Fênix (AF)

Esqueço de mim ao voltar

Quero ignorar cada minuto de sofrimento

Apenas reconsidero os bons momentos

Eles alimentam minha esperança

Caio neles com todo o meu ser

Imaginar… constante…

Repenso e recomeço nas reflexões

Vejo os contornos e nuances dessa trilha

A cada inspiração um agradecimento

Ter o lembrar e o reviver

Meu pensamento voa junto com a aeronave

Ainda não sei o que será …

Mas reciclo para ser!

Poema de Adrianafetter

Fusão (AF)

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Nossos olhares se cruzaram
Perdidamente… me senti
Choque elétrico – intenso!
Vasto – avassalador.

Nossas mãos se encontraram
Borboletas voaram dentro de mim
Frenética – inquietantemente.

Reciprocidade de intensões
Pretensões mundanas,
Profanas!

E, nossos corpos se uniram
Num único abraço
Fundindo, unindo
Fusão completa e absoluta
Desfrute!

A lua apareceu na janela…
Suspirei…

poesia de Adriana Fetter

Divagações

perdida entre sites, reflexões

opiniões, sentimentos

sentimentalidades…

respostas não tenho,

sou mulher.

faço perguntas

faltam quesitos

sobram dúvidas

o que sei?

não sei

divago

queria teu colo!

talvez,

o de minha mãe

pai e irmão

mas se foram.

e eu?

sobrei aqui

sem explicação

criança perdida

em corpo de mulher

desnorteada.

grande esforço,

o de me achar!

então,

procuro me perder…

Quieta (AF)

Fica quieta que o dia passa

as horas vão se sobrepor

e em algum tempo depois será um novo dia

um por um você se acostuma

Fica quieta que o dia passa

as horas vão deslizar uma a uma

assim como as dores do tempo

todas irão se afastando como que dormentes

Fica quieta que o dia passa

você vai sobreviver a esses pensamentos

mesmo que paralisada

se tem um destino a cumprir

então,

Fica quieta que o dia passa

(poesia de Adrianafetter)

Nada (AF)

Ouço a surdez da vida

Vejo a cegueira da estupidez

Cheiro as nuances exaladas da ausência

Percebo os instinos soltos no vagar

Tateio o espectro do nada

Saboreio o porvir do insensível

Do nada vim

Ao nada voltarei

Sou passagem

Aconteço hoje

Amanhã não sei se serei ou estarei

Você não me cabe

Eu princípio e fim

Não me encaixo

Me precipito…

(poesia de Adrianafetter)

Entorpecida (AF)

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Cada momento reflete minha alma

Vaga pelo horizonte o meu olhar

Não encontra paradeiro

Perdido em devaneios

Procura fora e dentro a resposta

E nada sucede, perdida

Respiro lenta e profundamete

Procurando um instante sem pensar

Neste turbilhão que sou eu em expansão

Meus limites não me cabem

O entendimento de mim mesma é inconcebível

Estou entorpecida dentro de mim

Enquanto minha essência se vai

Ao longe!

(Adriana Fetter)

Desejo – Victor Hugo

O escritor e poeta Victor Hugo descreveu todos os possíveis desejos na medida certa, para que, sê atendidos, nunca percamos a nossa humanidade!

Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,

Que mesmo maus e inconseqüentes,

Sejam corajosos e fiéis,

E que pelo menos num deles

Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,

Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito

De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,

Quando não restar mais nada,

Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

Mas com os que erram muito e irremediavelmente,

E que fazendo bom uso dessa tolerância,

Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,

Não amadureça depressa demais,

E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer

E que sendo velho, não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e

É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,

Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra

Que o riso diário é bom,

O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,

Com o máximo de urgência,

Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,

Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,

Porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano

Coloque um pouco dele

Na sua frente e diga “Isso é meu”,

Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,

Por ele e por você,

Mas que se morrer, você possa chorar

Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,

Tenha uma boa mulher,

E que sendo mulher,

Tenha um bom homem

E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,

E quando estiverem exaustos e sorridentes,

Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.

Ninguém somos

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Vazio no olhar

Que penetra o nada

Sem nada a fazer

No deserto do foco

Que nada mira

Só mira o nada

Do foco intestinal da emoção

Perdida em pensamento

Vagando na imensidão

Do só, do eu, do tu

E quando somos nós

Ninguém somos

Porque perdemos o nosso eu

E quando somos eu

Ninguém somos

Porque queremos o nós compartilhar

E seguimos, sempre, só, nós … (AF)

Turbilhão (AF)

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Não quero essa saudade invasiva

Inexplicável, resoluta, inquietante,

Buscando em mim outro ser que não domino.

Quero de volta minha racionalidade

Inteira, absoluta

Acalmando meu corpo que deixaste latente

Espero absorver o impacto de tua passagem

Instigante, diferente

De tudo que sou, de tudo que fui

Pra retornar o eu de amanhã

Já não há volta

Há contornos, flashes

Arrepios no corpo

Frios na alma

Quem sou eu agora?

E você?

O que faz você?

Repete minha mente

Sou um pouco de você

Sou muito de mim

Sou um meio nós de amanhã.

Amanhã um novo começo.

poesia Adrianafetter (AF – 2007)

Hoje a poesia é minha

bom dia poesia

e todos os dias de minha vida

que pulsam e me expulsam de mim

para sair e não voltar

para voltar e não sair

daqui desse lugar

viajar até não mais poder

regressar ao meu recôncavo

ingressar na tua fúria verbal

acolher tua inspiração carnal

ver minha contextura

estrutura, metáforas

e escoar-se da invasão

dalheia privacidade alheia

alienação, enlevo, perturbação

voar até ti, sentir o teu eu

e fugir … de leve … de tudo

bom dia poesia!

(Adriana Fetter)

Link

Cascais portugal

 

CONSOLO NA PRAIA – Carlos Drummond de Andrade

Vamos, não chores…

A infância está perdida.

A mocidade está perdida.

Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.

O segundo amor passou.

O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.

Não tentaste qualquer viagem.

Não possuis casa, navio, terra.

Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,

em voz mansa, te golpearam.

Nunca, nunca cicatrizam.

Mas, e o ‘humour’?

A injustiça não se resolve.

À sombra do mundo errado

murmuraste um protesto tímido.

Mas virão outros.

Tudo somado, devias

precipitar-te, de vez, nas águas.

Estás nu na areia, no vento…

Dorme, meu filho.

 

 

Ofereço Mario Quintana para vocês!

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O Tempo – Mário Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Hoje dedico Martha Medeiros para vocês!

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A Morte Devagar

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições. Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo. Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

Martha Medeiros