Menino (AF)

Eu te vi menino do olho triste

E te quis embalar e aplacar tuas angústias

Tirar de dentro d’alma tua

A tristeza dos olhos

E fazer-te livre de ti mesmo

Compreendi, entretanto, que só tu

E não eu, que assim poderia fazê-lo

E saíste pelo mundo a vagar

Procurando o encanto do embalo

Dos braços que haveriam de te afagar

Da alma que um dia irá te acalentar

Vai menino…

Vai tristeza …

Segue minha vida.

Poesia Adrianafetter

Dias de luto

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Tem dias que são cinzas, hoje é um dia de profunda tristeza, desses que não consigo pensar em algo para escrever, crianças foram queimadas em uma creche em Minas Gerais, dia de choro, de recolhimento, de deixar as lágrimas correrem.

Podemos apenas orar na quietude, no silêncio, bem baixinho falar com Deus com o nosso coração, pedir compaixão e conforto para as suas famílias, alívio para a dor dos que estão sofrendo.

Duas coisas me chocaram nesse episódio trágico, um site jornalístico oferecendo imagens para as pessoas acompanharem a tragédia e pessoas de má fé pedindo doações para conseguir dinheiro para fins escusos, explorando a sensibilidade e o compadecimento de quem quer ajudar.

Nada vai fazer o tempo voltar, porque era o que eu gostaria de pedir a Deus, nenhuma palavra minha vai ajudar, mas as orações talvez possam fazer mais por essas famílias.

Todas as minhas preces são para às mães e pais, às suas crianças e às professoras e servidores dessa creche. Meu coração está com vocês!

Carvão

Enquanto eu escrevo geralmente ouço notícias.

Vendo um programa de migrantes o meu coração ficou apertado, estou mostrava a luta dos refugiados.

Quanta tristeza passam os que são forçados a abandonar o seu lar.

Uma cena me chocou, na fronteira com a Croácia, pessoas com frio, no meio da lama, com inúmeras crianças.

O ar gélido castigava mais ainda, como se isso fosse possível. Capas e barracas de plástico frágeis eram as únicas proteções.

Uma barreira de policiais da fronteira impedia a passagem dos migrantes.

Naquela noite duas crianças morreram de frio, enquanto as outras assistiam todo o sofrimento.

Assistindo minhas lágrimas escorriam. Não havia comida suficiente.

Os contrabandistas de pessoas lucram com as suas vidas, eles fogem da guerra, querem se salvar e as suas famílias, estão desesperados.

Eu não tenho respostas, eu não sei qual é a solução para isso, mas pessoas não podem ser queimadas como carvão (Darcy Ribeiro), para o mundo lucrar, há de existir dignidade humana.

Eu não me conformo com a exploração do homem pelo próprio homem!