontece, mas ontem numa consulta minha neurologista me falou: menina que fila, hein?! Mas você tem uma cabeça tão boa!

Tento converter tudo em uma lição de vida, um degrau a superar, um passo de cada vez. Minha cabeça nem sempre me dá a positividade que eu gostaria, as vezes é cansativo viver assim.

Confesso que hoje foi diferente! Tinha tempo que eu não fazia isso: cantar.

Óbvio que sou uma cantora de banheiro, do chuveiro, mas sempre gostei e acreditei, principalmente na frase, quem canta seus males espanta!

Botei pra fora! Alegre, feliz e contente, afinal de contas quem me segura sou eu mesma!

É óbvio que as pessoas à minha volta fazem a diferença de qualidade na minha vida, mas é a gente, a nossa auto estima que faz total mudança de espectro.

Hoje dei uma recuperada, uma recauchutada na minha alma e resgatei a Adriana de algum tempo atrás.

Vai lá minha gente solta essa voz, que a vida é para ser vivida intensamente, em todos os momentos!

Menino (AF)

Eu te vi menino do olho triste

E te quis embalar e aplacar tuas angústias

Tirar de dentro d’alma tua

A tristeza dos olhos

E fazer-te livre de ti mesmo

Compreendi, entretanto, que só tu

E não eu, que assim poderia fazê-lo

E saíste pelo mundo a vagar

Procurando o encanto do embalo

Dos braços que haveriam de te afagar

Da alma que um dia irá te acalentar

Vai menino…

Vai tristeza …

Segue minha vida.

Poesia Adrianafetter

Amantes (AF)

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O Corpo pede beijos

A alma cobra afagos

O espírito espera completude

A carne quer ser tocada

O interior deseja o companheiro

O exterior anseia pelo amante

As mãos pedem o encontro

Os corpos pedem o toque

Meu eu tem fome

De amor

De paixão

De troca

De permissão

De desejo

Do pecado da gula

Da gula da carne

Do teu eu

poesia de Adrianafetter

Vó Olga

A maior parte das minhas receitas vêm dela, sem ela não haveria nenhuma, sem a influência da vó Olga na minha vida. Com ela aprendi a cozinhar e apreciar a boa comida.

Era só ficar ao seu lado e olhar essa mulher que acordava as 5h para acender o fogão a lenha, bater manteiga, fazer o pão, os bolos, os doces, as geléias, matar a galinha, assar o frango, produzir a linguiça e os embutidos, os doces em calda e em pasta, os sucos, podar as parreiras e as árvores, para ter maior produção no ano seguinte.

Era tanta coisa que ela fazia durante o dia e a melhor coisa era seguí-la de uma atividade para a outra, observando essa mulher tão calada quanto dinâmica.

Na sua mesa nunca faltava comida, nunca, nem nos intervalos entre as refeiçoes, tinha sempre lá café, leite, pão, manteiga e geléia, para quem quisesse chegar, tudo feito em casa.

Não há neto que não tenha sido tocado pela sua presença ou ganho um bolo absolutamente recheado de aniversário.

É tanta lembrança boa, nossa, como tenho isso…

Esse mês, o dia 26 é consagrado aos avós, feliz dia vó! Meus parabéns a todos os que são avós e avôs aqui na página!

A vó Olga já se foi, mas hoje tem bolo no céu! Beijos

Sorvetão com calda de chocolate

Para mim não importa se está ou não frio, sorvete sempre é perfeita escolha.

Se estiver frio, então, porque não inovar e fazer essa receita de sorvetão?!

Para começar:

– Calda de chocolate

Misture bem 10 colheres de chocolate dissolvidas em 9 colheres de água numa forma com buraco no meio, leve ao congelador por no mínimo 3h.

– Creme do sorvete

1 lata de leite condensado;
1 lata de leite (a mesma quantidade da do leite condensado);
3 gemas peneiradas;
3 colheres (SOPA) de maisena,
Leve ao fogo até engrossar
Deixe esfriar

Após junte:
3 claras batidas em neve, para cada clara 2 colheres de açúcar
1 lata de creme de leite
misture levemente com o creme já frio.
Coloque na forma por cima da cobertura de chocolate congelada, depois de 6h no congelador (ou freezer) estará pronto

Tire do congelador 20 min. antes de servir.

Desenforme e cubra com amendoim ou castanhas de caju moídas.

E o regime vai bem?!

Diário de um IGM – Kappa e de uma Síndrome de Sjögren

Depois de varias doenças e percorridas a médicos para investigar as causas, todos os tipos de fisioterapia, ortopédica, neurológica e pulmonar durante meses, resolvi procurar uma hematologista, afinal todos os médicos pedem exame de sangue.

Assim começa esse diário… Descoberta, uma gamopatia monoclonal IGM kappa, por algum motivo o corpo faz uma mutação genética em parte do sangue, simplificando a explicação.

Consulta com a hematologista, 2 infecções pulmonares de repetição e varias outras no decorrer de 2017/2018. Ela pede uma tomografia de pulmão e exames complementares de sangue. Na coleta de sangue no laboratório soube que um dos exames iria para São Paulo, imunofixação de proteínas séricas – nunca ouvi falar, resultado, no início de março o laboratório de SP não libera o resultado, faltou um insumo.

Levo os demais resultados para a pneumologista, ainda estava em tratamento para pneumonia, um pequeno nódulo no pulmão, provavelmente a cicatrização das pneumonias.

Volto para a hematologista, com resultados parciais dos exames de sangue, a princípio tudo bem, pego outro pedido para fazer o exame de SP em outro laboratório.

Coleto o sangue na mesma tarde, resultado em 3 dias úteis, iria para análise em Belo Horizonte. Na liberação do resultado descubro que o atendente registrou o exame errado, ELETROFORESE de proteínas séricas e não IMUNOELETROFORESE, compreensível, nomes quase idênticos.

Em contato com o laboratório o pedido de desculpas e nova coleta de sangue uma alteração: PRESENCA DE SUGESTIVA BANDA MONOCLONAL NA REGIAO DAS GAMAGLOBULINAS. SUGERIMOS IMUNOFIXACAO.

No exame correto a confirmação do diagnóstico anterior que havia sido liberado por SP também, logo depois: presença agente monoclonal IGM KAPPA, procuro no doutor Google e não gosto dos resultados.

Final de março levo o exame para a hematologista, fica surpresa com o resultado de monoclonal IGM KAPPA, me explica que é uma doença dos nossos plasmócitos, que deveriam produzir varios tipos de combate para as varias doenças que somos acometidos, o termo monoclonal significa que só está sendo produzidos um, o IGM KAPPA.

Fala de investigar melhor, explica duas doenças possíveis, macroglobulinemia de waldenström ou mieloma múltiplo (legal, né?! Quase infartei).

Num futuro próximo vai investigar a minha medula, por enquanto mais exames de sangue e uma tomografia de abdômen para investigar algum nódulo. Óbvio que fico assustada.

Em abril a gastroenterologista, já que junto com a pneumonia fiz um tratamento para combater o H. Pylori, pede uma nova endoscopia, a conversa me deu mais segurança, disse que minha hematologista é ótima, foi sua residente na UnB e era excelente.

No dia de retornar a hematologista temos uma longa conversa e estudados vários exames a médica me diz que o meu caso é, por enquanto, de acompanhamento, faremos sempre exames de monitoramento,  mais para a frente uma punção de medula óssea, para investigação, uma prática de rotina para quem tem essa Gamopatia monoclonal, ainda sem causa determinada, após verificar meus exames e tomografia. Pede que eu procure um reumatologista para investigar doenças autoimunes.

Faço nova endoscopia, resultado, ainda com H. Pylori. Inicio novo tratamento.

Maio tento esquecer tudo e vou para Pelotas para passar o aniversário da minha mãe com ela.

Na volta vou para o reumatologista, novos exames de sangue, todos não reagentes, mas descobri que em 2015 teve um reagente que passou desapercebido.

Junho, nova infecção, laringite agora, 12 dias afônica, meu otorrinolaringologista pede para que eu volte a gastro para investigar refluxo. Começo o tratamento para laringite e refluxo.

Também tenho que voltar ao endocrinologista, rotina de anos, afinal tenho nódulos na tireoide e sou pré diabética. Ele, a gastro e o otorrino pedem que eu consulte um clínico geral ou imunologista.

Nas minhas pesquisas encontro uma médica clínica geral e imunologista, com varios elogios. Marco a consulta levo todos os exames desde 2015, quando os problemas começaram a ficar mais agudos.

Ela analisa com toda calma comparando todos os resultados e meu histórico, respondi a varias perguntas, inclusive sobre ressecamentos de boca e olhos.

Ficamos 1h e 45 minutos. Finalmente um diagnóstico, síndrome de Sjögren, doença autoimune difícil de diagnosticar.

Agora estou fazendo novos exames para confirmar o diagnóstico. Cintilografia de carótidas, teste de Schimer e Rosa Bengala com oftalmologista e biópsia de gengiva com cirurgião de cabeça e pescoço.

Já fiz os dois primeiros e irei amanhã numa cirurgiã de cabeça e pescoço.

Mantive todas as fisioterapias, porque tenho dores constantes na coluna e em todas as articulações, que inflamam, só essa atividade e a acupuntura amenizam. Faço também RPG.

Visitei também a minha neurologista, sou epilética, comecei a tomar um novo remédio, para daqui a 30 dias retirar o antigo, para não ter complicações com interações medicamentosa, caso o tratamento para a síndrome se torne uma realidade.

Cansaram?! Imagina como eu estou, confesso que estou cheia, mas sempre enfrentei todas as doenças que aparecem no meu caminho.

Atualmente, estou fazendo um tratamento homeopático para me manter bem, cabeça legal é 50% de êxito nos tratamentos de doenças autoimunes, então vamos lá, vida que segue!

Lentilhas para o Ano Novo


Achou mesmo que eu ía te deixar na mão no Ano Novo?! Mas é claro que não!

Lentilhas são uma refeição completa e, segundo a tradição, deve ser comida na passagem do ano. Você vai se animar depois do primeiro prato.

Ingredientes:

  • 1 pacote de lentilhas (500g )
  • 1 cebola pequena
  • 1 cabeça de alho  picada (6 dentes)
  • 1 pacote de linguiça calabresa defumada
  • 1 pacote de costelinha de porco defumada
  • 5 fatias de bacon picadinho (50g)
  • 3 litros de água
  • louro a gosto
  • Sal e pimenta a gosto

Doure o bacon, a costelinha e a linguiça com a cebola picada e o alho, na panela de pressão, acrescente a lentilha, mexa bem (como se refogasse arroz), coloque a água quente, tampe a panela de pressão e cozinhe por 30 min após chiar.

Depois disso tire a pressão e veja se a lentilha cozinhou e está cremosa, coloque o sal e a pimenta. A lentilha estará pronta quando ficar cremosa.

Faço todos os anos e a família ama!

Me Acolhe (AF)

Meu verso âncorou fora de mim.
Não há vida sem expressão.
Me instiga a necessidade da escrita.
Na madrugada as estrelas são a companhia de que desfruto.
O silêncio de teu dormir não alenta.
Minha alma nunca dorme.
Quando fecho os olhos já é dia.
Tenho de recomeçar.
Quando o que mais quero é recolher. Me acolhe!
Preciso descansar. . .
Sou inquieta, estou as escuras, o que importa?
Só se entregar …

Poesia de Adrianafetter

Parabéns para vocês!

Um ano de site, um ano de página Pós50. Queria agradecer a vocês que fazem comigo esse trabalho.

Vocês que me lêem, que curtem, que compartilham, que fazem críticas, todos colaboram para o meu crescimento.

Tenho um agradecimento em especial para Sandra Aguiar Corrêa, que se tornou uma amiga neste desenvolvimento. Nunca nos vimos pessoalmente, pela distância, eu moro em Brasília e ela no Cassino, a praia de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Metade do trabalho na página Pós50 é dela, eu cuido mais do site, e no grupo de mulheres é quase completamente dela. Tenho sempre uma frase que digo pra ela, nunca te vi, sempre te amei, que aliás é um título de um filme maravilhoso que trata de uma relação de amigos à distância, sem nunca terem se encontrado, ainda na época das cartas.

Queridos obrigada por neste ano ter tido a companhia de vocês!

Horizontes

Ela tinha um olhar triste, o horizonte parecia não ter fim, assim como o seu sofrimento.

Não entendia o porquê de continuar ali, na verdade só fazia pela filha, queria lhe dar um futuro melhor que o dela.

Respirava fundo a cada dia e pensava, ela merece ter uma vida melhor que a minha.

Os dias passavam lentamente, quem mandou não estudar?

Dependia completamente do salário do marido, pelo menos ele pagava o estudo da menina e o plano de saúde, para ela restava a fila do postinho.

Antes do casamento todos lhe diziam é um partido de ouro você tirou a sorte grande, ela também pensava assim.

Homem estudado, tinha feito administração, trabalhava numa boa empresa ía lhe dar uma vida de futuro.

O futuro foi uma casa para limpar, que ele sempre dizia que não brilhava o suficiente, a comida para fazer, que nem aos pés chegava perto da da sua sogra e as roupas para lavar e passar. O esposo reclamava sempre do colarinho, não estava branco como deveria e sequer bem passado. Para que casara com ela, então?!

Tinha pensado em ser normalista, mas o pai não aprovara, isso iria atrasar o casamento e o genro o agradava muito, não queria que a filha perdesse essa grande oportunidade na vida.

Rita via os avanços da sua filha, melhor aluna na escola, valia qualquer sacrifício, ela realmente venceria, ficaria nesse casamento infeliz, a filha se formaria, como o pai, ela compensava sua tristeza com isso.

O inesperado um dia aconteceu, ela se apaixonou platonicamente pelo colega do marido, que sempre era convidado para sua casa.

A tratava com gentileza, um dia levou flores para agradecer pelo jantar. Percebia nele a amabilidade que nunca tinha visto seu marido lhe dispensar. Respondeu com um sorriso tímido: não precisava.

Ficava esperando Juvenal convidar o Roberto mais seguidamente, esses pequenos momentos lhe preenchiam o coração, mas não queria dar na vista, nem para o marido nem para a visita.

Bastava aquela visita para compensar os dias de tédio. Caprichava no jantar, sempre seguidos de elogios do convidado.

O marido, por sua vez, quando Roberto ía embora, lhe dizia: pelo menos na frente dos meus amigos eu não passo vergonha com a sua comida, por que não cozinha assim todos os dias? Podia caprichar mais para mim.

Ela nem ligava mais para as reclamações, estava feliz, não sabia explicar, mas estava feliz. Sua auto-estima aumentou. Resolveu mudar.

Procurou cursos na internet, em casa mesmo, queria se atualizar, preencher suas horas vagas.

O primeiro que encontrou que lhe agradou, como fazer uma maquiagem leve, sem muitas complicações. A partir daquele dia, seu rosto maquiava.

Depois achou um de empreendedorismo, o marido sempre falava nisso, ela quis entender do que se tratava, como gostou desse curso, pensou nas possibilidades de ganhar um dinheirinho próprio. Só não sabia como. Então pensou nos brigadeiros das festinhas da filha.

Fez um teste, uma panela de brigadeiro bem caprichada, enrolou bem bonitos. Ofereceu para S. Walter vender os doces na mercearia. Ele aceitou, deu um aviso: fico com esses se venderem bem encomendo mais. Vendeu!

Aos poucos Rita foi adquirindo uma chama interna que a impulsionava a crescer, percebeu que não dependia dos elogios de Roberto, mas que foi muito bom ter sido elogiada. Fez com que ela percebesse sua própria existência, descobriu a motivação.

Roberto deixou de ir jantar, trocara de empresa, mesmo assim isso não a abalou, tinha retomado sua felicidade interior, se gostava, se bastava.

Crescia com novos cursos descobertos, já fizera de o brigadeiro gourmet, bolos caseiros, de festa, investia no que entendia e gostava de fazer. Pela primeira vez se sentia valorizada por algo que executava.

A vizinhança encomendava, entrava um dinheiro extra, até a relação com Juvenal estava diferente, parecia que lhe respeitava mais.

Rita via o quanto se gostar transformava aos poucos a sua vida, ela se dera respeito e se fazia respeitar.

Aos poucos o horizonte se ampliava, ela se transformava e sua vida também.

Conto de Adrianafetter

Política – a minha ótica

Sempre fui servidora pública, por gostar das políticas sociais e de desenvolvimento, tenho 55 anos e há 45 acompanho a política brasileira.

Sim, comecei mais ou menos com 10 anos a ter noções sobre o que era a vida partidária. Era comum em casa se discutir política. Numa família em que de um lado havia os conservadores e de outro os questionadores, ambos disputavam as urnas.

Minha formação e consciência política começava assim. Além dos livros que meu tio Paulo seguidamente me emprestava.

Sou absurdamente defensora da democracia, vivi o regime de repressão e a redemocratização de nosso Brasil.

Tenho uma percepção que até hoje o que nos falta é memória, pois políticos da minha infância continuam no cenário nacional, mesmo acusados, alguns julgados e condenados, sendo votados eleição após eleição.

O que deve mudar?! Com certeza o nosso voto, nós a chamada população brasileira! Se eles não mudam, podemos mudar a posição que eles ocupam, trocar a pessoa que estará lá nas próximas legislaturas e no executivo.

Mas cuidado, estamos lidando com o nosso futuro, não jogue esta oportunidade no lixo, sequer faça dela uma aventura. O seu voto junto com os demais podem mudar o nosso país. Vamos renovar.

Pense no país que você quer, deixe de pensar só nos seus interesses!

Eu votarei em mulheres, por quê?! Não me acho representada, os homens que fazem as políticas para as mulheres, eu te pergunto, o seu namorado, marido, irmãos te entendem?! É fácil achar o porquê. Além do mais somos 52% da população e 10% no Congresso, continha que não fecha essa.

Também não acredito em quem só fala, vive da política, virou um profissional dela, com salário garantido no final do mês, e, na real, nunca fez nada para melhorar a vida dos brasileiros, não vai ser agora que irá fazer.

É isso, não vou me furtar, vou votar, vou mudar para a política que quero ver ser implementada…

As ruínas do preconceito

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Rute pegava o metrô todos os dias, ía cedo para o trabalho, nem sempre conseguia entrar no vagão exclusivo para as mulheres, as vezes cheio demais, outras ele já estava parado na descida das escadas. Tinha que correr e entrar na primeira porta do vagão.

Via muitas colegas reclamarem do assédio nos transportes, nunca tinha visto nada, então, em na sua cabeça já tinha um pensamento pronto, deve ser a roupa ou os modos delas, por isso venho sempre vestida como mulher de respeito, ninguém me incomoda.

Nem dava ouvidos, afinal a culpa era delas que não se davam ao respeito. Ela tinha sido muito bem educada, na igreja todos elogiavam sua seriedade.

Ouvia, vez em quando, maledicências na sua paróquia. Algumas famílias tinham se mudado, falaram que o padre não era sério. Como assim?! Até nome de santo ele tinha! Padre Antônio, era caridoso, ensaiava o coral de meninos, que tratava com muito carinho. Do pastor da igreja da Dona Cida também tinha comentários, de desvio de dinheiro e envolvimento com mulheres do Bairro. Para Rute era muita maldade dessa gente, ficar falando desses homens escolhidos para pregar a palavra de Deus.

Na segunda-feira se atrasou, cinco minutos, mas o metrô não espera, correu, passou seu cartão na catraca, desceu a escada rolante pedindo licença, se lamentando, como fui deixar isso acontecer?! O chefe não gosta de atraso, tá certo que ele chega bem depois, mas liga só para saber se já cheguei, diz que é para dar bom dia, é uma gentileza e eu atrasada.

Nem sabe como conseguiu entrar no vagão, lotado, e as portas fecharam. Na sua frente um senhor muito distinto, sorrindo deu bom dia, tinha conseguido vencer o atraso, estava feliz. Ao lado um rapaz exótico, logo pensou, como essas pessoas conseguem se vestir assim?! Mas o rapaz respondeu ao seu bom dia, educadamente. Ao menos sabe dar um bom dia.

Que senhor distinto, barbeado de terno estava impressionada. Ele se aproximou como se fosse descer do vagão. Encostou nela, pensou nossa está muito cheio isso aqui hoje. O senhor não desceu, continuou encostado nela, que ficou dura, não conseguia nem olhar para os lados constrangida,  de repente ela sentiu que ele se mexia ao seu lado. Deve estar pegando a carteira, deduziu.

Os movimentos foram ficando ritimados e intensos. O jovem esquisito se colocou entre os dois e começou a gritar, não tem vergonha não?! Se veste assim para que se vai despeitar uma mulher?! Aí ela teve coragem de finalmente olhar, seu sapato estava todo molhado, gosmento. As lágrimas afloraram e escorreram dos seus olhos. Ela tremia feito vara verde.

O rapaz lhe disse, moça não fique assim, eu vou lhe ajudar chamou guarda do metrô enquanto segurava a gola do terno do sujeito. Todos foram para delegacia, ela cheia de vergonha, se perguntava o que estava  acontecendo.

Tinha uma repórter lá, quis entrevistá-la, saber o que tinha acontecido. Ela mal balbuciava a sílabas, o rapaz então disse: essa moça entrou no metrô, estava muito cheio e aquele carinha, todo engravatado, se masturbou ao lado dela, sujou os pés e o sapatos que ela está usando, um sem vergonha sem caráter. Ela está muito nervosa então resolvi vir junto na delegacia para poder ajudar.

Ela não entendia mais nada o senhor distinto era um depravado e o moço esquisito era uma boa alma, a cabeça girava, o mundo de repente havia se transformado num desconhecido. Pediu para chamar o marido. Dentro dela havia uma culpa que latejava se perguntando o que tinha feito de errado.

José chegou com a cara amarrada, perguntando logo o que foi que você fez Rute, não se dá ao respeito?! Avançou para cima do Tiago, logo achando que ele era o causador de tudo aquilo.

Rute gritou, pára José, o moço me ajudou tempo todo.

Então quem foi o desgraçado Rute?! Foi esse homem de terno, respondeu ela acabrunhada. O de terno?! Jose incrédulo replicava, não é possível ele é um senhor distinto. Quando chegarmos em casa vamos conversar dona Rute!

Tiago tentou explicar que ela não tinha culpa alguma, que a única coisa que a coitada fez foi entrar no vagão do metrô. José alterado falou: sai daqui, você não entende nada, todo estranho, usando esse rabo de cavalo, deve ser mais um depravado da vida.

Rute agora chorava de vergonha, de tudo, inclusive do marido. Como esses anos todos ela tinha convivido com esse homem, que, naquele momento, desconhecia. Se davam tão bem, ele sempre falou que tirou a sorte grande em casar com ela, uma mulher de respeito. As palavras de Tiago a fizeram entender que a culpa não era dela.

Tiago antes de sair disse: dona Rute vou deixar o número do meu telefone, se a senhora precisar do meu depoimento, estou a suas ordens.

José gritava: sai daqui moleque. Virou para Rute dizendo: nunca pensei que você fosse me humilhar desse jeito, que vergonha meu Deus.

Ao chegar em casa ela só queria esquecer daquele dia, ainda tinha que explicar para o chefe que estava na delegacia, não sabia o que dizer, então disse que esclareceria no dia seguinte.

José começou a gritar novamente, ela virou para ele,  olhou no seus olhos chorando falou: para de gritar eu sou a mesma Rute, não fiz nada demais, eu não sei porque aquele homem fez isso. O Tiago foi um anjo que Deus mandou na hora para me ajudar.

José alterado falava que ele era apenas um fedelho se aproveitando da situação para aparecer.

Pela primeira vez Rute via o marido como ele era e refletia sobre ela mesma.

Tomou um banho, fez um chá e ficou pensando nas meninas do trabalho, em tudo que elas já tinham lhe contado, nos desrespeitos que sofriam nos ônibus, no metrô e na rua.

Uma delas até se separou do marido. Um homem a agarrou, tentou estuprá-la e levar para uma rua escura, na volta do trabalho. Conseguiu escapar com as roupas rasgadas. Desde aquele dia o marido desconfiava dela e a chamava de vadia. O casamento ficou insuportável, ela saiu de casa. Os pais condenavam a decisão de Maria, dizendo que casamento era para vida inteira.

Maria procurou um grupo de ajuda, lá encontrou outras mulheres que falavam de suas dores, da solidariedade feminina, uma tal sororidade e a união de forças entre elas, do tal feminismo.

Rute achava tudo aquilo uma bobagem, coisa de mulher que não tem o que fazer, mas percebia que fazia bem a colega participar do grupo, então ficava na dela.

José naquela noite não quis deitar na mesma cama, foi dormir no sofá. Achava que a mulher tinha se mostrado, essas coisas não acontecem com mulher séria, matutava.

Rute, no dia seguinte, acordou com uma coragem que nem ela sabia de onde tinha tirado, disse para José: eu sei quem eu sou e sei o que faço e o que não faço. Você casou com a mesma mulher que está aqui na sua frente, dizendo que não fez nada para aquele homem, apenas deu bom dia quando entrou no vagão. Não estou mais te conhecendo José, você não é o homem com quem me casei, que fez os votos na igreja comigo, acho que você não entendeu os nossos votos, então vou falar de novo: prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe. Então José eu vou trabalhar, enquanto você decide onde vai dormir hoje a noite.

Ela ignorava nela essa pessoa que estava falando, mas gostou ao ver a cara de surpresa do José, que agora desviava o olhar envergonhado.

O caso apareceu na TV. Quando ela chegou ao trabalho todos já sabiam. Maria veio correndo e lhe deu um abraço, dizendo estou contigo Rute, pode contar comigo.

Rute chorou. Outras colegas também abraçaram, algumas ficaram em seus cantos, como ela já tinha feito antes, deviam estar pensando que ela tinha merecido o que aconteceu.

Ao chegar na sua mesa havia uma flor com um bilhete do chefe: bom dia Rute, já sabemos o que aconteceu, se quiser pode vir falar comigo, mas não precisa se explicar.

Abatida, no trabalho ela encontrava agora o apoio que tinha esperado de José, o abraço que queria e o afago na sua alma que estava machucada.

Na hora do almoço procurou a Maria, pediu: quando tiver a próxima reunião do seu grupo eu gostaria de ir e participar, por enquanto você pode me explicar o que  é esse feminismo que você tanto fala?!

No seu íntimo nascia uma nova mulher, ela ainda não entendia quem era. Se percebia cheia de preconceitos. O rapaz, que ela havia julgado no metrô, foi o primeiro a ajudá-la e agora no trabalho recebia o afago da Maria e do chefe, aquela guarida que ela nunca deu para outras colegas angustiadas e que José se recusou a lhe dar também.

Seus antigos preceitos ruíam, junto derrubavam os muros dos seus preconceitos. Rute começava a descortinar um mundo e uma vida desconhecida, teria que varrer as velhas ruínas e se reconstruir.

Conto de Adrianafetter

O copo

Ela caprichava na limpeza da casa, afinal tinha acabado de mudar para o centro, queria tudo brilhante, mesmo que sempre tenha sido asseada.

Agora que tinha mudado para o centro. Finalmente ela e o marido haviam saído da Fazenda Couto, 29 assassinatos de fevereiro a abril, aquilo não era vida. O Alto de Amaralina era o paraíso.

O tempo de ônibus então, oxe oh gente, aquilo que era vida, chegava no Rio Vermelho rapidinho, era só subir a rua e estava em casa. Carlos, seu marido também, pena que peão de obras nunca sabe o endereço da próxima onde será.

Tinha tanto orgulho da sua vida, fez até a quarta série, depois um curso de cozinha no Senac, facilitou muito a vida para conseguir o emprego na casa da D. Mercedes. Ela sempre lhe dizia: Rosilene você é uma banqueteira de mão cheia.

Acordava às 5h, para cozinhar antes de pegar no batente, fazia a marmita do marido rapidinho. Era econômica, aprendeu no curso a reaproveitar tudo, sabia até fazer salpicão de cenoura, repolho, casca de abóbora e um pouquinho de frango, era um elogio só na família. E o seu bolo de casca de banana então?! Só ela sabia o segredo.

Só se incomodava com uma coisa, o copo. O marido saía às 6h, ela as 6:30. Enquanto a comida ardia no fogo, ela limpava e arrumava a casa. Deixava tudo organizado, a noite era só lavar e passar a roupa. Na hora de sair, passava um batom e tomava um copo d’água, que quentura é essa da Bahia, gente?! Corria para não perder o ônibus das 6:20. Não gostava de atrasar.

Na pressa o copo ficava em cima da pia.

Carlos chegava antes dela, que só voltava para casa depois de servir o jantar da D. Mercedes.

Era só ela entrar em casa, antes mesmo de beijar o marido e ela já ouvia: que diabos Rosilene, todos os dias é a mesma coisa, não consegue lavar um copo?

Ela suspirava pensando, “Que homem é esse que não vê tudo que faço em casa? Só fala desse maldito copo?!” Ele não via, não percebia o quanto ela trabalhava para deixá-lo feliz.

Dentro dela havia uma revolta latente. Pensava, o copo vai ficar na pia mesmo, não vou perder o meu ônibus por conta dele.

E os dias íam passando e a reclamação era constante ao chegar em casa. Por orgulho ela começou a deixar o copo todos os dias em cima da pia.

Era um copo de requeijão que a dona Mercedes tinha dado para ela. Os do casamento, comprados nas lojas americanas, estavam guardados embaixo da cama, não ia usar copos tão bonitos. D. Mercedes sempre dava mesmo, tinha mais de uma dúzia.

Pensava, que gente, vai gostar de requeijão assim! Coisa mais sem graça, bom mesmo é minha tapioca com manteiga de garrafa.

Chegou em casa naquele dia cansada dona Mercedes tinha convidado 12 pessoas para jantar. Mas fazer o que? Era o serviço dela…

Carlos estava revirado, nossa, cruz credo, o homem tava vermelho, já começou a esbravejar, não sabe nem lavar um copo?! Que coisa Rosilene!

No dia seguinte ela acordou mais cedo, fez todo o serviço de casa, esperou Carlos sair.

Pegou seis copos de requeijão. Passou batom vermelho, beijou cada um deles e deixou em cima da pia, como um beijo para o marido. Carlos não é pessoa ruim, só vive muito cansado, ela pensava, sempre desculpando.

Saiu para o serviço sem nenhum atraso.

Quando voltou começou a ladainha copo pra cá, copo pra lá e ela ouviu calmamente. Afinal, Rosilene era pacata não gostava de briga.

Ela então se aproximou da pia, pegou o primeiro copo e atirou nos pés do marido. Fez assim com o segundo, com o terceiro, com o quarto, com o quinto e com sexto. Enquanto ele gritava: o que é isso mulher?! Você enlouqueceu?! Não é de briga mulher! O que está acontecendo? Porque isso? Eu eu só falei do copo, eu não fiz nada! E os cacos explodindo e sendo atirados para todos os lados.

Naquele dia ela não disse uma palavra, não lavou nem passou a roupa, foi deitar e dormir, afinal era filha de Deus.

Quando acordou dia seguinte a cozinha estava varrida, Carlos tinha feito o café, lhe deu um beijo e foi para o trabalho.

Daquele dia em diante, quando Rosilene chegava da casa da D. Mercedes, não encontrava mais o copo na pia, ele já estava lavado e guardado na prateleira de baixo.

Conto de Adrianafetter

Comunhão (AF)

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Estranho perceber
Que a vida pode ser muito mais
Mais carinho, ternura, afeto…
E, isso, aos poucos me tomar conta
De uma forma inusitada
Como se o universo me penetrasse
Fazendo aflorar todos os sentidos do corpo
E saber, que você amado e desconhecido
Venceu as muralhas que resistiam bravamente
Para que finalmente eu fosse sua
Sem restrições, só sua!
Apenas sentindo …
Comungando em seu corpo
Sem nunca tê-lo tocado
Mas sendo completamente tocada por você
Não sei se isso é poesia,
Só sei que meu corpo leu cada verso!

poesia Adrianafetter

O melhor carnaval da minha vida

Naquele dia minha amiga me disse: porque não gostas de carnaval? Pensei um pouco, reservadamente, em minhas lembranças infantis, homens mascarados, encapuzados com uma fronha preta enfiada em suas cabeças, com olhos e bocas vermelhas, se aproximavam gritando, ainda me causavam arrepios, não era festa, era medo.

Era apenas uma mera conversa, mas a mente adentrava em seus labirintos sombrios. Respondi, não sei, apenas não gosto.

Regina me disse, já fostes à Salvador?! Eu apenas passara por lá, sequer tinha idéia do que era o carnaval na Bahia.

Ela emendou: você não gosta de carnaval porque nunca foi ao de Salvador, lá o carnaval é do povo, vou todos os anos.

Pensei cá com meus botões, duvido, mas apenas sorri.

Naquela época eu mal vivia, cumpria rotinas, em casa, no trabalho, como uma boa esposa.

Casada com um homem aparentemente carinhoso, havia um domínio ferrenho da minha vida, eu sequer percebia minhas correntes. Apenas segui meu caminho achando que era feliz.

O controle não era claro, aparente, vinha em perguntas simples: passou na padaria, temos lanche, que horas chegou, almoçou onde, por que demorou tanto? Ou opiniões sobre amigas, melhor se afastar, não está a sua altura.

Ao tempo que se mostrava uma vítima para mim: não almocei, a comida estava intragável, você não cuida direito da casa, esperei até essa hora para você trazer um lanche decente, me sinto mal quando você sai com colegas de trabalho, sempre existe um perigo de uma interpretação indevida, estou cuidando de você.

Nunca viajávamos, apenas para visitar a família, qualquer outro plano estava fora de cogitação, sempre era caro demais e um gasto desnecessário.

Fui envelhecendo aos 30 anos, me vestia como uma idosa, o brilho do olho não existia mais, eu só trabalhava, muito. Era a minha fuga da infelicidade instalada aos poucos, despercebida por mim.

Um dia ele se foi, não havia mais a quem dar explicações, eu podia sair, eu podia respirar, sem reclamações, enfim só.

Assim a vida se descortinou, podia simplesmente percorrer a cidade de carro, sem horário para chegar em casa, ver as novas árvores floridas, como nunca as tinha visto.

Então, arrebentando de vez os grilhões, resolvi finalmente passar o carnaval em Salvador. Sem compromissos, conhecer o que a Regina falava ser o melhor carnaval de sua vida.

Queria dançar rua afora, mostrar a todos a minha alegria, me diziam, se quiser você será beijada a cada metro. Mais que beijos eu queria o prazer de estar comigo.

Estava solteira, feliz, e na rua dancei, precisava voltar a me amar, ver um mundo novo de cor, deixar a vida me levar.

Era tanta gente resplandecente, eufóricos, desde a Barra até Ondina. Me contagiei nesta opulência. Olhava para os lados e podia perceber aflorar por todos os meus poros os meus sentidos.

E no bloco dos mascarados esbanjei, o caramujo se abriu ali, cantando e dançando nascia uma mulher que prometia a si mesmo nunca mais deixar de viver.

Conto de Adrianafetter

Conto de uma paixão em devaneios

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Quando cruzamos nossos olhares, tu ainda ajoelhado, acabaras de escrever o poema, eu finalizando as máscaras com as quais iríamos encenar, já sabíamos, que, de alguma forma, havíamos estabelecido um encontro. Senti assim. Foi de fato a primeira vez que nos vimos, apesar dos três dias já passados na oficina.

Nos contemplamos assim o dia todo, os olhos rapidamente se fitavam, surgia um sorriso breve e voltávamos às atividades.

O dia durou 48 horas, como demorou, a confraternização nunca chegava, ali estaríamos livres.

A noite, trocando conversa com colegas, senti tua mão nas minhas costas até encontrar a minha, ficamos assim de mãos dadas, sem que ninguém percebesse. Criastes uma forma de discrição nova, a tua mão direita pegava a minha esquerda pelo dorso.

Numa troca rápida de palavras, a sós no meio de todos, te falei do meu nervosismo, a resposta que ouvi foi sensível, homens também são assim, voltam a ser adolescentes, só não demonstram nem confessam. Voei nessas palavras…

Não tivemos a oportunidade de nos conhecer por palavras, a atração mútua nos calava tal a intensidade.

Entendi que eras livre como eu e me atirei…

A tua barba roçava na minha pele enquanto éramos iluminados pelo luar.

Dia seguinte iríamos partir, tu regressarias para a chapada. Eu não sabia se era um encontro intenso de um único dia.

A troca havia sido intensa, não sei qual disputa era maior, pele ou palavras. Nos veríamos em algum futuro, quando ou onde não sabia.

Não tive reservas contigo, me destes essa oportunidade e foi tão bom, tão especial, para alguns apenas cama, para mim um momento em que a lua surgiu na janela e me abençoou, porque eu estava contigo, um homem singular.

Tocamos nossas vidas e uma pergunta latejava, quem somos nós?

Ficou o teu dizer: querida a sua imagem é tão leve que voa.

Quando te encontrei novamente estava longe de casa, ias me buscar no aeroporto. Não estavas lá, apenas uma amiga comum me dizia que eu iria entender tudo. Mergulhei numa desordem interior, tu não estavas só, acho que consegui dissimular meu caos.

Fui simpática, mostrei uma falsa alegria e cordialidade. Minha expectativa de um reencontro acabara de naufragar.

Foquei no trabalho que fui organizar, contigo. Parte de mim pedia a amorosa contemplação de antes, a outra adentrava na frustração. Então havia uma família constituída, encoberta na troca de nossas mútuas mensagens.

Como realmente sempre fui, segui independente durante minha estada. Te perturbei com a minha liberdade, não podias transgredir. Minha resposta ao desencanto. Nada fiz, apenas circulava com desenvoltura e o escondido orgulho ferido.

Te percebi confuso e atônito, sem domínio do teu território, que agora era meu.

Apresentada por ti ao teu melhor amigo, alucinastes, quando o vistes inebriado com a minha fala, perdestes finalmente o controle, a tua mão no braço dele, olho no olho te perdestes, confessastes: essa mulher é minha. Tentativa de limitar qualquer prosseguimento dele, que sequer era correspondido, mas me assegurei da conquista final do teu terreno.

O calor infernal da cidade ajudou o meu desfile livre, leve e solta nas minhas vestes etereas. Te provoquei até a despedida, de vermelho, recém banhada, iria ao último evento e depois para o aeroporto. Me falastes que eu era a imagem saída de um filme, a dama de vermelho, um dos poucos momentos em que nos falamos. Eu mesma achava que a similaridade era com Lanternas Vermelhas, bem mais melancólico.

Me senti vingada, afinal, me transformei no teu estorvo, mas também sangrei.

O que eu faria agora com o meu arrebatamento? Onde guardaria meus sentimentos? Minha mente girava em pensamentos vãos.

E agora voltas ao meu territorio. Me sinto confusa, dividida entre paixão e dissabor.

Tu chegas amanhã e, como te falei no primeiro encontro, houve um despertar de boas coisas em minha vida com teu olhar. Teus olhos e visão especiais, sensíveis e cativantes, mas também aflitos, nervosos e carentes me desconcertaram.

Depois veio a frustração. Na minha ignorância me senti uma transgressora.

E agora tu estás chegando, com tua fala mansa, voz rouca, quase sussurro e eu aqui com uma vontade louca de voltar à nossa primeira noite.

Em mim há uma segregação entre corpo e mente, mas ainda quero reassumir a ti no meu controle, no meu pertencer.

Se deixares, vou te envolver em meus braços, te carinhar, e balançar até que durmas, ah, e como precisas dormir, vejo isso, podes dormir, vou te acalentar, cantarei baixinho, velarei teu sono, e sabes? Podes te entregar por inteiro, sem reservas. Aqui, neste momento, mora teu reino de paz, podes gemer, chorar tuas mazelas, te darei colo, não me perguntes o porquê, sinto apenas que agora tu precisas.

Também te darei conforto, te sentirás abrigado. Já tivesses essa sensação única da minha entrega. Te darei de novo!

Me pergunto, o que eu quero disso e me respondo: o instante que tiver, mergulhando rápido, profundo, nessa montanha russa que és tu.

Não, por favor, não te assustes, não te quero só para mim. Tenho a minha liberdade, sou diferente, quero hoje ser amada, depois uma amiga com quem tu poderás contar, te abrir, temos uma construção de vida parecida, somos rebelde, por isso te entendo e estarei aqui, se precisares!

Te digo ainda: sim quero a tua cama, como me senti bem nela, seduzida, confortável, bem amada, mas não fiques assim vaidoso, sei que posso corresponder a altura.

E quando tu te fores, restará uma bela lembrança, uma fusão maior que corpos, a união de duas pessoas que um dia se encontraram, confluíram.

Então te digo: te espero, podes vir e voltar em paz!

E aí tu viestes assim, carinhoso e carente e revivemos o dantes.

Passamos a noite juntos, ficastes comigo 24 horas.

O tempo foi curto, porém intenso, dia seguinte, ficamos lá em casa abraçados até a hora do aeroporto.

Tu me falastes que te detivestes me cuidando enquanto eu tabalhava. Ficastes encantado e como me achastes inteligente, percebestes que eu pegava as coisas no ar, que outros falavam e eu já articulava o próximo passo, que eu daria uma ótima produtora, elegante, sensível, encantadora.

Pedistes que eu te ligasse, respondi que não faria isso, que a minha viagem a chapada tinha sido muito louca, mas que foi bom porque consegui perceber como eras no teu território.

Foi uma situação das mais difíceis pela qual já passei. Meio se desculpando me dissestes que estavas atordoado. Quando cheguei te encontrei confuso, havias retomado a relação com a tua mulher, mas quando eu assumi a situação, sem dar nada na cara, fostes te tranquilizando, até ficar novamente fascinado com a minha desenvoltura.

Ouvir isso foi muito bom, muito intenso e sem saber do futuro … Então me dissestes: volto daqui a 20 dias.

Não aconteceu.

O que eu posso te dizer?

Que temos ciclos, que é necessário morrer para renascer, que pode ser um inferno astral, mas vai passar.

Enquanto tudo está difícil, apenas gostaria de ter um mágica especial, para que num passar de mãos tudo simplesmente sumir, problemas, dores confusões, mas não sou mágica, então só pude te oferecer minha amizade.

Sim, amizade, sei os territórios que me pertencem, dou apoio e ombro amigo, nada mais.

Estou viajando, só consigo lembrar de cotovia de Manuel Bandeira, os últimos versos, realmente gostaria de poder torcer o destino e no espaço de um segundo limpar o pesar mais fundo.

Vamos nos cuidar, não olhar o abismo, ele é uma ilusão passageira.

Como é difícil a insustentável leveza do ser. Tu abalastes o meu mundo. Me joguei com toda a minha segurança. Agora me olho no espelho e me digo: preserve-se!

E me retomo, aqui eu determino quando começa e quando acaba.

Conto de Adrianafetter

O que não pode ser resolvido, resolvido está, será?!

Sempre defendi esta tese, mas existe uma diferença entre sermos independentes, é termos pessoas que dependem de nós.

Outro dia mesmo afirmei isso para o meu marido, estava preocupado, esperando uma resposta que não vinha, não dependia dele, pedi para ele relaxar.

Depois me coloquei no lugar das pessoas que sustentam a suas famílias e que estão desempregadas, fazendo bicos, para que os filhos possam comer, ter um mínimo de vida digna e estudar.

Para elas não existiu o resolvido, para elas há somente uma grande pressão nos ombros, um mundo a ser carregado.

Há uma enorme diferença entre pequenos problemas, aqueles que nos preocupam no dia-a-dia, mas que não vão afetar efetivamente a nossa vida e grandes problemas, que são aqueles que pessoas sofreram as consequências do que não podemos fazer, que está além dos nossos limites e alcance, está além das nossas mãos.

Quando você estiver pra baixo pense naquelas pessoas que a conta de luz e de água está chegando, que o gás acabou e sequer tem 10 reais para comprar pão e trazer para casa.

Sei que parece um discurso fácil o que eu estou escrevendo, banalização do cotidiano. Realmente não é, tenho visto e vivido problemas e vejo que tem gente muito pior do que eu.

Não que isso seja um consolo, o que eu gostaria mesmo é que as pessoas pudessem superar as dificuldades em suas vidas sem sofrimento.

Me solidarizo com o sofrimento dessa gente, com quem luta no dia-a-dia, e ainda procura a tal felicidade e que consegue, com o pouco que tem, superar os obstáculos e ainda fazer a vida dos outros um pouco melhor.

O seu melhor tempo é o presente

Aqui e agora

Como você está tratando as pessoas que vivem ao seu lado? Como você reage a um carinho, quando alguém fala com você, mesmo que você esteja ocupado?

Não deixe para depois, porque o seu melhor tempo é agora, o amanhã pode ou não acontecer, tudo muda em um segundo. Muitas vezes não temos segunda chance de dar atenção ou afeto.

É tão triste nos arrependermos de não ter feito alguma coisa, ou quando gostaríamos de ter feito diferente, gostaríamos de ter dado mais atenção e mais carinho a uma pessoa e isso não aconteceu.

O tempo nunca volta ele aqui e agora.

Uma frase que a minha mãe sempre disse: ajuda de criança é pouca mas quem recusa é louca . Carrego isso comigo.

Muitas vezes, quando estamos ocupados, nosso filho pequeno chega e tentar de alguma forma chamar nossa atenção, ou tenta ajudar, ou ainda nos conversar, a irritação por vezes é imediata, porque vamos perder tempo. Pondere, nem sempre você terá seu filho seu lado por toda vida.

As crianças crescem e vão viver a suas vidas o tempo que temos é o aqui e agora. Será que realmente não podemos perder cinco minutos?!

Que sociedade é essa em que vivemos que não podemos parar para atender a quem amamos, porque estamos sempre ocupados?

Temos que repensar a importância do nosso tempo, das pessoas em nossas vidas e que relação temos com cada uma delas.

Tem gente que vem e passa por que cumpriu sua missão em nossas vidas, ao nosso lado, tem gente que ficará para sempre conosco, ou na nossa lembrança.

Uma coisa que eu sempre tentei fazer na minha vida foi acompanhar a quem eu amo, não deixar para depois o meu afeto, não ter arrependimento na despedida.

Dei esse exemplo para o meus filhos, que, mesmo morando longe, sempre viajaram para visitar seus bisavós e seus avós, porque isso tem que ser feito em vida, demonstrar o amor no agora.

Coloquei uma música aí em cima e outra aqui embaixo, parem para ouvir, percam alguns minutos, porque o amanhã é o passado, o futuro é incerto e o que temos é o presente, o aqui e agora.

A vida se resume em encontros e despedidas , vamos nos amar mais.

Estereótipos, uma visão equivocada da vida

“O que eu não gosto no Brasil é a moralidade dos imorais.” (Odair José)

Assisti ao programa do Pedro Bial com Odair José e Monique Gardenberg.

Odair está lançando mais um disco Gatos e Ratos e a Monique é a diretora do filme Paraíso Perdido, estreando no Brasil.

Acho que vocês deveriam ouvir o disco e ver o filme, principalmente pessoas que, como eu, ouviam rádio nos anos 70 e assistiam ao programa do Chacrinha, ou quem curte todo e qualquer tipo de música.

Pedro Bial fez um trabalho sensacional de resgate do Odair, aquele cantor e compositor que falava sobre pílula, empregada doméstica e prostitutas.

Que ficou marcado como cantor brega, mas que tem um conhecimento social e opiniões de uma profundidade ímpar, muitas vezes censurado na ditadura. Disse ele que sempre escreveu aquilo que via nas nossas ruas e na sociedade.

Na entrevista temos depoimentos marcantes de seus admiradores, Caetano Veloso, Zeca Baleiro (que faz a direção musical do filme) e Zuzu Angel.

Monique segue essa linha e narra toda a historia que a levou a fazer um filme sobre esse tipo de música e sua homenagem ao Odair e as músicas de uma época, hoje consideradas bregas, mas que contam história de pessoas comuns, da sua realidade social, passando por temas sobre preconceito e sexualidade.

Amei ouvir as músicas do Odair, que eu sempre gostei, que foram regravadas por varios artistas famosos. Aliás, eu tenho um disco só de músicas do Odair José, regravadas por Titãs, Monbojó, Caetano, dentre outros.

Odair se diz um artista da crítica social e do preconceito, é um autêntico e ótimo roqueiro, que não nega seu envolvimento com as drogas e a bebida e sua recuperação.

Conviveu com Raul Seixas, Nelsinho Mota e grandes nomes da sua época de sucesso, a quem fez referência como amigos.

A Monique já havia feito sucesso na direção de Ó pai, ó, retorna agora neste filme, cujas letras musicais fazem parte do roteiro.

Amei o programa, a entrevista e os trechos do filme, que pretendo ver em breve, e que traz também como artista o tremendão Erasmo Carlos, o avô da família.

Só posso deixar aqui os meus parabéns ao Pedro, ao Odair e a Monique.

Renè

“A Rene foi embora com o dono dela ontem.Foi dormindo.”

Foi a mensagem que recebi da minha cunhada hoje.

Meu irmão sempre criou cachorros, mas ele sempre ficaram no pátio, ele tinha uma verdadeira paixão por pastor alemão.

Quando ele resolveu adotar a René leu tudo o que podia sobre a criação de um cachorro dentro de casa e ela o acompanhou lado a lado, até a morte dele.

Fez parte da família e esta foto foi feita em abril, quando meus netos e filhos estiveram lá, ela fazia a festa das crianças, mesmo já estando velhinha, a véspera do seus 18 anos.

Acompanhei esses últimos dias, voltei de Pelotas na segunda-feira, queria ao menos poder estar hoje com a Nica, que desde 2006, quando meu irmão se foi, teve a companhia da Renè sempre ao seu lado.

Como ela mesmo disse na sua mensagem, a Renè hoje foi encontrar o meu dindo, seu dono, que era apaixonado por ela.

Desabafo político

Sou mulher de caminhoneiro e a única coisa que percebi foi que o diesel subiu nos postos de combustível, desde o início desta greve.

Outra coisa que acho seríssima: cortar os gastos nas áreas sociais para subsidiar, na verdade, as grandes transportadoras e não o caminhoneiro de ponta, o autônomo, aquele que luta dia a dia para manter o sustento da sua família.

O movimento teve muito caminhoneiro que precisa de um preço mais baixo de combustível, o que aconteceu foi muito mais um locaute, manipulado pelos empresários da área de transporte.

Meu marido chega a trabalhar 16h, num único dia. É uma vida difícil, estradas péssimas, insegurança nas estradas, roubo de caminhão, mortes por acidente, tudo para cumprir uma agenda e conseguir lucrar alguma coisa no final do dia.

O diesel é um combustível altamente poluente, e até hoje temos nas concessionárias caminhonetes a diesel, que as pessoas compram para circular na cidade.

Gente está tudo errado!

Governo fraco que não sabe negociar, que permitiu abusos de toda ordem. População egocêntrica que tentou passar a perna no outro que também é brasileiro, furando fila, aumentando o preço, sem nenhuma solidariedade às dificuldades que estavam acontecendo, porque o seu umbigo vem em primeiro lugar.

E agora vem cortar as verbas sociais do SUS, violência contra mulher, saneamento básico, educação, para cobrir subsídio?! Não concordo, é um absurdo.

A população deu apoio ao movimento dos caminhoneiros, porque está cheia dos desmandos, da corrupção, do desvio de verbas, principalmente para os bolsos dos políticos, chega!

Senhores políticos que tal começar a cortar na própria carne? Começando pelas verbas gigantescas do legislativo, do Judiciário, e dos ministérios excedentes, dos inúmeros cargos preenchidos pelos afiliados dos políticos, que não estão lá para servir ao público, apenas para garantir mais verbas ao seu padrinho.

Não existe milagre, salvador da pátria, discurso vazio, não acredito em quem tem mais de 30 anos de congresso e nunca tentou fazer nada, não acredito nos políticos que estão aí e que fizeram uma reforma política apenas para se perpetuarem onde estão.

O Brasil precisa de um projeto sério de governo, de programas sociais que permitam que a população possa ser empregada, ter a sua própria renda, que os tributos sejam revertidos para população em educação e saúde e demais necessidades.

Não é se perpetuando no poder de uma forma ou outra e colocando toda a família na política que vamos conseguir sair de um futuro caos.

A reforma política só serviu para que os atuais políticos possam ainda se beneficiar das verbas públicas e se reelegerem. Manter seus feudos, que é a melhor expressão da nossa política atual.

Sei que este texto vai desagradar várias pessoas, mas sou cientista política e não posso assistir tudo que vem acontecendo e continuar calada.

Vocês realmente acreditam em milagre, em mitos?!

Vamos deixar de ser marionetes, está mais do que na hora de assumir o comando do nosso futuro.

Doses De Clarice Lispector

O caminho que eu escolhi é o do amor.

Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar.

Escolhi ser verdadeira.

No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem.

É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.

Ciclos

Sempre que eu estou em Pelotas avalio o passado e o futuro, pelas condições do meu presente. Percebo a situação em que se encontra a minha mãe, já esquecida de si mesma.

Quase uma criança, feliz com a festa de aniversário, os olhos brilhando pelas pessoas cantando parabéns, na frente de um bolo.

Penso na minha própria caminhada para a velhice. Os esquecimentos, as lembranças, as pessoas que encontrei em minha trajetória, o sentido de minha própria passagem por esta vida.

Envelhecer não é fácil, existe uma luta diária contra as dores e aflições da alma e do corpo. Este último não acompanha a velocidade dos nossos pensamentos.

Ao ver a minha mãe então velhinha e tão esquecida reflito, o quanto e até onde viveremos bem.

Também assisti a tristeza e o esforço da minha cunhada frente a velhice da sua cachorrinha, que ela e o meu irmão, já falecido, criaram com tanto amor. Com quase 18 foi praticamente impossível mais um ano, assim que viajei ela morreu. Triste!

O ciclos vão se esgotando. Existe toda uma nostalgia vivenciada na tentativa de proporcionar pequenas alegrias a quem agora depende de nós, porque não têm mais forças para dar continuidade a própria trajetória de vida.

Este texto é no mínimo estranho por falar da quase morte. Todos sabemos que caminhamos para lá, mas o quanto estamos preparados para fecharmos o nosso próprio ciclo?!

Dias alegre e tristes, esses dois sentimentos convivem lado a lado, em todas as horas.

Precisamos aprender a envelhecer, porque essa sapiência é uma arte que podemos ou não vivenciar com dignidade.

Descomporta (AF)

retomar…

pela sensibilidade … teu doce

as comportas abriram

espraiei

sangue escorreu  com lágrima

na boca silenciosa

cheia de beijos,

sedenta

irresponsável extravasão

tão contida

por vezes desmedida

que descomporta

me inconforma

tudo que escorre

pelos dedos

ser incontrolável

a noite percebida

distraída na manhã

trouxe  despedida

retornaremos…

meu verso …

minha poesia

(Adrianafetter)